Voltando só agora, depois de alguns dias de preguiça. Não me invejem, leiam o texto abaixo...(Rabujo)
Estudos indicam que a inveja ativa a área do cérebro ligada à dor física; ao ver alguém se dar mal, estruturas associadas ao prazer são acionadas. Façamos um exame de consciência e vamos ver que é verdade. Quem não inveja o cara que ganhou sozinho um prêmio de 50 milhões na Mega-sena, aquela mulher maravilhosa, o vizinho de corpo sarado, a irmã que casou com o cara perfeito enquanto você se separou 3 vezes e nunca tem sorte no amor?Pois é...(Heloisa)
Na maioria, os vícios humanos têm sentidos suficientes para serem muito, muito tentadores. Luxúria, gula, preguiça, lançar fortes expletivos a um membro da oposição política, comprando um par de sapatos de pele de cobra com 25% de desconto, mesmo que tenha acabado de comprar um par de sandálias vermelho-cereja na semana passada - todas essas coisas são deliciosas, e é por isso que as pessoas precisam ser repetidamente lembradas a não fazer isso. Um vício, entretanto, dispensa quaisquer enfeites hedônicos e gera tanta dor que você pensaria ser uma virtude, embora não haja nenhum ganho final em massa muscular: a inveja. Escondendo-se em sexto lugar nas listas tradicionais dos sete pecados capitais, entre a ira e a vaidade, a inveja é o profundo e muitas vezes hostil ressentimento em relação a alguém que tem algo que você quer como dinheiro, beleza, uma promoção ou a admiração de um parceiro. É um vício que poucos podem evitar, mas que ninguém anseia, pois experimentar a inveja é se sentir menor e inferior, um perdedor embrulhado em maldade.
"A inveja é corrosiva, feia, e pode arruinar a sua vida", diz Richard H. Smith, professor de psicologia da Universidade do Kentucky, que escreveu sobre a inveja. "Se você é uma pessoa invejosa, é difícil apreciar muitas coisas boas que estão por aí, pois você está ocupado demais se preocupando sobre como elas se refletem em si próprias."
Agora, pesquisadores estão colhendo percepções sobre os interiores neurais e evolutivos da inveja, e por que esta pode parecer uma doença física ou um golpe real. Eles também estão traçando o caminho da, também, pequena embalagem da inveja, a sensação de "schadenfreude" - sentir prazer quando aqueles que você inveja são levados à lona.
Na edição atual do jornal científico "Science", pesquisadores do Instituto Nacional de Ciências Radiológicas, no Japão, e colegas descreveram estudos de exames cerebrais com participantes que tiveram que imaginar a si mesmos como protagonistas de dramas sociais envolvendo personagens com maior ou menor status de realização.
Ao confrontar personagens cujos participantes admitiam invejar, as regiões cerebrais envolvidas em registrar a dor física eram estimuladas: quanto mais alto os participantes classificavam sua inveja, mais vigorosamente respondiam às saliências da dor no córtex dorsal anterior e áreas relacionadas.
Ao mesmo tempo, dizem os pesquisadores, quando os participantes receberam a oportunidade de imaginar a queda do sortudo, os circuitos de recompensa do cérebro foram ativados, novamente em proporção à força da “cutucada” da inveja: os participantes que sentiram maior inveja reagiram à desgraça do outro com uma reação mais vigorosa nos centros de prazer de dopamina como, por exemplo, o striatum ventral. "Temos um ditado em japonês, “As desgraças dos outros têm gosto de mel,” diz Hidehiko Takahashi, o primeiro autor do estudo. "O striatum ventral está processando esse mel".
Matthew D. Lieberman, do departamento de psicologia na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, co-autor de um comentário que acompanha o relato, diz ter se impressionado pelo fato de como os combinados neurais de inveja e schadenfreude eram amarrados de maneira conjunta, com a magnitude de um, prevendo a força do outro. "É assim que funcionam outros sistemas de processamento de necessidades como a fome e a sede," diz ele. "Quanto mais fome ou sede você sente, mais prazeroso será quando você finalmente beber ou comer."
