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Repugnância e Julgamento Moral
Fonte: Brain and Evolution
Autor: Brain and Evolution
Link: http://www.brainandevolution.blogspot.com/
Tradução: Heloisa Cavalcanti de souza
Data: 11/05/2009
 
Eca! Mais evidências de que a repugnância influencia nossos julgamentos morais.
 
A repugnância (ou aversão) é uma emoção que evoluiu para nos proteger de ingerir toxinas que poderiam ser potencialmente prejudiciais à nossa sobrevivência e, em última análise, à nossa capacidade de transmitir os nossos genes. Charles Darwin (1872) descreveu repugnância como "algo revoltante, principalmente em relação ao sentido do paladar como realmente percebido ou vividamente imaginado". Conforme demonstrado pelo pesquisador Paul Ekman, a repugnância é uma emoção humana multicultural. Os seres humanos, em todas as culturas, reconhecem as distinções de expressão facial tais como enrugar o nariz, torcer os lábios e mostrar a língua com expressões de aversão como uma reação a estímulos nojentos.

Embora o sentimento de repugnância tenha evoluído para nos proteger do consumo de toxinas prejudiciais,ele também está intimamente envolvido na nossa tomada de decisões morais. Haidt (2000) propôs um modelo intuitivo de julgamentos morais. Seu modelo sugere que as nossas decisões morais estão baseadas nas emoções automáticas, reações emocionais, em vez de raciocínio consciente. Segundo seu modelo, o raciocínio moral nos fornece um uma racionalização a posteriori de nossos julgamentos morais e não do juízo moral em si.

As emoções automáticas que influenciam as nossas decisões morais são denominadas como emoções morais. Elas incluem emoções como a raiva, repugnância, embaraço, empatia, etc. Rozin e Haidt (2000) ampliaram a definição de repúdio incluindo repúdio moral e delitos. Em apoio à sua nova definição de repugnância, Rozin e seus colegas (1997) constataram que os vegetarianos morais têm maior repugnância pela carne do que os que são vegetarianos por motivos de saúde. Recentes pesquisas têm sugerido também que a sensibilidade à repugnância está relacionada ao etnocentrismo (Navarrete & Fessler, 2006), bem como as diversas questões politicamente conservadoras, incluindo o aborto, a imigração, casamento homossexual e a investigação de células-tronco, bem como preconceito contra os homossexuais (Terrizzi & Ventis , 2006; Inbar, Pizarro, Knobe & Bloom, 2008). A sensibilidade à repugnância também foi correlacionada a outras variáveis, tais como o autoritarismo, o fundamentalismo religioso (Terrizzi & Ventis, 2006) e obsessões religiosas (Olatunji, Tolin, Huppert & Lohr, 2005).

Mais recentemente Schnall e seus colegas (2008) realizaram uma série de quatro experimentos em que manipularam a repugnância utilizando "spray fart" (spray de pum - gás sulfídrico), tornando o laboratório sujo (manchar mesas, mastigar canetas, pizza caixas, etc), lembrando experiências de nojo e mostrando vídeos nojentos. Os resultados do seu primeiro estudo indicaram que os participantes que foram expostos ao "fart spray" tiveram reações morais mais graves para questões como o  casamento e relações sexuais entre primos. Nos demais estudos, os pesquisadores descobriram que a repugnância apenas influenciou o julgamento moral daqueles que apresentaram altos níveis de consciência corporal pessoal.

Nossos julgamentos morais podem não ser tão racionais como nós gostamos de pensar que são. A pesquisa está começando a revelar que nossos comportamentos e tomada de decisão são determinados frequentemente pelos processos automáticos, emotivos, que evoluíram para facilitar nossa tomada de decisão e adaptação a nossos mundos sociais. A evidência, aqui, sugere que a aversão seja uma daquelas emoções que podem influenciar nossa tomada de decisão moral. A aversão, que é uma emoção que evolui para nos proteger de consumir substâncias potencialmente prejudiciais, pode ser  cooptada por nossos processos de tomada de decisão moral.
 
PS: Vejam também http://www.usthemblog.com/2008/11/index.html




 
Comentários...
Data:12/05/2009
Nome:castro
Nojo moral também vale?
Data:12/05/2009
Nome:paulinho
Pelo visto as coisas se misturam. Isto me dá algumas idéias estranhas, como alterar o ambiente de certas reuniões para aumentar a probabilidades de certos resultados. Será?
 
 
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