18 de dezembro de 2008 Edição impressa do The Economist. Porque nós somos, como nós somos.
Com a aproximação dos 150 anos da publicação de "A Origem das Espécies", chegou o momento de perguntar como os insights de Darwin podem ser utilizados de forma produtiva por quem toma decisões. RIQUEZA, de acordo com HL Mencken, um satirista americano do século passado, "é qualquer renda que seja pelo menos US$100 a mais, ao ano, do que o rendimento do marido da irmã da esposa."Ajustado pela inflação desde 1949, essa não é uma definição ruim. Mas porque é que aqueles que já estão bem, financeiramente, sentem necessidade de ganhar mais do que outras pessoas? E por que razão, por outro lado, é tão difícil acabar com a pobreza?
A América, terra natal de Mencken , executa cerca de 40 pessoas, por ano, por homicídio. Mas, mesmo assim, ainda há uma alta taxa de mortes por assassinato. Porque é que as pessoas matam umas às outras quando elas são quase sempre apanhadas e podem, na América pelo menos, serem mortas, como um resultado disso? Por que, após 80 anos de mulheres votando e 40 anos da revolução feminista, os homens ainda ganham maiores salários? E por que tantas pessoas odeiam outros apenas por terem a cor da pele diferente? Tradicionalmente, as respostas a essas questões, e muitas outras sobre a vida moderna, têm sido procuradas em filosofia, sociologia e, até mesmo, na religião. Mas as respostas que obtemos são geralmente insatisfatórias. Elas descrevem, em vez de explicar. Elas não chegam aos detalhes pequenos e importantes do que realmente é ser humano. A formulação de políticas nelas baseadas não funciona. Isto é porque elas ignoram as forças que fazem das pessoas o que elas são: as forças da evolução.
As razões para essa ignorância são complexas. Filósofos têm pregado que existe uma irreconciliável diferença entre o homem e a besta. Sociólogos foram seduzidos pelas idéias marxistas sobre a perfeição da espécie humana. Os teólogos têm medo de que a simples idéia da evolução ameace as explicações divinas. Mesmo os membros do Iluminismo, completamente seguros, pessoas que, nem por um momento, negariam a símia ancestralidade da humanidade , eram, muitas vezes, céticos. Eles pareciam acreditar na elegante colocação de Anne Campbell, uma psicóloga na Universidade Durham, na Inglaterra. Ela diz que a evolução pára no pescoço: a anatomia humana evoluiu, mas o comportamento humano é determinado culturalmente.
O corolário disso é a ideia de que, com uma educação adequada, doutrinação, condicionamento social ou o que você quiser, as pessoas podem ser educadas para se comportar de quase qualquer forma imaginável. A evidência, no entanto, é que elas não podem. O espaço para a moldagem de seu comportamento é muito limitado. A menos que isto seja aceito e o fundamento biológico do comportamento adequadamente compreendido, as tentativas de manipulá-lo, provavelmente, vão falhar. Infelizmente, mesmo com com a proximação dos 150 anos da obra magistral de Darwin, "A Origem das Espécies" (publicado em 1859), o fato não tem sido devidamente aceito. Então é a hora de ver o que uma análise darwinista tem a oferecer a quem toma as decisões e concluir que isso pode fazer uma diferença nos resultados práticos.
A observação de Mencken explica claramente dois aspectos da vida moderna. Um deles é o crescimento econômico ilimitado. O outro é que não importa quão rico torna-se o seu país, os pobres estarão sempre com você. Mas o que a observação de Mencken explica? Para um darwinista, a vida é sobre duas coisas: sobrevivência e reprodução. Das duas, a segunda é a mais significativa. Colocando isso de forma cruel, o único sentido da sobrevivência é a reprodução. Como conseqüência, grande parte da existência diária é acerca do exibicionismo, dureza, ou astúcia, de forma a atrair os membros do sexo oposto ou intimidar aqueles do mesmo sexo. Nas pessoas a coisa é diferente – digamos, o pavão se exibe, somente os machos têm a ofuscante cauda, ou os cervos, onde apenas o veado tem as galhadas - ambos os sexos se envolvem nisso. Os homens fazem isso mais do que as mulheres, mas as mulheres o fazem também. O status e a hierarquia têm grande importância. E, na sociedade moderna, a situação é medida pelo dinheiro.
