Essa questão do contágio ético-moral é realmente um caso para estudo. Outro dia desses vi, na TV, uma entrevista com pessoas que cometiam infrações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, mesmo sabendo que estavam erradas. O que elas respondiam? “Mas todo mundo está fazendo, eu também faço”.Pois é, essa história de ser Maria-vai - com- as- outras pode ser mais sério do que se imagina e causar problemas com a lei. Por que o contágio pelas coisas boas e corretas é bem menor? Levar vantagem em tudo( o que é errado) se tornou cultural?
Às vezes, o trapaceiro é apanhado. Em Nova Iorque, o financista Bernie Madoff enfrenta uma possível sentença após a alegação de culpa por 11 crimes capitais em uma das maiores fraudes de investimentos da história. Infelizmente, esta é apenas uma das muitas histórias sobre os últimos capitães da indústria e finanças que se comportam mal com o dinheiro dos outros. De fato, há muitas revelações como esta recentemente, e isso é suficiente para calcular a média de cidadãos que pagam impostos e se todos realmente jogam conforme as regras. E se as pessoas que já têm muito dinheiro não podem ajudar no esclarecimento (ou apenas empurrar o rolo de dinheiro), é justo perguntar como uma pessoa normal resiste à tentação de passar sobre os seus impostos ou diminuir seu trabalho, quando o tempo está apertado.
Então, por que algumas pessoas trapaceiam e outras não? A explicação clássica é a de que é uma escolha racional, um frio cálculo de custo e benefício. Posso fugir com isso, e quanto eu posso obter antes do risco de eu ser apanhado? Mas alguns cientistas começaram a questionar essa visão cínica da ética humana e sugerem que a decisão é muito mais complexa do que esse simples cálculo.
Três psicólogos decidiram recentemente explorar estas difíceis questões éticas no laboratório. Francesca Gino, da Universidade da Carolina do Norte, Shahar Ayal e Dan Ariely da Duke University montaram uma elaborada brincadeira para ver se eles poderiam fazer as pessoas realmente trapacearem - a fim de iluminar as forças psicológicas de trabalho na mente do desonesto.
Aqui, resumidamente, foi o que eles fizeram: pediram a um grande grupo de estudantes universitários para resolver uma série de complexos problemas matemáticos em um tempo muito curto. Eles os tornaram difíceis o suficiente para que ninguém pudesse realmente resolver todos os problemas, e pagariam aos que conseguissem resolver. Os exercícios de matemática eram apenas um pretexto para a experiência real: pouco depois de os estudantes começarem os problemas de matemática, um deles (na verdade um ator pago) anunciou em voz alta para a sala: "Eu resolvi tudo. O que devo fazer?" Todos na sala sabiam que isso era impossível, de modo que o aluno-ator foi um claro exemplo de flagrante trapaça. Ele também ficou com todo o dinheiro, como se tivesse obtido a pontuação máxima e, muito importante, sem quaisquer consequências.
A idéia era ver como muitos alunos seguiram o exemplo do trapaceiro, para ver se a flagrante desonestidade impulsiona a trapaça entre os estudantes em geral. E foi feito, de forma dramática. Mas os psicólogos acrescentaram uma outra opção para o experimento: às vezes eles faziam o ator vestir a camiseta de uma universidade rival, outras vezes não. Eles queriam ver se o grupo identificado com o trapaceiro - colega ou não - influenciava o nível de imitação da trapaça. Ou seja, um estudante seria mais trapaceiro (ou menos), quando visse um rival trapacear ou quando visse a trapaça de um colega?
Os resultados foram inequívocos. Conforme relatou um artigo, em Março, da Psychological Science,os companheiros de classe tiveram muito mais influência do que estranhos. Com efeito, vimos um trapaceiro rival realmente baixar o nível geral de trapaça ligeiramente - em comparação com os estudantes que simplesmente enganavam por sua própria iniciativa, sem qualquer influência. Estes achados argumentam contra o "frio cálculo" sobre a teoria da infidelidade. Afinal, se os alunos somente pesavam o “Eu posso me safar com isto” e, em seguida, eles foram igualmente influenciados pelo sucesso de ambos, os colegas trapaceiros e os outros. E eles não foram.
Os psicólogos decidiram dar uma outra verificada nesses resultados com um outro pequeno experimento. Foi basicamente a mesma configuração, mas, neste cenário, o ator não fez nada, ele simplesmente perguntou em voz alta ao funcionário: " OK, é para enganar?" Eu sei, pergunta estúpida. Ninguém realmente faz isso. Mas a idéia era simplesmente cutucar os estudantes com uma idéia moralista em suas mentes, para trazer as questões de infidelidade e desonestidade à tona. E quando eles fizeram isso, os alunos enganados sentiram-se visivelmente inferiores. Não modelos, bons ou maus, apenas mostrando a idéia de comportamento antiético, o que foi suficiente para manter os estudantes honestos. Assim, isso mostra que o nosso interior moralista realmente não quer enganar. Mas parece também que a desonestidade pode ser contagiosa – se testemunharmos um dos nossos cometer um ato público de desonestidade. Estes resultados apontam para uma possível estratégia a fim de evitar uma onda de contágio antiético. Se a traição, em geral, diminui quando o charlatanismo é percebido como ilegal, então ela deverá contribuir para estigmatizar o charlatanismo público como – somente as maçãs podres são ilegais. Claro, Bernie Madoff e o resto das fraudes alegadas em Wall Street já fizeram um monte de trabalho para nós. |
|
| |
| Comentários... |
| Data:18/03/2009 |
| Nome:Rafaella |
| Mas é mesmo uma questão patológica. As pessoas não agem mais de acordo com seus próprios principis éticos e morais,aliás, será que isso existe por aqui? Agora é tudo ôba, ôba. |
|
|
| Data:18/03/2009 |
| Nome:Wal |
| Verdade, não são só os jovens, parece que a imoralidade contagia todos devastadoramente. |
|
|
| Data:17/03/2009 |
| Nome:Helena |
| Não soente da cena política, mas da sociedade em geral. |
|
|
| Data:17/03/2009 |
| Nome:Alana |
| A cara do Brasil!!!!! |
|
|
| Data:17/03/2009 |
| Nome:Rabujo comenta |
| Alguém mais está sentindo o cheiro da cena política nacional? |
|
|
|
|