 Gazeta de Alagoas - Julho de 2006
Sebo Virtual do Rio Grande do Sul é referência na web
Proprietária do Traça on-line fala das vantagens da venda de obras via internet
Carla Serqueira Repórter
Longe do rótulo de empoeirados e desorganiados, os sebos no Brasil avancam na era digital. Na internet, uma variedade de títulos esgotados há décadas está à disposicão de qualquer leitor. A Gazeta conversou com Carmen Menezes, historiadora e proprietária dos Sebo on-line Traça, com sede no Rio Grande do Sul, e descobriu que tecnologia tem se tornado uma aliada na difusão da leitura, especialmente em cidades do interior, onde são raras as livrarias.
Em Alagos são muitos os clientes de seu negócio. Morados de cidades como Boca da Mata, Coité do Nóia, Delmiro Gouveia, Igreja Nova e Porto Real do Colégio já compraram via comércio virtual na Traça. No ramo desde 1986, Carmen conta que o público leitor tem crescido no Brasil e avalia haver espaço para novos alfarrábios em Maceió. Confira na entrevista.
Gazeta - Como surgiu a idéia de fazer da internet uma "prateleira" de livros usados? Carmen Menezes
No final de 1998 tínhamos duas alternativas para crescer: abrir novas lojas ou criar um site na internet. Optamos pela internet, que víamos como caminho natural. O raciocínio é simples: facilidade de busca e transparência de preços. Já foram publicados no Brasil mais de um milhão de títulos e os sebos são empreendimentos pequenos - acredito que o acervo médio não chegue a 20 mil títulos. Como resultado, a busca por um livro já esgotado era um peregrinação inglória em vários sebos - nem sempre organizados e nem sempre com preços convidativos, já que os valores eram muitas vezes fixados de acordo com o potencial do cliente.
Como se formou o acervo da Traça?
O acervo vem sendo formado desde 1986, quando comecei a trabalhar com livros. A maneira como as obras chegam até aqui é que é interessante. São basicamente quatro razões pelas quais os profissionais se desfazem dos livros: falta de espaço, mudança de foco de interesse (profissional ou pessoal), necessidade financeira e falecimento. É m tanto macabro, mas as grandes bibliotecs só chegam té nós com o falecimento dos seus proprietários. Chega a ser chocante a velocidade com a qual algumas pessoas se defazem dos livros de quem se foi. Para mim, que gosto de livros, dói ver aquilo que a pessoa levou uma vida para contruir e que, muitas vezes, foi o centro de sua existência, simplesmente ser visto como "entulho inútil" e rapidamente "jogado fora". Melhor que venham para o sebo, onde serão bem tratados e encontrarão novos donos que os apreciem.
Tem dado certo?
A Traça está em processo de expansão rápida, aumentando seu acervo. Empregamos hoje em torno de 30 colaboradores, quase todos com curso superior. Temos uma loja de rua, um depósito com 1000 metros quadrados de área de armazenagem, mais de 20 computadores, dois servidores próprios, quatro profissionais de informática e toda a infra-estrutura associada, como impressora, scanners de alta resolução, etc. O investimento necessário para fazer a Traça funcionar a contanto acabou sendo muito maior do que eu imaginava no início do processo. E infinitamente mais trabalhoso.
Quantos volumes estão disponíveis on-line?
Mais de 60 mil, por enquanto. Vamos atingir 200 mil em um ano.
Qual a variação de preço?
De R$ 2 a US$75 mil. A média fica - sem contar com os livros especiais - em torno de R$ 20, mas há uma grande quantidade de livros técnicos é que puxam a média para cima.
Que raridade o leitor pode encontrar?
Cito o Voyage de Alexandre Von Humboldt, que ainda não está em nosso site devido à dificuldade de fixar um preço justo, já que temos notícia de que a obra completa teria sido vendida por US$ 75 mil. Entre os autores brasileiros, nada mais atual do que Macunaíma, o herói sem caráter de Mário de Andrade cuja primeira edição está em nossa loja.
Há livros autografados? Qual você destacaria?
O livro autografado que mais me encanta - e que ainda se encontra em nosso acervo - é uma Mensagem ao Congresso, de Getúlio Vargas, O livros autografados, especialmente as primeiras edições, não costumam ficar mais do que poucos dias no site.
De 2000 até hoje, quantos livros foram ventidos via internet?
Isso é segredo. Só posso dizer que foi mais do que imaginava quando comecei o site.
E a clientela "virtual", qual o perfil dos compradores?
Não há um perfil claro, a maioria das vendas é de livros "universitários", com uma presença forte de pós-graduandos, o que nos leva a uma faixa etária centrada entre 20 e 30 anos. Mas a venda para profissionais, especialmente, nas áreas de humanas, administração e educação também são expressivas. Colecionismo e literatura completam o quadro. Auto-ajuda, esoterismo e psicologia aplicada estão em baixa. Note que a internet auxilia muito o trabalho do colecionador, pela facilidade de encontrar o livros e comparar preços. Com isso, novos colecionadores estão se formando, muitas vezes com preferências que, há alguns anos seriam quase impossíveis de atender.
Que estado do Brasilcompra mais livros?
Temos clientes do Brasil inteiro e os estados mais compradores sáo, pela ordem: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. O número de clientes em pequenas cidades do interior é despeoprocionalmente alto, refletindo a falta de livrarias nessas regiões. Já no exterior temos clientes habituais nos Estados Unidos, Canadá, Itália, França, Portugal e Espanha. Já vendemos para 42 países, inclusive Japão e nações do Oriente Médio.
Existe clientela em Alagoas?
Aém de Mació temos clientes em muitas cidades alagoanas como Arapiraca, Barra de São Miguel, Boca da Mata, Coité do Nóia, Japiratinga, Maragogi, Palmeira do Índios, Piranhas, Porto Real do Colégio, Rio Largo, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, Taquarana e Teotônio Vilela.
Você já teve a chance de conhecer sebos do nordeste?
Conheço os sebos de Salvador e do Recife. É interessante como no nordeste ainda se encontram grandes bibliotecas recheadas de clássicos e obras importantíssimas, especialmente da virada do século 20. Prova que havia uma riquíssima vida intelectual naquele período. Temos muitos clientes no nordeste, o que mostra que há espaço para mais alguns bons sebos por aí.
Saiba Mais "Al Farabi" (872-950) foi um filósofo muçulmanodo Turquestão que viveu em Bagdá que por seus conhecimento e reputação de grande leitor, emprestou seu nome aos livros e documentos antigos o velhos de pouco préstimos ou valiosos raros ou comuns", explica o crítico literário, poeta e membro da Academia Brasileira de letras(ABL) Antônio Carlos Secchin na terceira edição de seu pequeno e chamoso Guia de Sebos. No exemplar, publicados em 2001, ele também apresenta um "mapa" das melhores lojas de livros usados de dez cidades brasileiras.
Na Internet www.traca.com.br www.bazardaspalavras.com.br www.livrosnet.com.br www.livrosebo.com.br www.seboonline.com.br www.raizcultural.com.br www.reler.com.br
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