Devido ao grande interesse despertado por este artigo e a sua íntima vinculação com a razão de ser da Traça - a leitura, não publicaremos material novo hoje. Até segunda! (Rabujo)
Escaneamento do cérebro sugere que leitores constroem vívidas simulações mentais de situações narrativas. Um novo estudo feito através de imagens cerebrais está esclarecendo o que significa "mergulhar" em um bom livro - sugerindo que os leitores criam vívidas simulações mentais dos sons, paisagens, sabores e movimentos descritos em uma narrativa textual, simultaneamente ativando regiões cerebrais utilizadas para processar experiências semelhantes na vida real. "Psicólogos e neurocientistas estão cada vez mais perto da conclusão de que, quando lemos uma história e realmente a compreendemos, criamos uma simulação mental dos eventos descritos por ela", diz Jeffrey M. Zacks, co–autor do estudo e diretor da Dynamic Cognition Laboratory at Washington University, em St. Louis.
Um estudo que será publicado brevemente na revista Psychological Science é um de uma série em que Zacks e alguns colegas utilizam a ressonância magnética funcional (fMRI) para monitorar, em tempo real, a atividade cerebral dos participante como ler e estudar, e processos individuais de palavras (textos) e histórias curtas. Nicole Speer, a autora principal deste estudo diz que os resultados mostram que a leitura não é um exercício passivo. Pelo contrário, os leitores simulam mentalmente cada situação nova encontrada em uma narrativa. Os detalhes sobre ações e sensações são captados a partir do texto e integrados com o conhecimento pessoal a partir de experiências passadas. Esses dados são, então, executados através de simulações mentais, utilizando regiões cerebrais que refletem aquelas envolvidas quando as pessoas desempenham, imaginam, ou observam atividades semelhantes do mundo real.
"Esses resultados sugerem que os leitores utilizam representações perceptivas e motoras no processo de compreensão da atividade narrada, e essas representações estão atualizadas em pontos onde os aspectos relevantes da situação estão mudando", diz Speer, hoje associada ao The Western Interstate Commission for Higher Education (WICHE) Mental Health Program em Boulder, Colo. “Os leitores compreendem uma história através da simulação dos acontecimentos no universo da história e atualizam as suas simulações, quando características daquele mundo mudam".
Além de Zacks, professor associado de psicologia em Artes e Ciências, e de radiologia da Faculdade de Medicina de WUSTL, outros co-autores deste estudo são Jeremy R. Reynolds, professor assistente de psicologia na Universidade de Denver, em Denver, Colo; Khena e M. Swallow, um associado pós-doutorado em psicologia da Universidade de Minnesota. Reynolds, Swallow e Speer todos doutorados em psicologia na WUSTL nos últimos anos.
A leitura, uma das mais importantes habilidades que os seres humanos podem adquirir, tem sido difícil de estudar usando RMf, porque os pesquisadores raramente têm acesso ao equipamento caro por longos períodos de tempo. Ler textos longos também propõe desafios, porque os participantes devem manter-se imóveis para que os exames sejam eficazes. Em um esforço para minimizar os movimentos oculares, os participantes são imobilizados dentro do dispositivo de escaneamento cerebral e lhes é mostrado um texto com uma palavra de cada vez na tela de um computador próximo.
Uma investigação anterior mostrou que, quando as pessoas lêem palavras isoladas ou frases envolvendo vívido conteúdo visual ou motor, a atividade cerebral nas regiões motora e sensorial, especificamente relacionadas aos conteúdos, aumentou. Mas esse resultado não poderia ser típico de leitura normal - nos estudos anteriores, não houve história para tentar entender, e algumas vezes os participantes tiveram que fazer um juízo explícito sobre cada palavra ou frase. Neste estudo, Speer e os colegas utilizaram fMRI para procurar provas de simulação mental durante a leitura de histórias prolongadas. Cada participante leu quatro histórias, de menos de 1500 palavras, fragmentadas de um livro sobre as atividades diárias de um jovem rapaz em 1940. Aos participantes foram mostradas passagens do texto sobre uma tela de computador que mostrava uma palavra de cada vez; a leitura das quatro histórias levou aproximadamente 40 minutos.