As novas descobertas são preliminares, mas alguns cientistas demonstraram reservas sobre o que elas ou outros resultados de exames do dinâmico campo da neurociência comportamental realmente significam. Todavia, a pesquisa lança uma luz sobre uma poderosa emoção que nós negamos ou ridicularizamos, mas ignoramos em nosso risco. Grande parte da recente crise econômica, sugere Smith, pode muito bem ter sido abastecida por inveja fugitiva, à medida que financistas competiam para evitar a vergonha de ser um "mero" milionário.
A inveja pode ser vista em outros animais sociais com reputações pessoais a serem defendidas. Frans de Waal, do Yerkes National Primate Research Center, em Atlanta, apontou que os macacos eram felizes em trabalhar por fatias de pepino, até que uma pessoa passou a dar recompensas melhores, como uvas, a um deles. Então os outros pararam de trabalhar por pepino e começaram a criar um rancor. "A emoção primária é, provavelmente, a inveja ou o ressentimento", diz de Waal.
Quando as crianças percebem que têm irmãos, suas vidas se tornam dominadas pela inveja. Por que ela sempre se senta na janela? O pedaço de bolo dele é maior! Sem irmãos? Tudo bem: você pode invejar o gato.
Pesquisadores muitas vezes distinguem entre a inveja e o ciúme que você sente, digamos, ao ver seu amado flertar com outra pessoa numa festa. O ciúme é um triângulo, diz Smith, no qual você teme perder o ser amado para outra pessoa. A inveja é um assunto entre duas pessoas, uma flecha indo de seu peito invejoso ao coração do outro mais favorecido. Embora a inveja seja incansável e gregária, podendo abraçar facções populares, a honra gira e completa Estados-nações. "É um fato da vida onde prestamos muita atenção ao status, a quem está indo bem e quem não está, e como parecemos em comparação a outros", diz Colin W. Leach, professor associado de psicologia na Universidade de Connecticut, em Storrs, que estuda a inveja.
Como regra, invejamos aqueles que são como nós em muitas maneiras - sexo, idade, classe e currículo. Ceramistas invejam ceramistas observou Aristóteles.
Paradoxalmente, essa indução de emoções, principalmente social, tem sua confissão entre as menos socialmente aceitáveis. A hostilidade ciumenta a um rival romântico é um tópico aceitável para conversação. Hostilidade invejosa a um rival profissional é mais como uma função corporal constrangedora: por favor, não compartilhe. Quando questionados por pesquisadores sobre sua inveja, participantes de estudos disseram, "Estou secretamente envergonhado de mim mesmo."
Da forma como os cientistas evolucionários a veem, as características importantes da inveja - as persistência e universalidade, sua fixação com o status social e o fato de coexistir com a vergonha - sugerem o desempenho de um profundo papel social. Elas propõem que nossos impulsos individuais podem ajudar a explicar por que os humanos são comparativamente menos hierárquicos que muitas espécies primatas, mais inclinadas a um igualitarismo bruto e a se rebelar contra reis e magnatas que conseguem mais do que sua parte justa.
A inveja também pode nos ajudar a manter a linha, nos tornando tão desesperados para parecermos bem que tomarmos a estrada correta e começarmos a agir bem. Lutamos com nossa inveja particular, nossos anseios por mais estima que comandemos, e a luta só aguça o doloroso contraste entre a suposta perfeição do adversário, que santificamos num trono imaginário, e a mercadoria defeituosa que somos nós mesmos.
