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A Cabeça dos Condenados
Fonte: Mind Hacks
Autor: Vaughan Bell
Link: http://www.mindhacks.com/blog/2009/04/the_mind_of_the_cond.html
Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza
Data: 20/04/2009
 
Como você lida com o corredor da morte? Em 1962, dois psiquiatras ficaram intrigados com o fato de que os presos, da famosa prisão Sing Sing,em Nova York, condenados à morte, não foram esmagados por depressão ou ansiedade. Eles escreveram um artigo para o American Journal of Psychiatry tentando explicar o modo como os 13 prisioneiros controlaram o medo da morte iminente.

É um artigo incômodo e mal montado sob vários aspectos. Os dois psiquiatras estão firmes na sua abordagem psicanalítica, falando de “ego defensivo” e “testes projetivos”, o que parece estranho aos modernos olhos forenses.

Além disso, a utilização liberal de linguagem desdenhosa de sessenta psiquiatras permeia o artigo. Os detentos são descritos diversas vezes como “inadequados”, “obcecados com o seu próprio poder”, “mentalmente sombrios”, “autopiedosos”, como se esses fossem fatos do mundo, mais do que os pareceres déspotas de duas pessoas confortavelmente empregadas na prisão psiquiátrica.

Preocupantemente, vários dos presos condenados são claramente psicóticos, e sua loucura é invariavelmente explicada como um “mecanismo de defesa”, pouco mais do que uma ferramenta para lidar com as suas ansiedades.

Mas apesar da filtragem e seleção do relato, é possível vislumbrar o modo como os presos administram suas vidas como condenados.

Um homem destaca-se na série como sendo o que mais obteve sucesso empregando a intelectualização como um meio de defesa contra a ansiedade e a depressão. Ele elaborou uma filosofia de vida e valores em que a sua própria carreira criminosa se tornou não apenas justificável, mas até mesmo respeitável. Ele racionalizou seus crimes, enfatizando a hipocrisia e a falsidade da sociedade por um lado e, comparando-se com forças policiais e militares e outras pessoas que vivem honradamente “pela arma”, por outro. Esse sistema foi tão eficaz para ele que, mesmo quando a execução parecia iminente, ele manteve o seu papel de mártir heroi e desdenhou o pedido de clemência.

É claro, vamos todos morrer, e nos mais recentes estudos sobre a forma como vivemos com esse conhecimento, as chamadas pesquisas da “importância da mortalidade” ou “teoria da gestão do terror” (TMT), tornaram-se um campo fértil de investigação.

A investigação sugere que, quando lembramos da nossa própria morte, tentamos fazer-nos sentir melhor, alinhando-nos mais estreitamente com os nossos grupos sociais, valores culturais e parceiros íntimos.

Mas, a meu conhecimento, apenas um outro estudo tem investigado como um prisioneiro lida com sua morte que está por vir.

Em 2008, dois psicólogos holandeses, Andreas Schuck e Janelle Ward, analisaram as declarações finais das pessoas executadas pelo estado do Texas para examinar o modo como eles retratavam a si mesmos e faziam uma avaliação da sua situação.

Em consonância com a “teoria de gestão terror”, a maioria das últimas declarações tentou alinhar o assunto com a nossa noção social sobre o que é uma “boa pessoa”, muitas vezes em um padrão comum ou sequencial:

 Assunto (referência si mesmo); endereços de relações relevantes (do mais próximo ao mais distante); expressão de sentimento interior (amor, ódio); definição de situação (responsabilidade, aceitação versus inocência, declaração política, negação); tratamento de situações (autoconforto, religião, desejo / esperança, perdão, a autoculpa versus acusação, a negação); encerramento.

Parece que do prisioneiro ao público, a morte torna-nos conformados, e mesmo aquele que pode ter sido o mais insensível dos assassinos quer ser uma boa pessoa quando morrer.
 
Comentários...
Data:21/04/2009
Nome:Wal
Nossa, este assunto me dá arrepios.
 
 
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