BioFilosofia
 
 
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Gene da Agressão
Fonte: Science Blogs - Not Exactly Rocket Science
Autor: Ed Yong
Link: http://scienceblogs.com/notrocketscience/2009/01/saucy_study_reveals_a_gene_that_affects_aggression_after_pro.php
Tradução: Heloísa Cavalcanti de Souza
Data: 21/01/2009
 
Parece que finalmente foi desvendado o segredo da personalidade do Rabujo...

Ed  Yong comenta um estudo brilhante, que mostra definitivamente como nossas tendências agressivas e de retaliação são geneticamente influenciadas.  Leia com cuidado:

As pessoas gostam de imaginar influências biológicas e sociais como elementos opostos na psicologia humana. Entretanto, esta visão ingênua apenas disfarça as interações entre estes fatores, muito mais interessantes. Essas interações entre os genes e o ambiente são o centro de um novo estudo realizado por Rose McDermott, da Universidade de Brown, que combina perfeitamente dois dos meus temas favoritos – a influência genética sobre o comportamento e a psicologia da punição.

Mc Dermott argumenta que a forma como as pessoas se comportam em jogos pode ser influenciada pelos genes que carregam e, especialmente, por um, chamado  mono-amino-oxidase (MAOA), que tem sido associado ao comportamento agressivo. Sua equipe internacional de cientistas  investigou o efeito que diferentes versões de MAOA teriam em uma situação real, onde as pessoas acreditam que, realmente, têm a chance de machucar outras.

A MAOA codifica uma proteína que ajuda a quebrar uma série de sinalizadores químicos no cérebro, incluindo a dopamina e a serotonina. Ele foi apelidado de "gene guerreiro", devido à sua ligação consistente com o comportamento agressivo. Um único defeito no gene,  que conduz a uma proteína inútil, foi associado a um padrão de agressividade impulsiva e comportamento criminoso violento entre os homens de uma determinada família holandesa. No camundongo, a remoção desse gene torna-o agressivo do mesmo modo.

Essas são mudanças tudo-ou-nada, mas existem também variações sutis. Por exemplo, existe uma versão de alta atividade do gene (MAOA-H), que produz grande quantidade de enzima e uma versão de baixa atividade (MAOA-L), a qual produz muito pouco. As duas versões estão separadas por alterações na “região promotora” do gene, que controla a força  com que ele é ativado.

Há alguns anos, cientistas britânicos descobriram que crianças maltratadas têm menos probabilidades de desenvolver problemas anti-sociais se carregarem o gene MAOA-H do que aqueles que produzem a versão de baixa atividade MAOA-L. Um grupo italiano, desde então, encontrou a mesma coisa. É um resultado verdadeiramente fascinante, pois ele nos diz que o gene MAOA não só afeta o comportamento de uma pessoa, mas também as suas reações ao comportamento das outras.

Mas ambos os estudos tinham um grande defeito – eles mediam o nível de agressão fazendo com que as pessoas preenchessem um questionário. Essencialmente, eles contavam com que as pessoas dissessem, com precisão, o quanto são hostis, mas todos sabemos que muitas pessoas  gostam de  exagerar. Mc Dermott queria ver ações e não alegações.

Para isso, ela recrutou 78 voluntários do sexo masculino e sequenciou seus genes MAOA  para ver que versão  eles transportavam (pouco mais de um quarto tinha a versão de baixa atividade). Os voluntários foram levados a acreditar em um enredo onde eles poderiam realmente prejudicar fisicamente uma outra pessoa, se essa lhes tomasse valores ganhos no experimento. Sua arma? Molho picante.

Ela disse aos participantes que eles seriam pagos de acordo com a forma com que respondessem a um questionário . Cada um foi supostamente atrelado a   um parceiro anônimo online, que, então, decidiria como seria dividida a bolada. Na verdade, o seu parceiro era um computador e o jogo foi fixado de forma  que todos os jogadores, em qualquer rodada, ganhassem a mesma quantidade de dinheiro, e o computador  sempre retinha ou 20% ou 80% do total.

Quando os voluntários fossem informados sobre as suas partes, poderiam punir seus "parceiros", forçando-os a beber uma colher de chá de um desagradável molho picante. Eles tinham um arsenal de dez colheres de chá de molho picante e as que não tinham sido utilizadas poderiam ser trocadas por pagamento em dinheiro – dessa forma, os jogadores,  na realidade, perdiam dinheiro a fim de aplicarem o castigo. Foi assim durante quatro rodadas, com um novo parceiro em cada uma. (Aliás, apenas 8 pessoas suspeitaram de que não estavam realmente forçando molho em um parceiro e  foram excluídas dos resultados. Todos foram esclarecidos posteriormente sobre os detalhes do experimento, por razões éticas.)

Mc Dermott concluiu que a atividade do gene MAOA afetou a propensão dos voluntários para a punição e sua influência dependia do quão fortemente eles foram provocados. Quando o parceiro fictício tirou apenas 20% do dinheiro, MAOA teve pouca influência sobre a vontade de os voluntários punirem. Porém, quando estes perderam 80% de seus ganhos, as pessoas com a versão de baixa atividade foram as mais propensas a inflingir a punição apimentada do que aquelas com uma função de alta atividade.

