Muitas pessoas são discalcúlicas e nunca tomaram conhecimento disso, passam os seus anos escolares achando que são “burras”, porque não conseguem aprender Matemática. Leia com atenção e se você achar que se enquadra no que se apresenta, ou mesmo se conhecer alguém assim,procure uma ajuda especializada,um psicopedagogo, por exemplo,ou mesmo um psicólogo.(Heloisa)
Porque algumas pessoas não conseguem somar dois mais dois.
Jill, 19 anos, de Michigan, quer ir para a universidade estudar Ciências Políticas. Há apenas um problema: ela não consegue aprender Matemática suficientemente..
Em novembro último, Jill foi examinada para detectar deficiências de aprendizagem. . Ela descobriu que, embora o seu QI seja acima da média, a sua habilidade numérica é equivalente a de alguém com 11 anos, porque ela tem uma coisa chamada discalculia. O diagnóstico veio, em parte, como um alívio, porque explica uma série de dificuldades que ela percebia em seu dia-a-dia. Ela não consegue ler facilmente o relógio analógico, por exemplo. Quando se trata de pagamento nas lojas ou restaurantes, ela dá a carteira para um amigo e pede-lhe para fazer o cálculo, sabendo que ela é susceptível de calcular de forma errada.
Bem-vindo ao mundo estressante da discalculia, onde os números mandam, uma vez que seus habitantes estão continuamente tentando evitar situações em que tenham que realizar cálculos básicos. Apesar de afetar cerca de 5% das pessoas - aproximadamente a mesma proporção dos que são disléxicos - a discalculia há muito tempo é negligenciada pela ciência, e, por isso, estas pessoas são incorretamente rotuladas de estúpidas.
Pessoas com discalculia, também conhecida como transtorno matemático, podem ser muito inteligentes e articuladas. Aí não é um problema geral de aprendizagem. Em vez disso, eles têm um déficit seletivo com conjuntos numéricos. Simplificando, não conseguem ver a ligação entre um conjunto de objetos - cinco nozes, digamos – e o símbolo numérico que o representa, como a palavra "cinco" ou o numeral 5. Nem podem compreender que fazer adições ou subtrações implica fazer mudanças gradativas ao longo de uma série de números.
Este conceito de "número exato" é conhecido por ser exclusivo dos humanos, mas há uma grande discórdia sobre sua origem. Uma escola de pensamento defende que pelo menos alguns dos elementos do pensamento são inatos, e que os bebês nascem com um número exato de "módulos" em seu cérebro. Outros dizem que o número exato é aprendido e que tem por base um inato e evolutivo antigo sistema numérico que nós compartilhamos com muitas outras espécies. Este "sentido de número aproximado" (ANS) é o que você usa quando olha para duas macieiras carregadas e, sem contar as maçãs, faz uma idéia de qual tem mais frutas. Neste sentido, quando as crianças desenvolvem a fala, elas mapeiam palavras e numerais neste sentido de número aproximado, ANS, ajustando-o para responder a, cada vez mais, símbolos numéricos precisos.
O debate sobre o número exato é diretamente relevante para as pessoas com discalculias, assim como enfrentar o problema será mais fácil se soubermos com o quê estamos lidando. Se temos um módulo de número exato inato que é,de alguma forma, deficiente em pessoas com discalculia, elas poderiam ser incentivadas a colocar mais fé na sua capacidade de comparar grandezas utilizando o ANS, e aprender a usar calculadoras para o resto. No entanto, se o número exato é aprendido, então, talvez, a discalculia pudesse ser abordada ensinando-se matemática das maneiras que ajudassem com o processo de mapeamento de números para o ANS.
Então, como fazer os dois modelos funcionarem? A teoria inatista de módulo numérico faz uma previsão óbvia: os bebês devem ser capazes de compreender números exatos. Isso foi explorado no início de 1990. Utilizando bonecos, uma tela e o fato de que bebês olham por mais tempo para as coisas que os surpreendem.A psicóloga do desenvolvimento, Karen Wynn, na Universidade do Arizona em Tucson, mostrou que, aos cinco meses de idade, os bebês poderiam discriminar entre um, dois e três. Eles procuram ver se o número de bonecas que saiu atrás da tela não corresponde ao número que entrou.
Alguns grupos têm feito uma abordagem diferente para mostrar que nascemos com um sentido de número exato. Eles argumentam que, se o número exato for aprendido, isso deveria ser influenciado pela linguagem. Brian Butterworth da University College London, recentemente fez testes de número exato com crianças com idades entre 4 e 7 anos, que falavam apenas Warlpiri ou Anindilyakwa, duas linguagens australianas que contêm muito poucas palavras. Ele não encontrou nenhuma diferença no desempenho entre as crianças indígenas e um grupo de controle de Língua Inglesa, de Melbourne (Proceedings of the National Academy of Sciences, vol 105, p 13.179). Isso, diz ele, é a prova de que "você nasce com um senso de número exato, e você mapeia a contagem de palavras para conceitos pré-existentes de números exatos".