As moças querem sempre um homem rico, é claro. Darwinianos costumavam pensar que isso fosse devido à capacidade de eles proverem materialmente os seus filhos. Não há dúvida de que isso também faz parte. Mas o pensamento entre biólogos evolucionistas, atualmente, é que há, principalmente, uma competição pelos genes, e não somente pelos bens materiais. Indivíduos com alto status têm maior propensão a ter genes que promovam a saúde e a inteligência, e membros do sexo oposto foram afiados, pela evolução, para responder em conformidade. Um homem com alto status vai ter mais oportunidades de acasalamento. Uma mulher com alto status pode ser mais exigente quanto a quem ela quer como marido, amigo ou companheiro. A vida é acerca de sobrevivência e reprodução
O status, no entanto, é sempre relativo: ele está ligado ao dinheiro, pois impulsiona o desejo de fazer mais das coisas, a fim de superar a concorrência. Esse é o último motor do crescimento econômico. Desde que o status é um alvo móvel, não há tal coisa como dinheiro suficiente.
A natureza relativa explica o paradoxo da situação observada em 1974, por um economista chamado Richard Easterlin que, enquanto as pessoas ricas são mais felizes do que as pessoas pobres dentro de um país, a média de felicidade não aumenta à medida que o país recebe mais ricos. Isso foi contestado recentemente. Mas, se ela resiste a um exame detalhado, isso significa um argumento pró livre mercado – por causa do crescimento econômico, a vida de todos melhora e não importa se alguns ficam melhor do que os outros - pelo menos se o "melhor" é medido em termos de felicidade. O que realmente importa, sugere o darwinismo, é que uma sociedade livre permita às pessoas subirem através da hierarquia pelos seus próprios esforços: é o sonho americano, se você quiser assim.
Inversamente, a explicação darwinista de apoio continuado ao socialismo - evidenciando que isso resulta em baixo crescimento econômico - é que, apesar de tornar os ricos mais pobres, não faria os pobres se tornarem mais ricos em termos financeiros. Isso seria alterar a hierarquia da maneira que as pessoas que estão no fundo gostariam. Quando os pesquisadores perguntam às pessoas se elas preferem ser relativamente mais ricas do que os seus amigos, mesmo se isso significar que eles estão absolutamente em pior situação, a resposta é sim. (Preferiria ganhar $ 100.000, quando todos os seus amigos ganham $ 50.000, ou $ 150.000, quando todo mundo ganha $ 300.000?) A razão do socialismo não funcionar na prática, é porque esta não é uma questão que a maioria das pessoas se pergunta. O que eles perguntam é como ganhar $ 300.000, quando todas as pessoas a sua volta estão ganhando $ 50,000.
Uma análise darwinista, porém, apoia um argumento freqüentemente feito pela esquerda e desprezado pela direita. O de que a pobreza é relativa. A demonstração absoluta dessa descoberta feita por Richard Wilkinson, da Nottingham University, na Inglaterra, é que, uma vez que o crescimento econômico levanta um país,deixando-o fora da penúria, os seus habitantes estão propensos a viver mais tempo e vidas mais saudáveis, se não houver grandes diferenças entre os seus rendimentos. Isto significa que os países mais pobres, com pouca variação de renda podem superar os mais ricos com alta variação. Também é verdade, como foi primeiramente demonstrado por Michael Marmot, da University College, em Londres, que aqueles que estão no fundo das hierarquias sociais têm pior saúde do que aqueles no topo - mesmo quando todas as outras variáveis são estatisticamente eliminadas, incluindo o fato de que aqueles que são mais saudáveis estão mais propensos a subirem ao topo em primeiro lugar.