O gene MAOA teve um efeito mais amplo - geralmente, aqueles com a versão de baixa atividade comportaram-se mais agressivamente do que aqueles com uma versão de  atividade alta. E, depois da primeira rodada, mesmo que seu parceiro lhes tivesse  tomado  reles 20%, os portadores do MAO-L eram ligeiramente mais propensos a usarem o molho. Portanto, essa variante parece estar ligada às tendências agressivas, mas muito mais ainda após  provocação - um caso clássico de influência biológica via influência social.

De qualquer forma, a experiência subestimou a verdadeira extensão do comportamento agressivo entre os portadores de MAOA-H. Com uma oferta limitada de molho picante, e nenhuma opção para comprar mais, McDermott fixou um limite superior para o comportamento agressivo, o qual muitos dos participantes eventualmente alcançaram. Na verdade, quando 80% do dinheiro foi tomado  deles, 44% dos portadores de MAOA-L esgotaram todo o molho, ao passo que apenas 19% dos transportadores de MAOA-H o  fez.

O estudo de Mc Dermott demonstra claramente que a  versão de baixa  atividade de MAOA está ligada a tendências hostis, o que conduzirá a um verdadeiro comportamento agressivo em situações reais. As razões por detrás desta relação são ainda pouco claras, mas um estudo anterior sugeriu que os indivíduos com MAOA-L são excessivamente sensíveis às ameaças e desafios  a que as outras pessoas dão de ombros, e  reagem de forma exagerada.

Eles ainda têm  níveis incomumente elevados de atividade no seu córtex  cingulado dorsal anterior (dACC) - uma parte do cérebro que está ligada a sentimentos de angústia após a rejeição social ou confronto. Isso combina bem com o que McDermott encontrou –  a influência do MAOA sobre o comportamento é mais forte nas situações em que as pessoas foram provocadas ou contestadas.

Esse fascinante trabalho acrescenta uma dimensão  profunda para outros estudos que utilizam jogos psicológicos para compreender como a punição contribuiu para a evolução da cooperação. Influenciado pelos seus genes, alguns grupos de pessoas podem utilizar estratégias muito diferentes do que outros e o  sucesso relativo destas dependerá da forma como são usados com freqüência na população. Por exemplo, se todos fossem pacifistas, portadores de MAOA-L poderiam ganhar uma vantagem através de uma ação mais agressiva do que o normal (repito que é uma questão de grau – portadores de MAOA-L não estão destinados a ser criminosos violentos). Mas se todos transportarem MAOA-L, a sua vantagem logo vai desaparecer.


 
Comentários...
Data:25/01/2009
Nome:Walkíria
Para Janice.Não tem que haver nexo um com o outro,são abordagens diferentes a cada artigo,mas insista,são muito bons!Eu estou adorando.
Data:25/01/2009
Nome:Walkíria
Imaginem os Chineses fazendo Eugenia?
Data:25/01/2009
Nome:Vânia
Oi Aluízio,li e reli e concordo com você em relação à essa última observação,aliás,constatação.Apesar de alguns loucos insistirem que isso não existiu,não houve Holocausto e essas coisas.Eu acredito e muito.Parabéns pela observação!
Data:23/01/2009
Nome:cinthia
Rabujo, você é assim tão ruim?
Data:22/01/2009
Nome:Aluísio
Vânia, o problema é o que as pessoas vão fazer com este conhecimento. Você tem alguma dúvida sobre o que os nazistas e o russos soviéticos (e provavelmente os chineses de hoje) fariam se dominassem a tecnologia de seleção? Eu não tenho. Fariam eugenia. Criariam quimeras, monstros.
Data:22/01/2009
Nome:Vânia
Esse Aluísio não somente é cético,mas também prático,pragmático,dramático,sarcástico,drástico e todos os paróxitonos que encontrarmos dentro do contexto...credo!
Data:22/01/2009
Nome:aluísio o cético
Ótimo vamos selecionar bebês com base neste gene, só nascem os calminhos. Os bravinhos executamos ants que nasçam...
Data:21/01/2009
Nome:Célia
Existe isso facilmente?Dopamina?Serotonina...estou precisando,brigo com todo mundo.
Data:21/01/2009
Nome:Solange
Desculpa pra gente agressiva,sem educação.
Data:21/01/2009
Nome:Rabujo
Walkíria, a estupidez humana deve vir de algum lugar. Parte dela parece que vem desse gene aí...
Data:21/01/2009
Nome:Walkíria
Ai Rabujo,sabe o que acho?Isso tudo é papo de cientista para justificar a estupidez humana.Brigas?Guerras?Pura estupidez!Desculpe,imagino que não é você que escreve e nem deve ser a moça que traduz,mas vamos estudar coisas mais importantes??
Data:21/01/2009
Nome:janice
Acompanho a Biofilosofia desde o início. Acho os textos meio sem nexo uns com os outros, mas as informações são mesmo muito interessantes.
Data:21/01/2009
Nome:Celso M
Estes progressos nas ciências da mente vão aos poucos desmontando algumas fantasias recorrentes, como a psicanálise, por exemplo. Em contrapartida, nos darão os instrumentos para atuar efetivamente sobre nós mesmos.
Data:21/01/2009
Nome:Rabujo contesta!
Injustiça!!!
 
 
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