As redes sociais funcionam como heróis ou vilões? Estudo feito por neurocientistas da Universidade da Califórnia do Sul aponta que o grande fluxo de informações e notícias em redes sociais como o Twitter, Orkut e Facebook prejudica o senso de moralidade dos indivíduos e pode torná-los insensíveis ao sofrimento alheio, mas a conclusão é polêmica e encontra contradição em alguns vídeos que viraram febre na Internet, principalmente por seu conteúdo emocional, como o da dona-de-casa britânica Susan Boyle que já foi visto por mais de 3,5 milhões de pessoas, causando uma comoção popular. Eu mesma assisti e chorei muito. A aparência e a expressão daquela mulher associadas à letra da música escolhida causam uma reflexão sobre conceitos. Heloisa.
Sei que o meio é a mensagem, mas todas as mensagens têm a ver com o meio? As Pessoas amam e comunicam-se através do twitter, assim como no facebook. Mas, às vezes, esta noção central pode sair de controle, e é o que eu acho que aconteceu com um recente (e extremamente interessante) estudo publicado na PNAS, sobre o substrato neural da admiração e da compaixão. O estudo feito por cientistas na USC não tem nada a ver com o twitter,com as redes sociais ou mesmo a Internet, mesmo que rapidamente estes tenham se tornado os personagens principais, os vilões da questão. Precocemente houve uma onda de postagens com manchetes duvidosas, tais como “O Twitter é do mal?” (Se isso não coloca você na primeira página do digg, então, nada vale).
O que eu posso dizer é que a culpa, por trás desta história, foi de um comunicado de imprensa, da USC (Universidade da Califórnia do Sul), que começou com esta intrigante polêmica:
Fogo rápido disparado pela mídia pode confundir a sua bússola moral.
Emoções ligadas ao nosso senso moral despertam lentamente na mente, de acordo com um novo estudo de um grupo de neurocientistas liderado pelo autor do ensaio, Antonio Damasio, diretor do Brain and Creativity Institute, na USC.
Os achados contidos em um dos primeiros estudos sobre as emoções inspiradoras no cérebro, em um campo dominado por um enfoque sobre o medo e a dor, sugerem que a cultura da mídia digital pode ser mais adequada para alguns processos mentais do que para outros.
“Para alguns tipos de pensamentos, especialmente os de tomada de decisões sobre situações morais e psicológicas acerca de outras pessoas, nós precisamos de tempo e reflexão adequados, se as coisas acontecem muito rapidamente, pode ser que você nunca vivencie emoções sobre os estados psicológicos de outras pessoas e isso tem implicações no seu senso de moralidade“, disse a pesquisadora e primeira autora Mary Helen Immordino-Yang, da USC Rossier School of Education. Os seres humanos podem classificar informações muito rapidamente e responder em frações de segundos aos sinais de dor física nos outros.
A admiração e a compaixão - duas das emoções sociais que definem a humanidade - demorariam muito mais tempo para acontecer, definiu o grupo de Damasio.
Infelizmente, penso que o comunicado da imprensa (e a consequente reação blogosférica) perdeu realmente o interessante. Não é tão surpreendente, afinal, que as mais complexas emoções morais (como a admiração pela força ou a compaixão pela dor psicológica) demorem um pouco mais de tempo para desenvolver reações diretas, com base em manifestações corporais, tais como a compaixão pela dor física ou a admiração por habilidade física. Quando vemos alguém fazer caretas e gritar, rapidamente percebemos que essa pessoa pode estar machucada. No entanto, simpatizar com a dor psicológica de alguém requer uma cadeia de inferências -, temos que olhar para a situação a partir de suas perspectivas e decifrar por que elas poderiam estar assim - e isso leva alguns segundos extras de processamento cognitivo.
Então, o que realmente interessante foi encontrado? Penso que esse estudo extremamente bem-feito nos ensina algo de muito surpreendente sobre a forma como o corpo e a mente interagem para criar um estado emocional. (Isto não deve ser muito surpreendente, visto que vem do laboratório de Antonio Damasio, pioneiro em fazer hipóteses somáticas). Ao longo das últimas décadas, Damasio drasticamente reformulou a função e o substrato das emoções da vida e este último estudo estende seu trabalho para a admiração e a compaixão, duas emoções que são importantes para a moralidade humana. Aqui está o meu trecho favorito do documento:
As emoções relacionadas com o estado “psicológico” de alguém, por exemplo, dor social ou virtude, podem recrutar preferencialmente uma rede envolvendo o PMC (córtex motor primário) inferior e posterior e o córtex cingulado médio anterior, que estão associados a informações de recepção interativa, contrastando com as emoções relacionadas com o estado físico de outra pessoa, por exemplo, lesão dolorosa ou habilidade virtuosa, que pode recrutar o setor do PMC, mais conectado com o córtex lateral parietal, sugerindo uma ligação com a parte sensorial e a informação musculoesquelética. [SNIP] Globalmente, esses resultados sugerem que o processamento de emoções sociais é menos organizado em torno do tipo de resposta emocional, seja ela de compaixão ou admiração, do que em torno do conteúdo e contexto da situação.
Em outras palavras, a anatomia cortical subjacente à admiração por habilidade física tem mais a ver com compaixão por dor física do que com admiração por virtude psicológica. Do ponto de vista do cérebro, isso não é a respeito de admiração ou compaixão - é sobre se o que estamos mostrando, admiração e compaixão, está enraizado no físico ou no mental. Porque o cérebro é um computador quebra-galho, desenhado por um relojoeiro cego, é analisar o mundo em termos de todos os tipos de categorias idiossincrásicas. Processamos organismos diferentemente do que nós processamos pensamentos, uma distinção tão fundamental para a nossa forma de perceber o mundo que sustenta até mesmo as mais elevadas emoções sociais.
O que é que isso tem a ver com o twitter? Eu ainda não faço idéia.
Notas do tradutor: Digg é um site americano que reúne links para notícias, podcasts e videos enviados pelos próprios usuários e avaliados pelos mesmos.
PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences, revista de grande prestígio com site e versão impressa) |
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| Comentários... |
| Data:24/04/2009 |
| Nome:Márcia |
| A Internet, essas redes de relacionamentos pode funcionar como faca de dois gumes. Ela pode servir tanto para o bem como para o mal. Isso vemos todos os dias. |
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| Data:24/04/2009 |
| Nome:Wal |
| Eu assisti ao vídeo dessa melher na tv. Fiqeu realmente impressionada e ao ler o texto percebi que a noção de informações ráoidas interferirem em julgamentos e sentimentos não deveria ser encarada tão radicalmente. Isso deve variar de pessoa para pessoa. |
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| Data:23/04/2009 |
| Nome:o cético |
| O texto ficou meio confuso, mas a questão é ótima. Precisamos de tempo para sedimentar as emoções. Penso que os verdadeiros efeitos de vivermos sempre "ligados" e "multitasking" só aparecerão depois de algum tempo, tempo no pessoal como socialmente, e não serão bonitos. |
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