Os pesquisadores tinham as histórias cuidadosamente codificadas para que eles soubessem quando as características importantes da história fossem mudando. Estas características foram escolhidas com base em estudos anteriores da leitura de narrativas, e eram conhecidas por serem importantes para a compreensão. As hipóteses testadas eram de que algumas regiões cerebrais aumentariam em várias mudanças de características, mas que outras regiões cerebrais seriam seletivamente ativadas por apenas uma mudança de característica. Estas hipóteses foram confirmadas.
Por exemplo, mudanças em objetos com os quais os personagens interagiam (por exemplo, "puxou o fio da luz"), foram associadas com aumentos em uma região do lobo frontal que já se sabe ser importante para o controle do movimento de segurar. Alterações em localização de personagens (por exemplo, "entrou pela porta da frente para a cozinha") foram associadas com aumentos em regiões nos lobos temporais que são seletivamente ativados quando as pessoas vêem fotos de cenas que envolvam utilização do espaço físico.
Globalmente, os dados apoiaram a visão de que os leitores constroem simulações mentais de eventos quando lêem histórias.
O artigo de Speer e outros amplia os resultados reportados anteriormente por este grupo na Psychological Science. No estudo anterior, os pesquisadores pediram aos leitores para dividir as histórias em acontecimentos significativos após a leitura deles no scanner MRI. Os pesquisadores então questionaram que partes do cérebro aumentaram em atividade nos limites dos acontecimentos selecionados. Os resultados das simulações mentais se alinharam de forma notável com aquelas marcações. Isto sugere que os leitores constroem uma simulação mental, uma vez que lêem e, em seguida, dividem essa simulação em eventos significativos quando as características importantes se modificam.
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| Comentários... |
| Data:16/02/2009 |
| Nome:Mário Márcio |
| Pois é, esse mergulho, na verdade, pode, ou não ser um mergulho em uma realidade que queríamos. Algo que desejamos muito. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:marco dot |
| Talvez isso ajude a explicar porque a leitura se torna mais agradável à medida em que cresce o nível cultural. Há mais referências para criarmos nossas simulações. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:o cético |
| Se simulamos a realidade a partir da leitura, talvez possamos simular também a partir de outros estímulos, ou mesmo, no limite, a partir de nenhum estímulo. Teremos aí um vínculo com alucinações, ou com a loucura? |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Dolores |
| Depois desta constatação de sugestão através da leitura, e sabedora de que a mente comanda tudo, só vou ler coisas bem positivas, estou precisando. Muito bom ! |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Manoel |
| Vou dar mais livros que estiulem bons sentimentos, noções de ética e bons costumes a meus filhos. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Maria |
| Isso acontece em filmes também. Podem reparar. Cenas de frio, sentmos frio, medo, etc. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Célia |
| É mesmo, a leitura e uma viagem. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Helena |
| Sou professora de Literatura no ensino médio e aí, nesse texto, está a comprovação do porquê os alunos, de hoje, não querem nada com a leitura, pelo menos dos clássicos, obrigatórios nessa fase da vida acadêmica. A realidade e a temática nada têm a ver com a vida de nossos jovens. Els só querem saber, além das coisas prontas (como a internet), de violência, de temáticas que retratam a realidade da vida deles, pois, ao lerem, não se enxergam naquelas situações. E quando leem, porque são obrigados, não entendem nada...Triste isso. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Walkíria |
| A Renata tem razão. Quando estou concentrada na leitura sinto como se eu estivesse naquele ambiente, com aquelas pessoas. Esa é a graçade ler. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Wal |
| Para Castro. Maluco por quê? Por "mergulhar na leitura"? Mas acho que isso é sentir de verdade a leitura, se não for assim não tem graça. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Greg |
| Comprova o que imaginávamos verdadeiro. Interessante seria pesquisar os efeitos disso, isto é, se este exercício mental estimula mesmo nossa mente e se isto é benéfico. |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:castro |
| E eu que pensava que era maluco rsrsrsrsrs |
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| Data:13/02/2009 |
| Nome:Renata |
| Pura verdade. Quando eu estou lendo uma narrativa onde há a descriçãod e uma cena chuvosa, pode estar o maior sol q2ue eu sino a chuva. Muito bom! |
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