BioFilosofia
 
 
Na Imprensa
Especulação!
Fonte: The Atlantic
Autor: Virginia Postrel
Link: http://www.theatlantic.com/doc/200812/financial-bubbles
Tradução: Rabujo
Data: 09/02/2009
 
Vamos apresentar,  em duas partes, excertos de um texto que apareceu na The Atlantic sobre o notável fenômeno da especulação, especialmente em mercados financeiros. A partir de simulações com pessoas reais em busca de prêmios em dinheiro também reais, feitas  em laboratório, podemos vislumbrar algo de nossa natureza e de nossa relação com os mercados. Com um pouco de sorte, ficaremos todos ricos, especulando, claro! (Rabujo)

Por mais de duas décadas, economistas têm realizado experimentos financeiros em laboratório.  Reúnem um grupo de voluntários, normalmente alunos de graduação ou pós-graduação e  homens de negócios; os dividem em grupos de aproximadamente doze componentes; valores e ativos financeiros para que negociem entre si e  pagam resultados após cada um dos testes.  Todos os participantes recebem a mesma informação e não podem conversar entre si, interagindo unicamente através do sistema de negociação. Os pesquisadores observam o que acontece, repetindo o mesmo experimento com diferentes grupos.

A grande vantagem de experimentos de laboratório é que é possível controlar o ambiente. O mercado financeiro real traz consigo incertezas (nos últimos tempos, mais do que as pessoas esperavam), mas o ambiente experimental é livre delas. “Os valores fundamentais são definidos sem ambigüidade”, diz o economista Charles Noussair, professor da Tilburg University (Holanda), que vem fazendo muitos destes experimentos. “É o valor esperado do fluxo de dividendos futuros em qualquer momento”. Os participantes não precisam sequer fazer as contas, eles podem ver os valores diretamente em suas telas de computador.

Aqui, finalmente, um ativo financeiro sem risco – sem dúvidas sobre seu valor real, sem riscos escondidos, sem altas e baixas malucas, sem bolhas e sem pânicos. Seria de esperar que os preços a que fosse negociados nestas condições se aproximassem dos preços esperados.

Ao menos é o que os economistas esperariam antes de Vernon Smith, que ganhou um Nobel em 2002 por desenvolver a economia experimental, ter realizado o primeiro teste deste tipo. Mas não é o que acontece. Sempre, em cada experimento realizado, o valor negociado  sobe muito acima do valor fundamental. Então, quando o décimo-quinto round se aproxima, os preços colapsam. O problema não parece ser que os participantes fiquem entediados e não prestem mais atenção ao jogo. A diferença entre um boa performance neste “trading” e uma performance ruim é de aproximadamente US$ 80, o suficiente para motivar estudantes precisando de dinheiro, além disso, Noussair enfatiza “no temos apenas movimentos aleatórios, temos bolhas e colapsos”. Em noventa por centos das vezes.

Estes resultados experimentais deveriam fazer pensar não só aqueles que acreditam em mercados eficientes, mas também o s que acreditam que podemos banir as bolhas especulativas apenas controlando a corrupçãoe impondo regulação severa. Os mercados financeiros, parece, sofrem de uma efervescência irreprimível. As bolhas acontecem, mesmo sob condições controladas.

As bolhas experimentais são particularmente surpreendentes porque, em laboratório, mercados que imitam a produção e bens e serviços comportam-se como prediz a teoria econômica, atingindo o equilíbrio quando a oferta atende a demanda. Como consumidores no mundo real de geladeiras ou cortes de cabelo,   compradores nestes mercados precisam saber apenas quanto eles próprios valorizam os bens que estão adquirindo. Quando o preço é menor do que  o valor que você atribui ao bem, você compra. Se não, você não compra. Os vendedores comportam-se da mesma maneira, apenas com o sinal trocado.

Ativos financeiros, reais ou de laboratório, são mais difíceis de julgar: Posso vender este ativo para alguém que pagará mais do que eu penso que vale? Em um mercado experimental, onde os valores dos ativos são claramente especificados, valor não deveria varia com gosto, necessidade de caixa ou cálculos de risco. Baseados em dividendos futuros, você sabe com certeza que o título vale, por exemplo, $3,12. Mas, e aqui está o truque – você não sabe se eu sou tão esperto quanto você.  Eu posso estar confuso. Mesmo que eu não esteja, eu não sei se você sabe que vale $3,12. Além disso, pode haver um trouxa lá fora disposto a pagar $3,50, de modo que nós, espertos, podemos pagar $3,25 na esperança de fazermos um lucro. Não importa que saibamos que o título vale $3,12. Para que o preço siga o valor fundamental, seria necessário que todos soubessem que todos são racionais. Isto é raro. Ao contrário, se você põe as pessoas no mercado financeiro, a primeira coisa que elas tentam não é descobrir o valor fundamental, mas sim comprar barato e vender caro. Esta especulação cria a bolha.

Mas as pessoas aprendem Normalmente, na terceira vez em que o grupo joga o jogo do mercado, a bolha desaparece. Antes de cada sessão, os pesquisadores perguntam aos traders o que eles acham que acontecerá aos preços. Na primeira vez, os participantes não esperam a bloha, mas, nas vezes seguintes, sim. Em cada sessão sucessiva, entretanto, eles predizem que a bolha terá seu pico mais tarde e que os preços subirão mais do que acaba acontecendo. Esperando que o futuro acontece como o passado, eles operam de acordo, vendendo antes e a preços menores do que na sessão anterior, esperando realizar um lucro antes que a bolha venha a explodir.  Estas operações, claro, alteram o padrão do mercado. Os preços ficam menores e atingem o pico mais cedo. Pela quarta simulação, os preços ficam próximos do valor fundamental, não porque os participantes estejam procurando por isto, mas sim porque tentam evitar serem pegos pela explosão da bolha.

“Os preços convergem para os fundamentos antes das convicções”. Traders aprendem com a experiência, baseando suas expectativas e comportamento não em inferência lógica, mas no que aconteceu no passado. Depois de um número suficiente de rounds, os mercados tendem à estabilidade.

Por  que o mesmo não acontece na realidade?

Veja amanhã!
 
Comentários...
Data:10/02/2009
Nome:pt barnum
A cada minuto nasce um otário. Taí a prova!
Data:10/02/2009
Nome:hillas
Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Se fôssemos menos irracionais teríamos mais.
Data:10/02/2009
Nome:Pedro
O texto a impossibilidade de entender as mulheres tava melhor.....
Data:09/02/2009
Nome:giovanni
Agora estamos chegando aonde interessa, o mercado financeiro.
Data:09/02/2009
Nome:Wakíria
Cheguei do trabalho e passei aqui para ler um daqueles textinhos interessantes. Esse está um porre!
Data:09/02/2009
Nome:Renata
Nossa,que coisa mais chata e ainda tem contnuação?
 
 
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