Na década de 1970, quando o Dr. Marmot fez essa observação, os peritos se opuseram. Esperava-se que os executivos sofressem terríveis estresses, e isso deveria aparecer sob a forma de ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e assim por diante. De fato, o contrário é que é real. É o fracasso darwiniano de estar na parte inferior da pilha que é realmente estressante e ruim para a saúde. Isso, em sentido amplo, provavelmente explica os padrões de mortalidade de países inteiros.
Nesse caso, portanto, a conclusão darwinista é a de que não existe uma resposta certa - ou pelo menos não uma utópica. Claro que não é necessário um darwinista para concluir que toda a concorrência tem perdedores. O ponto esclarecedor é que existe um custo real para o perdedor, não apenas a ausência de ganho. Com esse alto risco - morte precoce para os fracassados e continuidade genética para os bem sucedidos - não é de surpreender que aqueles no fundo da pilha por vezes procurem status, ou pelo menos, "respeito", por outros meios. Esse é um ponto que deve ser levado a sério por quem toma as decisões. Porque aqueles "outros meios" são também são explicáveis pelo darwinismo.
Estes "outros meios" são os crimes e serão tratados em um próximo bloco. Veja o texto integral em: http://www.economist.com/science/displayStory.cfm?story_id=12795581
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| Comentários... |
| Data:14/01/2009 |
| Nome:Walkiria |
| Respondendo ao comentário da Keila,vai me dizer que vc ia querer um cara pobre e doente para pai de seus filhos?E se vc já tem condição financeira boa,aí mesmo é que não vai querer.Pq acha que as mulheres estão cada vez mais exigentes?Não seria a independência financeira?E,cá pra nós,já que vamos casar,que seja com alguém que possa nos proporcionar coisas melhores dos que as que já temos...quem não gosta de dinheiro??Não sejamos hipócritas... |
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| Data:14/01/2009 |
| Nome:Keyla |
| Mas o estereótipo da mulher continua o mesmo. Ou vocês querem dizer uqe não é estereótipom que mulher é só interesseira mesmo? Ave! |
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| Data:14/01/2009 |
| Nome:carlos garrido |
| Realmente é difícil encontrar este tipo de material traduzido. Parabéns! |
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:Cicero |
| Olhar as coisas deste ponto de vista é perturbador. Obriga a repensar tudo que aprendemos sobre ser humano. |
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:Solange Alves |
| Respondendo ao Sr.Zeca.Imagina a gente viver a vida toda sob a percepção de uma criança de oito anos,por exemplo.Sempre culando tudo por tudo?Isso sim é reducionismo.Freud limita.Economiza,né?A única constância da vida é a mudança e mudança envolve evolução.Pensa um pouquinho. |
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:Ricardo |
| Muito bom,tem mais?? |
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:Saulo Cavalcanti de Souza |
| Acho ainda um pouco conservadora a ideia. Acredito na teoria Darwinista da evolução, porém não atribuo a configuarções genéticos o comportamento humano. Isso é determinismo. mas o assunto é muito interessante polêmico. |
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:Walkíria |
Zé da Silva,Freud é uma coisa q se esgota
vc usa por um tempo....depois nao tem mais porque usar,mas enfim é importante, a teoria do inconsciente dele é uma coisa importante... nao dá pra rechaçar... mudou tudo, abriu mto a visao do mundo pra coisas q ninguem via e ninguem falava,masacho que você é limitado,perdão.Abra a cabeça.
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:zeca silva |
| Reducionismo primitivo. Vão estudar um pouco de Freud !!!!!!!!!!!! |
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| Data:13/01/2009 |
| Nome:Fernanda Alves |
| Muito interessante,há mais textos a repeito?Sou estudante de História e fiquei muito interessada. |
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