É por isso que o termo “sem-vergonha” quer dizer um “cara-de-pau”, aquele que não tem pele para ruborizar? E “toma vergonha na cara” que dizer que a pessoa deve se enxergar como um transgressor, alguém que comete “erros” e se emendar? Um tanto preconceituoso, não? Não seria uma hipervalorização do rubor como consequência do julgamento que fazem de nós? (Heloisa)
Como se rasgar as calças, dizer uma mentira deslavada ou dizer a palavra "epíteto" de forma incorreta não fossem humilhações suficientes, a natureza dotou os seres humanos, especialmente os de pele branca, com uma letra vermelha na cara*. As heroínas de Jane Austen podem ficar cor-de-rosa docemente com uma sutil violação de boas maneiras; milhões mais brilham como uma lâmpada de lava, no que dá a sensação de despir-se em público : o rosto, de repente, nu em pelo.
As pessoas que se tornam muito ansiosas em situações sociais frequentemente afirmam que o rubor é a fonte dos seus problemas, mas não um sintoma. O médico pode realizar cirurgia - cortando uma parte da cadeia do nervo simpático, que vai para baixo na parte detrás - para tirar a vermelhidão.
Contudo, mesmo esta operação normalmente não causa um curto-circuito no sistema por completo, porque um rubor é muito mais do que uma marca de embaraço. É um sinal fundamental nas interações sociais – é um sinal que funciona mais frequentemente para amenizar traições e erros graves do que aumentá-los.
Em uma série de estudos recentes, psicólogos constataram que a vermelhidão das bochechas suaviza o julgamento dos outros por mau comportamento ou por “destrambelhamento”, e contribui para o reforço dos laços sociais mais tensos. Há ainda mais, as novas conclusões deveriam entender algumas das alfinetadas pessoais, fora do fogo facial, quando isto inevitavelmente fere.
"Somos esta espécie hipersocial que resolve conflitos e mal-entendidos, cara a cara, e temos uma forma rápida de reparação diária de traições e transgressões ", disse Dacher Keltner, um psicólogo da Universidade da Califórnia, Berkeley, e autor de "Nascido para ser bom: A Ciência do Significado da Vida "(Norton, 2009). "Um rubor on-line em dois ou três segundos, e diz, Eu me importo, eu sei que violei o contrato social\".
Durante décadas, a investigação sobre o rubor foi um tipo de constrangimento. Em 1872, em "As expressões das emoções no homem e nos animais", Charles Darwin descreveu rubor como "a mais peculiar e mais humana de todas as expressões."Outros primatas podem enrubescer durante o sexo, mas, para Darwin, o rubor reflete principalmente a capacidade humana para imaginar a percepção dos outros. A expressão é tão variável que mais tarde pesquisadores pensaram que poderiam refletir diferenças culturais ou pessoais.
Mas o mais fundamental da dimensão do rubor pode ser o seu efeito sobre as outras pessoas. Em um estudo para a atual edição da revista Emotion, pesquisadores holandeses tinham 66 participantes lendo artigos sobre pessoas que foram apanhadas em alguma transgressão, como trair um cônjuge, e depois cada um analisou a foto do autor da infração. Os participantes viram a pessoa usando uma das quatro expressões: neutra; colorida por um rubor; vergonha (cabeça para baixo, evitando encarar); ou vergonha colorida por um rubor. Em escalas de 0 a 100, eles classificaram como simpático e de confiança, a imagem que as pessoas passavam.
Um rubor - um ligeiro, mas não tão óbvio, colorindo as bochechas - melhorou significativamente seu julgamento a respeito do infrator, se a expressão subjacente era neutra ou de desalento.
O mesmo padrão surgiu em julgamentos sobre percalços, como derramar café no colo de um estranho. "Você certamente será avaliado após um acidente ou uma transgressão, mas a principal descoberta é que um rubor suaviza o julgamento dos outros",disse a principal autora, Corine Dijk, uma psicóloga da Universidade de Amsterdam, em uma entrevista telefônica. Seus co-autores foram J. Peter de Jong, da Universidade de Groningen e Madelon L. Peters da Universidade de Maastricht.
Nos grupos que provocam os seus membros, para humilhá-los ou não, o rubor aparece para suborno e punição. Em 2001 um documento que contrasta provocação e assédio moral, um ato de isolamento agressivo, o Dr. Keltner e colegas de Berkeley discutiram um experimento no qual os membros de uma fraternidade da Universidade de Wisconsin entraram em seu laboratório, quatro de cada vez, para um provocar o outro, utilizando apelidos. Cada grupo incluiu dois membros antigos e dois recentes.
Os homens jovens provocavam com naturalidade, chamando uns aos outros de "impotentes", "vaca prenha" e "bêbado", entre muitos outros nomes que não podem ser impressos. Os pesquisadores cuidadosamente registraram as interações e mediram como os indivíduos se comportaram até o final. Os novos membros eram todos quase que estranhos aos mais antigos, quando o estudo começou.
“Foi um efeito sutil, mas constatamos que a frequência de corar predisse quão bem esses rapazes se entenderam até o final”, disse o Dr. Keltner. A ruborização parecia acelerar a formação de uma possível amizade, em vez de atrasar
As pessoas provocam-se, em parte, para evitar confrontos, acrescentou ele, e também é um tanto difícil fingir um rubor, é sinal de que o “corado” se preocupa com a relação. Casais felizes provocam-se mutuamente e continuamente, assim como bons amigos."A ruborização é o sustentáculo em que estas interações se apoiam", disse o Dr. Keltner. "E quando ela acontece, geralmente a hostilidade regride”.
Nos primeiros encontros, ou na verdadeiramente hostil alteração, a pessoa que detém o terreno, apesar de um rubor, exibe uma espécie de coragem emocional sem falar uma palavra ou fazer uma jogada.
Nada diz que um rubor é sempre útil. Em um estudo recente, "“In Praise of Blushing", W. Ray Crozier, professor de psicologia da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, conclui que "ele pode servir como uma útil função social; alternativamente, pode criar uma situação social e ser uma fonte de vergonha ou embaraço para o ruborizado. "Quem já teve de enfrentar um valentão e corou mal sabe que esta expressão pode funcionar como a capa de um toureiro.
Ainda assim, as pessoas que lutam com ansiedade social tendem a ver somente o lado negativo de seu rubor, disse Jerilyn Ross, diretora do Ross Center for Anxiety and Related Disorders em Washington, e autora de "Uma coisa a menos para se preocupar" (Ballantine, 2009 ).
"Se eu fosse explicar a eles que um rubor pode ser encantador, eles poderiam se enfurecer e dizer que eu não compreendi", disse o Dr. Ross. "Eu correria o risco de perder a minha amizade com eles”.
Na terapia, ela tenta para que tais pessoas concentrem sua atenção sobre a conversa, sobre a interação com eles, e não ao calor em seu rosto - para dizer, "eu coro quando estou ansioso, o que isso significa?”
Se pesquisas recentes servem de guias, isso significa que eles se preocupam com o que está acontecendo ao redor deles. E isso pode ser muito melhor, os psicólogos concordam, do que não se preocupar.
Notas do tradutor: * Os puritanos antigamente, exigiam que os adúlteros usassem uma letra A escrita em vermelho no rosto para mostrar que eram transgressores, que fizeram algo errado. Um símbolo que indicava que a pessoa havia cometido um crime. |
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| Comentários... |
| Data:10/06/2009 |
| Nome:o cético |
| Bem lembrado... |
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| Data:08/06/2009 |
| Nome:carlos b. |
| Não sei porque, me lembrei do José Genoíno... |
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