BioFilosofia
 
 
Imprensa Especializada
Autismo e Sincronicidade
Fonte: Science News
Autor: Bruce Bower
Link: http://www.sciencenews.org/view/generic/id/42316/title/Autism_immerses_2-year-olds_in_a_synchronized_world
Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza
Data: 13/04/2009
 
Estive dodói na semana passada e não pude publicar. Pois é, dentro de um Rabujo também bate um coração...(Rabujo)

Mais de 60 anos após o autismo ter sido descrito pelo psicólogo americano Leo Kanner, existem, ainda, mais perguntas do que respostas a respeito desse complexo distúrbio. Suas causas ainda são incertas, assim como são incertas as razões para o crescimento rápido de sua incidência. Entretanto, devagar e continuamente, vários mitos sobre a doença estão desaparecendo, à medida que os cientistas conseguem uma melhor visão do que está acontecendo tanto nos corpos como nos cérebros das pessoas afetadas e como um número maior de autistas são capazes de dar voz às suas experiências. (Heloisa)


Quando uma criança de 2 anos de idade, com autismo, olha para o rosto de alguém, ela pode almejar uma sincronizada detecção em vez de uma ligação social. Um novo estudo sugere que crianças com essa condição de desenvolvimento detectam sons e paisagens que ocorrem em conjunto, como por exemplo, os lábios da mãe que se deslocam,ao mesmo tempo, com sons que saem de sua boca, ao invés de pistas sociais, tais como o brilho nos olhos dessa mãe.

Fechados em um mundo de co-ocorrência de som e movimento, os jovens com autismo negligenciam sinais sociais que, de forma importante, contribuiriam para o desenvolvimento cerebral e mental, propõe o psicólogo Ami Klin da Yale Universitys Child Study Center e seus colegas.

“Nossos achados nos levam à triste hipótese de que uma criança com autismo pode ver um rosto, mas não necessariamente vivenciar uma pessoa, uma vez que grande parte daquilo que a experiência envolve está no olhar mútuo”, diz Klin.

O novo estudo, publicado online em 29 de março, na Nature, indica que até 2 anos, as crianças com autismo não notam a variedade de sinais que indicam que um corpo está se movendo. Crianças não-autistas fazem isso desde o dia que nascem. Os animais jovens, em muitas espécies, das aves aos seres humanos, monitoram sinais dos movimentos dos outros como pistas para iniciar o contato social.

Embora os estudos anteriores tenham sugerido que crianças com autismo frequentemente não olham para os olhos de outras pessoas, é pouco claro o porquê desse comportamento ocorrer. Poucos estudos incluem bebês ou crianças com autismo, que são difíceis de diagnosticar.

“Pela primeira vez, esse estudo trouxe à luz o que prende a atenção das crianças com transtornos do espectro do autismo”, observa o psiquiatra Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Md.

 O estudo de Klin utilizou caricaturas, com pontos de luz, criadas com características de atores jogando cinco jogos infantis. Cada animação, consistindo apenas de pontos brilhantes, posicionados em articulações do corpo, jogou normalmente em um lado de uma tela de computador. Do outro lado, ela joga de cabeça para baixo e em sentido inverso. Crianças sem problemas de desenvolvimento têm dificuldade em discernir os movimentos das figuras invertidas.

O som da voz do ator e os efeitos sonoros que acompanham eram ativados com cada par de desenhos.

O monitoramento dos olhos determinou que 39 crianças tipicamente desenvolvidas e 16 crianças não-autistas preferiram olhar para animações eretas, monitorando o movimento biológico. Em contrapartida, 21 crianças com autismo geralmente tenderam a olhar para frente e para trás em posição vertical e invertida para as figuras, sugerindo que estas crianças não dão atenção para o movimento dos corpos.

Mas crianças com autismo fizeram uma exceção para um vídeo com um desenho que apresentou um jogo de patty-cake, onde dois pontos se colidiam e representavam duas mãos repetidamente reproduzindo um som de bater palmas. Essa sincronia física existia apenas para a figura na posição vertical, porque o desenho invertido batia em sentido inverso, pois a ordem não tinha correspondência com a trilha sonora.

Uma análise mais aprofundada de outros sons e movimentos sincronizados nos cinco desenhos sensoriais indicaram que os sentidos emparelhados quase sempre chamaram a atenção das crianças com autismo.

É muito cedo para dizer, com certeza, se realmente o autismo envolve um foco de sincronia áudio-visual, uma vez que uma característica mais ampla mental poderia explicar as novas descobertas de Klin, adverte o psicólogo e pesquisador do autismo, Mark Strauss, da Universidade de Pittsburgh. Um foco intenso sobre os detalhes pode explicar, em parte, a tendência das crianças com autismo ignorarem o movimento dos corpos, enfocando a sincronia física dos eventos (SN: 7/7/07, p. 4),sugere Straus. A maior dificuldade na detecção de sutis movimentos oculares versus maiores movimentos da boca também pode contribuir para esse padrão, observa ele.

As dúvidas permanecem a respeito da medida em que as crianças com autismo fazem contato visual. A equipe de Klin relatou, ano passado, que crianças de 2 anos de idade, com autismo, olham principalmente para a boca das pessoas. Mas, em um outro estudo, a equipe de Strauss descobriu que crianças dos 8 aos 12 anos de idade, com autismo, procuram os outros nos olhos, tanto quanto os  não-autistas.

A equipe de Klin agora planeja observar se as crianças com autismo se tornam mais sociáveis após receberem uma formação que direciona a atenção para longe de visões e sons sincronizados e para sinais de movimento biológico.
 
Comentários...
Data:14/04/2009
Nome:Heloisa Cavalcanti de Souza
Sou profssora e já trabalhei em turmas "especiais", onde havia crianças autistas. Realmente é muito difícil. O mundo deles é blindado. Mas eu percebia que eles percebiam o que estava a sua volta,mas não havia a menor vontade de interação.
Data:13/04/2009
Nome:o cético
Autistas são tão estranhos que não servem de parâmetro para nada. É impossível até mesmo desenvolver algum tipo de afeto por eles. Eles simplesmente não estão lá. Parecem apenas cérebros com uma racionalidade muito peculiar. Tire a empatia a um humano, e ele deixa de ser humano.
Data:13/04/2009
Nome:Heloisa Cavalcanti de Souza
Que bom que o Rabujo voltou. Seja bem-vindo.
 
 
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