|
|
|
|
| Blogs Científicos |
|
|
Empatia Dirigida
|
|
| Fonte: Neurotopia |
| Autor: Scicurious |
| Link: http://scienceblogs.com/neurotopia/2009/04/do_you_feel_what_i_feel_only_i.php |
| Tradução: Joana Alencastro |
| Data: 12/08/2009 |
|
| |
Em minha devoção à Ciência - e, particularmente à neurociência - reparei que uma das coisas que mais particularmente interessa a ela é a noção de empatia. Empatia e altruísmo. O altruísmo obviamente apresenta vantagens sociais notáveis, que são de grande utilidade para espécimes sociais - como os humanos - e a empatia, a habilidade de sentir o que uma outra pessoa está sentindo, é uma parte muito importante desse todo.
Mas como sabemos pelo que uma outra pessoa está passando? Você vê. Esse efeito ficou conhecido especialmente em pessoas que tem algo que se chama sinestesia – um fenômeno onde um tipo de sensação é percebida como um outro tipo de sensação. Por exemplo: alguns sinestésicos podem “provar” ou “ver” o som. Nesse caso, foi descoberto que alguns sinestésicos podem “sentir” um toque recebido por outra pessoa, enquanto visualizam essa cena. Isso significa que se eles vêem VOCÊ sendo tocado na mão, eles sentirão sua própria mão ser tocada da mesma maneira.
Ocorreu à Ciência que, enquanto essa é uma característica extremamente interessante de se ter de vez em quando (como no sexo!), faria com que assistir a algo como um trash movie sanguinário se torne uma experiência terrível. Isso também faz com que ela pense se alguns sinestésicos sentem a música atonal como medicina de mau gosto ou algo assim.
De qualquer maneira, nesse estudo os cientistas usaram a experiência do toque para determinar se essa experiência sinestésica de ver outra pessoa ser tocada pode fazer com que uma pessoa normal “sinta” algo. Esse pode ser um fator bem importante para explicar porque que temos empatia com as coisas que as outras pessoas sentem. E não apenas isso: os autores queriam descobrir se a sua identificação com uma outra pessoa tinha algum efeito nos sentimentos que você sentiu quando essa pessoa estava sendo tocada. Idéias de como com o que parecemos ou com quem nos identificamos podem mudar a maneira com que nos “mapeamos” em nosso cérebro e, possivelmente, mudar a maneira que sentimos o que os outros estão sentindo.
Ter mais ou menos sentimentos intensos por alguém que parece ou age mais ou menos como você pode ajudar a explicar a maneira com que estabelecemos as coisas em conceitos como “no grupo” ou “fora do grupo” - que são fatores essenciais na formação do tipo de sociedade que temos agora.
Para fazer uma análise de similaridade física versus similaridade ideológica, os pesquisadores realizaram dois testes diferentes. O primeiro teste tinha participantes com dois diferentes tipos de experiência – caucasianos e Maghrebians. Maghrebian é um grupo de pessoas do nordeste da África, que se tornou uma ampla parte da subpopulação no estudo - quando este foi realizado na Espanha. Pessoas de ambas as experiências viram rostos de ambas as experiências.
No primeiro estudo os rostos das pessoas de ambas as experiências (aliás, todos os rostos foram controlados por sua atraência e todos sabiam que esse era um fator – de forma que todos os rostos foram considerados similarmente atraentes) foram colocados em uma tela. Então uma mão (uma mão de fora) aparecia, tanto de um lado como em ambos os lados ao mesmo tempo, e tocava a fotografia do rosto. Ao mesmo tempo, um estímulo iria tocar o rosto do participante de um lado ou de outro, mas em um nível tão baixo que não poderia ser detectado em tais condições. A questão era saber se o participante sentia MAIS ou não esse toque, devido ao fato de estar vendo outra pessoa ser tocada e, se esse efeito foi acentuado pela presença da similaridade física.
Acontece que você irá sentir um estímulo subliminar em seu rosto se você está vendo o rosto de uma outra pessoa ser tocado. Você sente ainda mais se você recebe o estímulo no mesmo lado E você sente ainda mais se você é fisicamente similar a fotografia da pessoa que está sendo tocada. As pessoas se “identificaram” mais com as pessoas com os quais tinham similaridade, com os caucasianos sentindo mais quando os rostos de caucasianos eram tocados – o mesmo ocorreu com os magrebinos. Ambos os grupos julgaram os rostos dos magrebinos e dos caucasianos igualmente atraentes independentemente de similaridade física.
Então sabemos agora que as pessoas vão se identificar mais com um toque dado em uma pessoa que se pareça mais com elas. Essa descoberta não é tão surpreendente. Mas a identificação funciona mais do que a profundidade da pele? Você pode se identificar com alguém em um nível físico meramente porque você sente uma identificação ideológica com essa pessoa? Para testar essa hipótese, os pesquisadores pegaram participantes intensamente liberais e com tendências conservadoras, e então realizaram o teste – dessa vez utilizando fotos de figuras políticas liberais e conservadoras.
Nesse caso, eles utilizaram líderes políticos que foram objetivamente e prioritariamente julgados igualmente atraentes na aparência, apesar de que ambos eram caucasianos e não havia teste de similaridade física nessa experiência. Eles descobriram que as pessoas com uma inclinação política forte apresentavam uma sensibilidade extra quando líderes políticos de seus próprios partidos estavam sendo tocados, comparados ao toque nos membros do partido opositor. Não só isso, eles também julgavam seus próprios líderes políticos mais atraentes do que o líder do partido opositor.
Enquanto os julgamentos sobre a atração da aparência são temas pra um outro estudo, os resultados aqui apresentados demonstram que é possível a identificação com outrem por ambas as similaridades - a física e a ideológica - e que o fato de se identificar com alguém poderá realmente mudar a maneira como se sente algo – como um toque, por exemplo. Essa pode ser uma importante descoberta para cientistas que buscam entender como nos identificamos com outras pessoas e criamos os grupos em que convivemos e aqueles nos quais não queremos conviver, e de que maneiras esses grupos fornecem vantagens e desvantagens pessoais. Nesse meio tempo, se você quer se salvar de alguns pesadelos terríveis, você pode ter mais sorte assistindo pessoas minimamente parecidas com você em um trash movie sanguinário. Isso me faz pensar que meu próximo trash movie sanguinário terá que ser algo como “Horror na Vila de Quem?”.
Ref: Andrea Serino, Giulia Giovagnoli, Elisabetta Làdavas "I Feel what You Feel if You Are Similar to Me" (Eu sinto o que você sente se você for parecido comigo) PLoS ONE, 2009.
|
|
|
|
| |
| |
| Mês Agosto |
|
|
| |
| Posts anteriores: |
|
2009 |
|
|
| Fevereiro |
3
|
4
|
5
|
6
|
9
|
10
|
11
|
12
|
16
|
17
|
18
|
19
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| Agosto |
3
|
4
|
5
|
6
|
12
|
13
|
14
|
19
|
|
| |