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Maratonistas Estressados
Fonte: Mind Hacks
Autor: Vaughan Bell
Link: http://www.mindhacks.com/
Tradução: Joana Alencastro
Data: 04/08/2009
 
The Neurocritic cobre uma pesquisa fascinante sobre como maratonistas podem ser uma janela científica para a neuropsicologia do trauma devido ao fato de que eles experimentam níveis extremamente altos de hormônio do estresse – cortisol.

Em seu estudo, os psicólogos  Teal Eich e Janet Metcalfe notaram que os níveis registrados 30 minutos depois de uma maratona são similares àqueles registrados em soldados durante treinamento militar e interrogatório, vítimas de estupro logo após o ataque, pacientes vítimas de queimaduras graves e pessoas que saltaram pela primeira vez de pára-quedas.

Isso sugere que maratonistas podem ser estudados de forma mais sistemática do que poderia seria ético com vítimas de trauma, fornecendo assim, um insight importante sobre como funciona o cérebro sob extremo estresse.

Eich e Metcalfe ficaram particularmente interessados no efeito do estresse na memória, e queriam descobrir se existe alguma diferença entre a memória explícita – memórias que você pode conscientemente convocar em sua mente, e memória implícita – a influência de uma memória passada em alguma tarefa que você esteja fazendo mesmo que você nem perceba que está tendo uma lembrança.

Eles testaram um grupo de maratonistas mais ou menos meia hora depois de eles terem feito uma corrida, e um grupo que estava prestes a começar uma maratona.

Em comparação com aqueles que estavam prestes a correr, aqueles que já haviam realizado a maratona apresentavam memória explícita não tão boa, mas memória implícita melhor. Em outras palavras,  a memória consciente foi reduzida, mas as memórias inconscientes pareceram ficar mais aguçadas.

Isso é interessante porque pensava-se que o cortisol cronicamente alto derivado de trauma afetava o hipocampo - uma área do cérebro considerada chave para a memória consciente. Os pesquisadores sugeriram que um processo similar poderia reduzir temporariamente a memória explícita dos maratonistas.

Os autores são mais cuidadosos ao sugerir o porquê de a memória implícita ter melhorado, mas uma possibilidade seria a de que o cortisol é conhecido por afetar o condicionamento ao medo – a ligação inconsciente do susto com a situação que o causou.

O que é muito interessante, é que se sabe que tal fenômeno funciona de maneira diferente entre homens e mulheres. O cortisol estimula o aprendizado do medo inconsciente nos homens -  mas não nas mulheres. Os pesquisadores não compararam maratonistas homens e mulheres diretamente, mas seria interessante saber se o aprendizado geral inconsciente que estava associado ao susto também não estava associado ao sexo dos sujeitos.



 
Comentários...
Data:04/08/2009
Nome:marujo de águas turvas
O melhor é o último parágrafo, embora me pareça incompleto. Mulheres não aprendem, nem sob estresse extremo.
Data:05/08/2009
Nome:Bruzundanga
Não dá para injetar o cortisol, sem ter que correr 42 km?
 
 
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