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| Imprensa Especializada |
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Criatividade
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| Fonte: SEED |
| Autor: Jonah Lehrer |
| Link: http://seedmagazine.com/content/article/creation_on_command/ |
| Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza |
| Data: 21/05/2009 |
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De Jackson Pollock a John Coltrane – como a criatividade salta de um conjunto coreografado de eventos mentais.
Al Kooper não sabia o que tocar. Ele disse algumas meias-verdades para entrar na sessão de gravação de Bob Dylan -os músicos estavam trabalhando em uma canção intitulada "Like A Rolling Stone" – a Kooper tinha sido determinado o órgão Hammond. Havia apenas um problema: Kooper não tocava órgão. Ele era um guitarrista.
A primeira leva foi previsivelmente terrível - Kooper estava apenas tentando não ser expulso do estúdio. Mas, na quarta rodada, ele subitamente encontrou seus acordes. O que Kooper estava tocando era puro improviso - "Eu era como um garotinho tateando na escuridão para achar a luz", ele lembraria mais tarde - mas ele acabou inventando um dos mais famosos refrões de órgão da música moderna.
Há algo de profundamente misterioso sobre este tipo de criatividade. Kooper não teve tempo para pensar - o refrão estava prestes a acontecer - e, portanto, ele apenas começou a bater em teclas de marfim. Esse mesmo processo improvisado define algumas das mais famosas criações da arte moderna, de John Coltrane, com "A Love Supreme", a Jackson Pollock respingando tinta acidentalmente sobre uma tela. Estas são obras realizadas, inteiramente, naquele momento - sua beleza está na espontaneidade.
Mas como é que um tal ato de imaginação acontece? Como a mente cria o comando? William James descreveu o processo criativo como um "caldeirão borbulhante de idéias, onde tudo é sibilante e balançante tal como um estado de uma desconcertante atividade”. No ano passado, dois experimentos tentaram ver dentro do caldeirão para descobrir como um tear de células elétricas encontra a nota exata no órgão.
O primeiro estudo, liderado por Charles Limb da NIH e da Universidade Johns Hopkins, analisou a atividade cerebral dos músicos de jazz enquanto eles tocavam piano. Os músicos começaram com peças que não exigiam imaginação tais como a escala Dó maior e uma simples melodia em ritmo de blues(composta por Limb) que eles memorizaram previamente. Mas depois veio a condição criatividade: os músicos foram orientados a improvisar uma nova melodia, enquanto ouviam a gravação do quarteto de jazz.
Enquanto os músicos improvisavam no piano, ímãs gigantes zumbiam sobre as cabeças monitorando as menores mudanças em sua atividade cerebral. Os pesquisadores descobriram que a improvisação do jazz invocou cuidadosamente um coreografado conjunto de eventos mentais que permitiu aos músicos descobrirem suas novas melodias. Antes de uma única nota ser reproduzida, os pianistas exibiram uma "desativação" do córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC), uma área cerebral associada a ações planejadas e ao autocontrole. Em outras palavras, eles estavam inibindo suas inibições, o que permitiu que os músicos criassem sem se preocupar com o que eles estavam criando.
Mas isso não é o suficiente para libertar a mente – a improvisação bem sucedida exige um tipo muito particular de expressão. Por isso, a máquina de ressonância magnética também registrou um aumento de atividade no córtex pré-frontal medial, uma prega do lobo frontal logo atrás dos olhos. Esta área é muitas vezes relacionada com a auto-expressão - ela se acende, por exemplo, quando pessoas contam uma história em que elas são o personagem principal. Os cientistas afirmam que esta parte do cérebro é necessária para o improviso do jazz, porque os músicos estão canalizando sua identidade artística, procurando as melhores notas que resumem seu estilo. "O Jazz é muitas vezes descrito como sendo uma forma extremamente individualista de arte", diz Limb. "O que achamos que está acontecendo é que quando você está contando sua própria história musical, você está desligando impulsos que possam impedir o fluxo de novas idéias”.
No segundo experimento, os cientistas de Harvard investigaram as variedades de improvisação musical. Eles recrutaram 12 pianistas classicamente treinados e estes tinham que criar espontaneamente os ritmos e as melodias. Ao contrário da experiência Hopkins,a qual comparou a atividade cerebral entre improvisação e melodias memorizadas no piano, este experimento de varredura cerebral foi concebido essencialmente para comparar a atividade entre dois tipos diferentes de improvisação.
Como era esperado, ambas as condições de improvisação levaram a um aumento na atividade em uma variedade de áreas cerebrais, incluindo partes do córtex premotor e, mais surpreendentemente, o giro frontal inferior. A atividade premotora é simplesmente um eco da execução – o padrão de romance musical, afinal, ainda tem que ser traduzido pelos dedos. O giro frontal inferior, no entanto, tem sido investigado principalmente por seu papel na linguagem - que inclui a área de Broca (parte do cérebro humano responsável pelo processamento da linguagem e compreensão), que é essencial para a produção da fala. Por que, então, é tão ativa quando as pessoas criam a música no piano? Os cientistas afirmam que os músicos experts criam novas melodias, confiando nos mesmos músculos mentais utilizados para criar uma frase; cada nota é uma outra palavra.
Esses dois estudos com varreduras cerebrais proporcionam uma vista em nosso caldeirão borbulhante. Eles revelam um cérebro capaz de, seletivamente, silenciar o que nos mantém em silêncio. E só quando tivermos encontrado a coragem para criar algo novo, o cérebro nos surpreenderá com uma expressão de nós mesmos. Nós, de repente, encontramos nosso reflexo - não no espelho, ou mesmo nas nossas palavras. Mas na música.
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| Comentários... |
| Data:22/05/2009 |
| Nome:Luiza |
| é interessante como comprova a idéia de que devemos nos "desligar" de tudo para criar - talvez justifique as manias de muitos artistas |
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| Data:22/05/2009 |
| Nome:Zigomar |
| Tenho acompanhado o blog e os textos do Jonah são os melhores. Neste ele se excedu, está brilhante. Claro que brilhante não são só os textos dele, mas as pesquisas que os embasam. |
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| Data:22/05/2009 |
| Nome:Nilton |
| Sou músico e adorei o texto. Impressionante, lindo, arrepiante até. |
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