"Se você deseja a glória, pode invejar Napoleão", disse Bertrand Russell. "Mas Napoleão invejava César, César invejava Alexandre, e Alexandre, ouso dizer, invejava Hércules, que nunca existiu." Se a inveja é um imposto cobrado pela civilização, todos precisam pagar. |
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| Comentários... |
| Data:03/03/2009 |
| Nome:Wal |
| Ai Carlos deixa disso, as diferenças é que tornam a coisa gostosas. Tá bom assim. |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:carlos b. |
| Que gente agressiva! Eu só disse que a ciência de agora é melhor do que a de antigamente. Implícito está que a ciência do século 18 foi usada como fachada para muitas coisas, inclusive políticas. Estas coisas foram, por exemplo, a eugenia nazista e o comunismo, as duas maiores pragas da história da humanidade. Depois fiz uma brincadeira sobre a inveja, tema do texto. Acredito que quem frequenta um determinado blog tem mais afinidades que diferenças. Beijos para todos! |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Ana |
| Seu Carlos. Não sei quem é você. De que estado do Brasil? Sou carioca. Conheci o site através da tradutora, a Helô. Tenho visto coisas muito interessantes, mas não acho que um texto sobre experimentos que usam a inveja seja motivo para afrontar as pessoas. É verdade que temos sim, mesmo que seja uma inveja positiva, como a Helô comentou no início. Aliás ela já sabe que dela eu tenho uma invejazinha, porque ela é loira, linda, inteligente e sabe traduzir bem pra caramba. Como escreve bem essa mulher. Desculpa Helô, sei que você não gosta, mas eu não podia deixar passar,muito bom o texto beijos a todos. |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Toninho |
| Que bobeira isso de ficar afrontando as pessoas dizendo que é empresário. Empresário pode ser muita coisa. Eu tenho um vizinho que tem uma barraca na feirinha e diz que é empresário.Vende cds e dvds piratas. Eu não tenho inveja dele, he he |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Wal |
| Empresário de que será esse Carlos?Hummmmmm, será que causa inveja ser empresário hoje em dia? Depende do que, não é? |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Verney |
| O negócio aqui é quente mesmo. Vou passar a frequentar mais. Realmente não há quem não inveje algo, mas não sabia que existiam pesquisas a respeito. |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Célia |
| Aindapara Carlos, realmente eu não acreditaria, pois cada um diz o que quer... |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Célia |
| Para Carlos.E não é arrogante? Eu sou mulher e sócia de empresária, e se você visse o meu currículo, acho que não teria inveja, mas se rasgava!Coitado...Não acredto em pessoas que se "acham",isso em homens é indício de impotência sexual sabia? |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:carlos b. |
Dona Célia,
Sou empresário. Se eu mostrasse meu currículo, você não acreditaria. E ficaria com inveja. |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Bernardo |
| Acredito que haja uma diferença entre inveja e ambição, aquela que nos impulsiona a alcançar objetivos. Acho que uma invejazinha é até positivo. |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Célia |
| Para Carlos. Você é um cara arrogante. Deve se achar o F de tudo.O que você deve fazer na vida hein? Do que tem inveja? |
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| Data:03/03/2009 |
| Nome:Walkíria |
| A verdade é essa mesma. Outro dia desses me peguei pensando:" Ah, como eu queria ser a Ana Hickiman" Não tve essa estrela...rica,lind, famosa, bem casada,etc e tal...quem não quer? |
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| Data:02/03/2009 |
| Nome:Zefa |
| carlos, quem disse que o que você chama de pseudo-ciência não é ciência verdadeira e que o que você chama de ciência é pseudo, só mais moderna? É necessário ter o espírito crítico!!!!! |
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| Data:02/03/2009 |
| Nome:carlos b. |
| Impressionante como estes textos me remetem a meus avós, aos velhos em geral. Sem as camadas de pseudo-ciência, preconceito ideológico e correção política da geração mais moça, eles enxergavam as pessoas como verdadeiramente eram, com suas infinitas fraquezas. Agora, a ciência nos mostra a mesma coisa. É maravilhoso estar vivendo este período. |
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| Data:02/03/2009 |
| Nome:o cético |
| Schadenfreude - adorei a palavra. Só o alemão propicia estes jogos de significados. |
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| Data:02/03/2009 |
| Nome:evandro |
| Como dizem, a inveja é uma merda. |
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