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| Blogs Científicos |
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Solidão e Televisão
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| Fonte: Science Blogs |
| Autor: Jonah Lehrer |
| Link: http://scienceblogs.com/cortex/ |
| Tradução: Joana Alencastro |
| Data: 05/08/2009 |
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No blog Mind Matters, tem um post muito legal de autoria de Fionnuala Butler e Cynthia Picketton sobre os benefícios de assitir televisão quando se está sozinho – o que parece fornecer o mesmo tipo de alívio emocional proveniente do convívio com pessoas de verdade.
Por décadas psicólogos estiveram interessados em entender como os indivíduos realizam e mantêm relações sociais de maneira a evitar o isolamento social e a solidão. A vasta maioria da pesquisa se focou amplamente em relações entre indivíduos reais interagindo cara a cara. Uma pesquisa recente ampliou esse foco - das relações reais para relações artificais – relações “parasociais”. Relações parasociais são unilaterais e se desenvolvem com o tempo com pessoas ou personagens que podemos ver na TV ou no cinema. Da mesma maneira que uma amizade se desenvove através do tempo que se passa junto - compartilhando pensamentos pessoais e opiniões - as relações parasociais se desenvolvem ao assistir os personagens de nossos seriados favoritos, e ao se envolver com sua vida pessoal, suas idiossincrasias e experiências, como se eles fossem assim como nossos amigos verdadeiros.
Em um artigo publicado recentemente no Journal of Experimental Social Psychology (Cadernos de Psicologia Social Experimental), Jaye Derrick e Shira Gabriel - da Universidade de Buffalo - e Kurt Hugenberg - da Universidade de Miami - testaram o que eles chamam de "Hipótese da Substituição Social."
A teoria dos autores é de que a solidão motiva as pessoas a buscarem relacionamentos - mesmo que esses relacionamentos não sejam reais. Em uma série de experimentos, os autores demonstraram que era mais provável que os participantes relatassem que assistiram a seu programa de TV preferido quando estavam se sentindo sós – e que se sentiram menos sozinhos ao fazer isso. Essa evidência preliminar sugere que as pessoas buscam espontaneamente por relações substitutas quando relações reais não estão disponíveis. Os autores também descobriram que os participantes que relembraram uma briga com uma pessoa próxima em suas vidas escreveram mais longamente sobre seu programa de TV favorito do que sobre um programa “não-favorito”.
Parece que experimentar a falta de fazer parte de algo – no caso uma relação – faz com que as pessoas realmente “festejem” com seus programas preferidos de TV, como se as relações parasociais com os personagens da televisão substituíssem as relações falhas que eles mencionaram.
Essa pesquisa faz muito sentido para mim. Eu nunca viajo sem uma bagagem cheia de seriados de TV em DVD, pois acho o melodrama da boa televisão (Os Sopranos, The Wire, The Shield, The Tudors, House, Lost, Freaks and Geeks, etc.) extremamente tranqülizante - especialemente depois de passar o dia com estranhos. É tão reconfortante apertar o play e adentrar em uma rede social familiar, mesmo que essa rede social envolva a máfia de New Jersey.
Pensamentos à frente: argumentei que a maneira ideal de experimentar os benefícios paliativos da TV seria no DVD. (Em outras palavras, a tecnologia da memória revelou a total potencialidade da média.). Assitir aos episódios do início ao fim, de forma cronológica – assisti a primeira temporada inteira de Lost em uma única “bebedeira” visual - facilita o desenvolvimento de sérias ligações emocionais. Os personagens desenvolvem profundidade e história; as tramas estão aptas a cultivar toda a sorte de intrincadas camadas e conexões. Não há espera ou esquecimento. Pelo contrário. Estamos profundamente presos dentro de outro mundo, completamente imersos em vidas que são muito mais interessantes que as nossas próprias.
As más notícias – é claro – é que todos os programas de TV acabam. (E eles acabam ainda mais depressa quando você os assiste rapidamente no DVD! Eu ficquei seriamente triste quando terminei de ver Six Feet Under. E depois eu fiquei ainda mais triste quando percebi o que isso significava em minha vida.) De forma muito interessante, muitos desses “rompimentos” emulam muitas das emoções negativas engatilhadas por rompimentos reais.
Em um estudo publicado no Journal of Social and Personal Relationships ( Cadernos de Comportamento Social e Pessoal), Jonathan Cohen, do Departmento de Comunicação da Universidade de Haifa em Israel, examinou as reações de telespectadores em frente a uma potencial perda de seus personagens favoritos da TV. Cohen descobriu que os telespectadores experimentavam as mesmas reações negativas causadas pela dissolução de suas relações sociais reais também em suas relações parasociais. Mesmo que as relações parasociais possam oferecer um fácil e rápido reparo para a necessidade – que não foi suprida - de pertencer a algo, os indivíduos dentro desse tipo de relacionamento podem não superar a dor e a angústia causada pela dissolução dessa relação.
A moral é que não existe tal coisa como um “mero” entretenimento. A mente humana é uma máquina de conexão, que forma vínculos emocionais com bichos de pelúcia, invertebrados e Izzie Stevens. Um bom drama pode diminuir a nossa solidão, mas um rompimento é sempre um rompimento.
Atualização: Alguém acabou de enviar um e-mail perguntando se o advento dos reality shows (New Jersey Housewives, The Bachelor, etc.) pode ter alterado esse efeito. A resposta mais curta é: não tenho a mínima idéia. A resposta mais ligeiramente curta é que imagino que temos ainda mais probabilidade de criar laços com os personagenes de reality shows, já que eles são supostamente “reais”. Como acontece quando um filme é sempre ainda mais assustador quando precedido da velha frase “Baseado em fatos reais.”
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| Comentários... |
| Data:05/08/2009 |
| Nome:Sérgio M. |
| No fianl do texto se pergunta sobre os reality shows. Me paree bem óbvio que o efeito é ainda mais forte e ainda se tem a impressão de participar das situações. |
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| Data:05/08/2009 |
| Nome:Cinara |
| Conheço este efeito e o acho simplemente scary!! De repente estamos vivendo em outro mundo. Acho que o trabalho poderia elaborar mais sobre as razões profundas de porque isto acontece. |
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| Data:06/08/2009 |
| Nome:Renato |
| O fenômeno é especialmente visível entre pessoas idosas, para quem so personagens de novelas e apresentadores são quase familiares. |
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