Na última edição da Nature, o neurocientista Larry Young apresenta uma grande teoria unificada do amor. O trabalho analisa em detalhes a química envolvida e é simplesmente fascinante. Entretanto, o artigo só pode ser lido por assinantes, ou por quem se dispuser a pagar a modesta quantia de US$ 32.
Você pode ver o texto aqui:
http://www.nature.com/nature/journal/v457/n7226/full/457148a.html
Mas, para nossa facilidade, o jornalista John Tierney do New York Times nos dá um vislumbre do artigo, ou, ao menos, de alguns aspectos dele. Tierney, estranhamente, está interessado na possibilidade da criação de uma “poção do amor”. É isto mesmo, o velho “filtro do amor”, celebrizado por bruxas e feiticeiros de diversas tradições está virando uma possibilidade científica.
Vejamos partes do texto de Tierney, algo confuso, mas muito ilustrativo dos caminhos que a neurociência anda tomando e da total desmistificação pelas quais nossos sentimentos, outrora considerados tão sublimes, estão passando:
A notícia não tão má é a de que você poderá desfrutar desta poção, se tomá-la conhecendo a pessoa certa. Mas a notícia realmente boa, a meu ver, é que poderemos projetar uma poção antiamor. Embora essa vacina do amor não seja mencionada no ensaio do Dr.Young, quando levantei a possibilidade, ele concordou que poderia ser feita.
Alguma descoberta poderia ser mais bem-vinda? Isso é o que os seres humanos têm procurado desde que Ulisses ordenou à sua tripulação que o amarrasse ao mastro, enquanto navegava para longe das Sereias. Muito antes de os cientistas identificarem os neuroreceptores, muito antes de Britney Spears casar rapidinho em Las Vegas ou dos sete casamentos de Larry King, já era claro que o amor era uma doença perigosa.
O amor foi corretamente identificado como um desequilíbrio químico fatal no conto medieval Tristão e Isolda, os quais acidentalmente consumiram uma poção do amor e transformaram-se em viciados sem esperança de salvação. Mesmo que eles percebessem que o marido dela, o rei, puniria o adultério com a morte, eles tinham que ter seu amor realizado.
Eles não podiam adivinhar o que estava na poção, mas também, então, não poderiam ter o benefício da pesquisa do Dr. Young com arganazes nas savanas do Yerkes National Primate Research Center na Universidade de Emory. Estas criaturas, semelhantes a ratos, estão entre a pequena minoria dos mamíferos - menos de 5% - que partilham com os seres humanos a propensão para a monogamia. Quando a oxitocina é introduzida artificialmente no cérebro de uma ratazana fêmea da savana , um hormônio que produz algumas das mesmas recompensas neurais que a nicotina e a cocaína, ela vai rapidamente se ligar ao macho mais próximo . Um hormônio relacionado, vasopressina, cria um desejo para se unirem e se aninharem quando é injetado no arganaz macho. O Dr. Young também descobriu que o arganaz macho com a vasopressina geneticamente limitada teve menor probabilidades de encontrar parceiros. Pesquisadores suecos relataram que homens com a mesma tendência genética eram menos propensos a se casar. Em seu ensaio na Nature, o Dr.Young especula que o amor humano é iniciado por uma "cadeia de eventos bioquímicos” que evoluiu originalmente em antigos circuitos cerebrais que envolvem o vínculo mãe-filho, que é estimulado em mamíferos pela liberação de oxitocina durante o trabalho de parto e os cuidados com o bebê.
"A nossa sexualidade evoluiu a fim de estimular o mesmo sistema de oxitocina para criar laços entre machos e fêmeas", disse o Dr. Young, salientando que as preliminares e o relacionamento estimulam as mesmas partes do corpo de uma mulher que estão envolvidos em dar à luz. Essa hipótese hormonal, que não é um fato comprovado, ajuda a explicar algumas diferenças entre um casal de seres humanos e os mamíferos menos monogâmicos: desejo feminino em ter relações sexuais, mesmo quando não estão férteis e, nos machos, o fascínio erótico com seios. Sexo com mais frequência e mais atenção aos seios, disse o Dr. Young, poderia ajudar a construir relações de longo prazo através de um "cocktail de neuropeptídeos antigos", como a oxitocina liberada durante o orgasmo ou preliminares.
Pesquisadores têm conseguido resultados semelhantes por injeção de oxitocina nas narinas das pessoas - não terrivelmente sexy, mas isso parece aumentar a sensação de confiança e empatia. Embora o Dr. Young não planeje qualquer poção de amor (ele está à procura de drogas para melhorar as habilidades sociais das pessoas com autismo e esquizofrenia), ele disse que poderiam, em breve, ser drogas que aumentem o desejo de as pessoas se apaixonarem.