Ambas as abordagens, no entanto, têm sido criticadas. O Neurocientista Stan Dehaene, do Collège de France, em Paris, recorda que o achado de Wynn também se encaixa na teoria rival - os bebês que chegam ao mundo com apenas uma intuição sobre o número aproximado. Isto porque a ANS está preocupada com proporção, então é razoavelmente confiável quando os números envolvidos são pequenos, mas deixa de funcionar quando os núemros crescem, e sua diferança proporcional também. Uma relação de tamanho 1:2 é mais facilmente compreensível do que 9:10. Wynn testou em bebês pequenos números e, como Dehaene apontou, "um versus dois é uma grande proporção”.
Ainda mais, Dehaene tem trabalhado com uma tribo amazônica, cuja linguagem só contém palavras para números até cinco, e diz que isso dá uma boa prova para a ideia de que o número exato é aprendido.
Os defensores da idéia de que o número exato é aprendido também apontam para a investigação que mostra a forma como crianças realmente adquirem uma compreensão dos números. Em primeiro lugar, aprender o que a palavra número "um" significa, em seguida, "dois" e assim por diante, até que, por volta dos 4 anos, de repente, eles entenderam o conceito subjacente da linha numérica e a contagem. "Há algo muito especial que acontece como desenvolvimento dos números exatos, e com o entendimento das palavras que representam os números”, diz Dehaene, Primeiro as crianças aprendem o que "um" significa, em seguida, "dois", e assim por diante, até que, subitamente, elas compreendem o conceito subjacente.
Atualmente, a ideia de que o número exato é aprendido é uma vantagem, sugerindo que a discalculia é um problema de aprendizagem. Para complicar as coisas ainda mais, novas pesquisas indicam que isso pode ser apenas uma parte da história.
É uma idéia antiga a de que a ANS contribui para o desempenho em matemática. Como isso é essencial para a as competências de sobrevivência, tal como a procura de alimento, presumiu-se que todos teriam habilidades comparáveis com número aproximado. Esse mito explodiu em 2008, quando Justin Halberda, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, testou a ANS, em 64 pessoas com 14 anos de idade e foi "desintegrado" pela variabilidade que ele encontrou (Nature,número 455, página 665).
Aos adolescentes testados, todos dentro da escala normal para os talentos matemáticos, foram apresentadas a séries de conjuntos de pontos compostos de duas cores, em uma tela de computador. Em cada caso, eles tinham que dizer qual cor era mais numerosa. Como esperado, os seus julgamentos tornaram-se menos precisos, à medida que a proporção entre os dois conjuntos diminuiu para 1:1. A surpresa foi que a precisão caiu mais rapidamente em alguns, com os piores participantes tendo dificuldade com relações tão grandes como 3:4.
Houve ainda uma surpresa favorável quando a equipe comparou os resultados de ANS dos adolescentes com sua pontuação nos testes de Matemática, a partir da idade de 5 anos para cima. "Eu literalmente saltei da cadeira quando eu vi a correlação desde o jardim de infância", diz Halberda. A relação se manteve mesmo depois de QI, memória e outros fatores foram controlados, mas somente para matemática, não para outros assuntos. Um estudo posterior maior, incluindo algumas crianças com discalculia, confirmou a suspeita de que aqueles com desordem numérica tinham pontuação ANS acentuadamente menor do que crianças com a capacidade média. Isso implica uma falha da ANS na discalculia.
Caso encerrado? Não é bem assim. As pesquisas mostram que provavelmente há sub-tipos de discalculia. Mas isto é outra conversa. O que interessa aqui é a importância de se reconhecer o problema e fazer o diagnóstico. O simples fato de saber o que acontece pode ser decisivo para quem carrega o problema.
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| Comentários... |
| Data:07/02/2009 |
| Nome:Ribeiro |
| Belo esforço de divulgação. Parabéns. |
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| Data:06/02/2009 |
| Nome:o cético |
| Juntando os artigos de ontem e hoje: há muito ianomâmi por aí!! |
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| Data:06/02/2009 |
| Nome:Joca |
| Não vi nada disso em minha formação de professora do ensino básico. Muito interessante. Vocês poderiam acrescentar algumas referências. |
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| Data:06/02/2009 |
| Nome:anna |
| Não é o meu caso, mas tenho muita dificuldade com matemática. Existiria algum caso intermediário? |
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