Eu ia trazer para vocês hoje um belo trabalho sobre a evolução da habilidade manual em seres humanos. Mas, como a comparação com macacos é inevitável, e eu sei que muitos não aguentam mais esta história de macacos, resolvi apresentar um texto algo mais grave, sobre delírios e disfunções cognittvas graves. Já estamos chegando ao ponto de localizar, no cérebro, a origem dos problemas. As implicações filosóficas são óbvias, deslocando, cada vez mais, da "mente" para a realidade neurológica nossas particularidades psicológicas.
Vejamos:
Delírios são crenças patológicas que persistem, apesar de provas claras de que eles são realmente falsos. Eles podem variar muito em termos de conteúdo, mas são sempre caracterizados pela certeza absoluta de sua existência. Tais crenças refletem uma anomalia nos processos de pensamento (estes são muitas vezes bizarros e completamente diferentes dos pensamentos convencionais de crença religiosa ou cultural) e são incompatíveis com o nível de inteligência da pessoa doente.
Os delírios vivenciados por pacientes psiquiátricos são muitas vezes classificados de acordo com seu tema. Por exemplo, os esquizofrênicos, muitas vezes, sofrem de delírios de controle (a crença de que uma força externa está controlando seus pensamentos ou ações), delírios de grandeza (a crença de que eles são famosos: uma estrela de rock ou uma figura histórica), ou delírios de perseguição (a crença de que estão sendo seguidos, atacados ou que algo conspira contra eles.).
Embora muitas vezes associados a transtornos psiquiátricos, os delírios podem também ocorrer como um sintoma de doenças neurodegenerativas, e a evolução dos métodos de diagnóstico tem levado a um aumento na identificação de danos cerebrais em pacientes que sofrem desses males. Até recentemente, no entanto, não havia uma teoria unificada de como o cérebro gera ilusões. Agora, porém, Orrin Devinsky, um professor de neurologia, neurocirurgia e psiquiatria na Universidade de Nova York, sugere que os delírios são gerados por uma combinação de hiperatividade no hemisfério esquerdo e danos no hemisfério direito do cérebro.
Em uma resenha publicada na revista Neurology, Devinsky examina as neuropatologias subjacentes de duas síndromes de delírios, com o objetivo de identificar anormalidades anatômicas que são comuns a todas. Especificamente, ele olha para a síndrome de Capgras, onde há a crença delirante de que amigos próximos ou que pessoas das suas relações são impostores ou tenham dublês de corpos com diferentes identidades, e para a paramnesia reduplicativa (ou Capgras de lugar), distorção de memória na qual acredita-se que existe um lugar familiar em dois locais simultaneamente.
Essas síndromes estão relacionadas com e, muitas vezes, co-existem com a Confabulação (a patológica produção de falsas memórias) e a Anosognosia, uma condição em que há uma falha em reconhecer, ou em tomar cosciência de um déficit neurológico, como a cegueira ou a paralisia. Essas síndromes compartilham, também, de mecanismos comuns e patologias. No entanto, enquanto pacientes de Confabulação podem ser convencidos de que as suas memórias são falsas, os pacientes com Delírios se mantém firmes em suas crenças.
Devinksy estudou numerosos casos de indivíduos com essas síndromes e, quando possível, identificou o local da lesão cerebral em cada um. Sua análise mostrou que as quatro condições fazem, efetivamente, a distribuição das características patológicas comuns. Em 69 pacientes com paramnesia replicativa, por exemplo, 52% tinham sofrido danos no lobo frontal direito (como resultado de um acidente vascular cerebral ou doença de Alzheimer), 41% tiveram prejuízos para ambos, e 7% tinham danos no esquerdo. Do mesmo modo, os estudos de casos de pacientes com síndrome de Capgras mostraram que eles tinham danos, principalmente, no lobo frontal direito.
A presença de danos no lobo frontal, nos casos estudados, corrobora a hipótese de que estes delírios implicam prejuízos em funções executivas, memória de trabalho, tomada de decisão e as capacidades para fazer previsões exatas e para estimar a seqüência e o tempo. Uma consequência de danos no lobo frontal direito seria, portanto, uma diminuição da capacidade de controlar a exatidão dos seus próprios processos cognitivos.
Segundo a hipótese de Devinsky, isso leva a um aumento da atividade no hemisfério esquerdo - este compensa a falta de informação adequada vinda do lado direito, “preenchendo” as lacunas e criando uma narrativa criativa e extravagante que leva a falsas declarações de experiências do paciente. O prejuízo para o hemisfério direito pode impedir o doente de reconhecer os seus erros cognitivos, e, portanto, de alterar, também, as suas falsas crenças.
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| Comentários... |
| Data:24/01/2009 |
| Nome:Cris |
| Hiperatividade já tenho. Só falta o dano no hemisfério direito. Meu futuro parece sombrio!!!!! rsrsrs |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Rosângela |
| Pessoal,estamos em férias,mas dou aulas em cursinhos,não é caô(como dizem os alunos).Cursinhos não têm férias,os concursoa estão aí... |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Adriana |
| Nossa!O pessoal só fala nesse blog agora.Andei dando uma olhadinha nos outros dias e vi que a coisa é tri legal mesmo.Vou ficar assídua! |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Zuleila |
| Minha tia tem uma doença degenerativa do sistema nervoso central e tem altos delírios e de vários temas,bizarro.Muito interessante o artigo e o melhor,de fácil entendimento,bem estruturado.Parabéns! |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Walkíria |
| Estou vendo que o blog está se tornando uma sala de bate-papos e das boas!Quem sabe façamos amigos por aqui?Muito bom hoje!Doenças mentais são sempre muito tristes e merecem toda a atenção,não só dos cientistas,mas da família dos pobres sofredores.Parabéns! |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Rosângela. |
| Sou amiga da pessoa que faz a tradução,a Heloisa.Nunca ouvi falar neste site e estou adorando,já até usei alguma coisa em minhas aulas de Biologia.Parabéns! |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Zig (já que gostaram, adoto) |
| Passei por aqui de novo para ver se já tinha texto novo e vi que virei o judas da página! Eu nem sou psicanalista, só simpatizante da causa, por assim dizer eheheheh |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Salomão |
| Puxa Zigomar,relaxa,afinal o texto não sugere qualquer tipo de tratamento,mas faz constatações claríssimas,aliás quem escreve,sabe fazer isso muitobem,parabéns! |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Helena Cardoso de Souza |
| Perdi um parente com essa doença,ele se matou e conheço vários,com a mesma doença que se mataram também.Como devem sofrer,não? |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Célia |
| Tenho uma amiga que tem vários esquizofrênicos na família,como eles sofrem e a família idem.Não podem nunca deixar de se tratar. |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:SHC |
| Caramba!O Zigomar aí é Freudiano Roxo!!!Sejamos menos radicais,não é Zig?No final das contas é sempre uma causa para um efeito.... |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:dalmás |
| Bom texto. Fácil de entender. Pouco jargão. |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:Mirna |
| Pode mandar as comparações com os macaquinhos |
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| Data:23/01/2009 |
| Nome:zigomar |
| O interesse de vocês é acabar com a psicologia tradicional e enterrar de vez a psicanálise? |
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