“Seria completamente antiético dar a droga para alguém", disse ele, "mas se você estiver em um casamento e quiser manter essa relação, você pode tomar uma dose animadora de vez em quando. Mesmo agora não é uma medida tão longe de ser possível, pois você poderia usar drogas em conjunto com terapia conjugal”.
Vejo aqui algumas potencialidades, mas também grandes problemas. Suponhamos que você tomou essa poção e então, de repente, sentiu uma vontade enorme de fugir com uma pessoa com quem você esteve nos últimos tempos, seu dentista, por exemplo? E se você foi para uma convenção empresarial e, então, com uma estimulação artificial tal qual a do rato da savana, você grudasse com o estranho mais próximo? E se, como Tristão, você desenvolvesse uma grande ligação emocional com o parceiro/a do seu chefe?
Mesmo se os efeitos, de alguma maneira, pudessem ser direcionados para o parceiro certo, aquele com o qual você pretende começar uma relação duradoura com uma droga de curto prazo. O que aconteceria quando o efeito da droga desaparecesse?
Uma vacina para o amor parece mais simples e mais prática, e já existem algumas substâncias que parecem inibir as pessoas a impulsos românticos. Essa vacina já foi demonstrada em arganazes.
"Se damos um bloqueador de oxitocina ao arganaz fêmea, elas tornam-se como 95% de outras espécies de mamíferos”, disse o Dr. Young. "Elas não se ligarão a um macho específico, não importando quantas vezes acasalem nem quanto ele queira. Eles acasalam, sentem-se realmente bem e elas seguem adiante, se aparecer outro macho. Se o amor é também semelhantemente baseado em bioquímica, você deveria, em teoria, ser capaz de suprimi-lo de uma forma semelhante”.
Duvido que muitas pessoas gostassem de suprimir permanentemente o amor, mas uma vacina temporária poderia vir a calhar. Cônjuges passando por crises de meia idade não fugiriam tão rapidamente com os seus amantes; idosos e viúvos poderiam consultar seus advogados antes de casar com alguém que se parecesse com Anna Nicole Smith. O amor é realmente uma coisa muito esplendorosa, mas, às vezes, é preciso que todos nós fiquemos em alerta.
A questão é: você tomaria uma poção para se desapaixonar, ou tentaria dar a seu objeto de desejo uma poção para que se apaixonasse por você?
|
|
| |
| Comentários... |
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Covardão |
| Eu daria uma poção dessa para uma gostosona como a Viviane Araújo,Liuza Brunet,Luma de OLIVEIRA,ETC,ETC |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Rodrigo! |
| Parabéns ao site.Textos inteligentes,reflexivos e muito bem escritos!Vamos pensar! |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Rose |
| Dúvida atroz...se esse homem fosse aquele tesão do Barak Obama...até que valeria a pena...que homem é aquele?Eu que já sou chegada a um queimadinho...adoro!! |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Maria Célia |
| Eu gostaria muito de ficar completamente apaixonada por alguém,mas não consigo,sou exigente,independente.Cadê essa poção? |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Regina Coeli |
| Acho que o que o texto vem provaré que há uma incoerência muito grande ou um medo em relação à entrega ao amor,ao mesmo tempo que um desejo enorme de encontrar o Tristão ou a Isolda de sua vida.Como seria bom se fosse verdade... |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Rabujo responde |
| Arganaz é um pequeno roedor, parente do esquilo. É um bichinho bonitinho e, pasmem!, monogâmico. |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Solange |
| O que são arganazes? |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Renata |
| "A notícia não tão má é a de que você poderá desfrutar desta poção, se tomá-la conhecendo a pessoa certa."Esse trecho é um tanto incoerente,pois,se você chega ao ponto de dar uma poção paraalguém ficar louco de amor por você,qualquer pessoa será a certa,pois o que você quer é amor.Escolheria um cara saudável,bonito,rico.... |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:SCH |
| Eu daria ,sim,a poção a alguém,objeto de meus desejos há mais de dez anos.Mas se esse alguém estivesse com o coração desocupado,claro,pois não teria coragem de tirá-lo de alguém.Isso me faz lembrar do maravilhoso filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças",o que,também não seria nada mal se o caso fosse contrário.Mas,isso tudo é coisa de ficção. |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:Walkíria |
| Isso aqui ta ficando cada vez melhor.É complicado mesmo,tive que ler 2 vezes,mas muito ilustrativo. |
|
|
| Data:19/01/2009 |
| Nome:renata |
| Que dúvida???????? |
|
|
|
|