BioFilosofia
 
 
Imprensa Especializada
Nome é Destino?
Fonte: PsyBlog
Autor: PsyBlog
Link: http://www.spring.org.uk/2009/07/are-your-initials-holding-you-back.php
Tradução: Joana Alencastro
Data: 15/07/2009
 
“O que há em um nome? Aquilo que chamamos de rosa
Por outro nome terá igualmente um doce aroma.” Romeu e Julieta.

Nessas linhas da famosa peça de Shakespeare, Julieta está tentando persuadir Romeu de que a amarga rixa entre suas respectivas famílias não tem importância alguma, e que ele e seu sobrenome são facilmente dissociáveis, e assim eles podem ficar juntos.

Enquanto fala verdadeiramente sobre seu amor, ao questionar o poder dos nomes ela está intencionalmente disfarçando: os respectivos sobrenomes dos protagonistas com certeza têm muita importância, como o fim trágico de Romeu e Julieta demonstra.

A verdade é que somos tão sensíveis a como as coisas são chamadas e às associações inconscientes que elas geram que a nossa performance em diversas áreas pode ser afetada por algo que parece tão insignificante quanto as nossas iniciais.

Problemas das Iniciais

Para testar se as iniciais podem realmente destruir nossas melhores intenções, os psicólogos Leif Nelson e Joseph Simmons foram à caça, em busca de evidências, através de jogos de baseball, médias de pontuação de notas e admissões em escolas de direito, colocando em prática seu próprio conhecimento.

Os resultados da pesquisa foram publicados na  Psychological Science (Nelson e Simmons, 2007) e fizeram algumas descobertas significativas:

* Baseball: Strikeouts são registrados com a letra K no baseball(para o leigo em esportes: um strikeout é uma coisa ruim para o batedor). Nelson e Simmons descobriram que ao longo desses 90 anos de baseball profissional, jogadores com nomes ou sobrenomes que começam com K têm mais probabilidade de fazer strikeout do que os outros.  
* Performance acadêmica: Nelson e Simmons também observaram candidatos a MBA acima de 15 anos para uma grande universidade americana. A hipótese deles era de que as pessoas com iniciais com C ou D teriam menos aversão a essas notas do que os outros e portanto se esforçariam menos para evitá-las. E foi isso que eles descobriram: os candidatos com o nome ou sobrenome com iniciais com C ou D tiveram notas mais baixas. Foi apenas um pequeno efeito, mas significativo para 14.000 candidatos.
* Faculdade de direito: O mesmo padrão foi visto em faculdades de direito: advogados com A e B como iniciais freqüentaram faculdades melhores que aqueles com iniciais com C e D.

Todos esses acontecimentos são correlações, embora eles possam ser explicados das mais diversas maneiras. Para termos evidências de que as iniciais de nossos nomes podem ter um papel de causa em nossa performance, o que realmente precisamos é de uma experiência.

Egoísmo Implícito

Portanto, Nelson e Simmons deram a 284 participantes a chance de ganhar um prêmio em uma competição de anagramas. A maneira como os prêmios foram etiquetados foi manipulada para que algumas vezes eles coincidissem com  as iniciais dos participantes, e outras vezes não.

Os investigadores predisseram que os participantes iriam inconscientemente direcionar-se ao menor, ou ao prêmio de consolação, caso alguma de suas iniciais coincidisse com a etiqueta desse prêmio. Conseqüentemente, eles produziriam menos anagramas.

Surpreendentemente foi exatamente isso que eles descobriram: as pessoas completaram menos anagramas (em uma média de um a menos) quando acontecia de o prêmio de consolação estar etiquetado com a primeira letra de seu nome. Com efeito, com uma simples associação alfabética, os participantes tentaram falhar.

Teóricos argumentaram que existe um certo tipo de egoísmo nesse trabalho. Nós inconscientemente preferimos nossos próprios nomes porque eles estão associados a nós mesmos e a maioria das pessoas gosta de si próprio. Que esse efeito não está muito comprometido com a busca por novidades é carregado no fato de que as pessoas fazem escolhas cada vez piores. A vasta maioria das pessoas não gostaria de inconscientemente escolher ganhar um D em uma prova, ou ir para uma faculdade de direito não tão bem conceituada, ou ganhar apenas o prêmio de consolação.

Esse efeito pode ter uma pequena, mas bem clara influência em todos os tipos de situação. Uma das mais recentes investiga a associação entre as iniciais de uma pessoa e a tendência dessa pessoa em trabalhar para empresas que tenham a mesma inicial.

Anseel e Duyck (2008) obtiveram informações de uma base de dados contendo um terço de todo o quadro de trabalhadores do setor privado da Bélgica – mais de  meio milhão de nomes – e observaram o nome do empregador de cada um deles. Eles descobriram o que já imaginavam: é mais provável que as pessoas trabalhem em empresas com as mesmas iniciais de seu próprio nome – especialmente se as iniciais forem as menos usuais, como Q ou Y.

O egoísmo implícito pode muito bem estar funcionando de ambas maneiras aqui:   não apenas os trabalhadores têm mais probabilidade de se candidatarem a empregos em empresas com iniciais que sejam as mesmas que as suas, como os empregadores preferem candidatos que partilhem da mesma inicial da companhia.

O que é uma inicial?

Para responder a pergunta de Julieta, “O que há em um nome?”: há muita coisa. Essa pesquisa sugere que há muito mais do que imaginamos somente em uma inicial. Talvez Julieta, se tivesse vivido mais do que somente seus 13 anos, ela teria sido aconselhada a mudar se u nome de família de Capuleto para um nome mais ambicioso que a ajudasse a sua candidatura a um MBA ou para que conseguisse a entrada em uma faculdade italiana decente de direito.

 
Comentários...
Data:16/07/2009
Nome:Betty
Óbvio que um daqueles nomes esquisitos prejudica
Data:16/07/2009
Nome:o cético
Tenho uma lista enorme de pessoas cujos nomes combinam com suas ocupações. Pode ser que a Lei dos Grandes Números explique, pode ser que não...
 
 
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