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Perdas e Perspectiva
Fonte: Neuro Narrative
Autor: David DiSalvo
Link: http://neuronarrative.wordpress.com/
Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza
Data: 23/03/2009
 
Texto adequado à conjuntura...(Rabujo)

Você pode estar com medo de perder, mas não perca a perspectiva 
 
Qualquer pessoa que tenha perdido algo (qualquer um de nós) sabe que a emoção desempenha um papel preponderante na forma como reagimos à perda potencial. Mãos e lábios superiores suados, dedos irrequietos, joelhos trêmulos, pensamentos desordenados – tudo isso é sinal de tumulto emocional quando se enfrenta o risco de perda - e todos parecem involuntários. Mas um estudo recente indica que nós podemos influenciar o grau de reação emocional, e o nosso nível de aversão à perda. A solução, em suma: pensar como um negociante. 

Os traders (operadores do mercado financeiro), já acostumados, tomam cuidado para não perderem a perspectiva quando enfrentam perdas potenciais. Eles enxergam a perda como parte do jogo, mas não como o fim deste, e racionalmente encaram que aceitar um risco implica na possibilidade de perder. Os pesquisadores queriam investigar se as estratégias de ajuste cognitivo (como as incorporadas pelos traders) poderiam ser utilizadas para afetar a aversão à perda e as correlações fisiológicas de encará-la. 

A alguns indivíduos foram dados 30 dólares e a escolha de apostar o dinheiro, e potencialmente perdê-lo, ou mantê-lo. Eles poderiam teoricamente ganhar até U$ 572, ou perder os U$ 30 e ficarem com nada. Os resultados das suas escolhas foram revelados logo após a escolha ter sido feita (por exemplo, "você ganhou"). Os indivíduos completaram dois conjuntos de opções (140 escolhas por conjunto). Durante o primeiro conjunto, os indivíduos foram informados de que a escolha era isolada de qualquer contexto maior (“como se esta fosse a única a considerar"); durante o segundo conjunto, os indivíduos foram informados de que a escolha era parte de um contexto maior (“como se criasse uma pasta”) - em outras palavras, a introdução de um "maior contexto" (tomando uma perspectiva diferente) funcionou como uma estratégia de ajuste cognitivo. 

Os pesquisadores conduziram esse estudo por duas vezes: na primeira, eles observaram o comportamento; no segundo, eles observaram o comportamento e administraram um teste de condutância da pele (uma medida da atividade do sistema nervoso simpático) para medir o nível de excitação emocional. 

Os resultados: usar a estratégia do ajuste cognitivo teve o forte efeito de diminuir a aversão à perda. Mais importante ainda, apenas os indivíduos com sucesso em diminuir sua aversão à perda, adotando uma perspectiva diferente, tiveram uma redução correspondente na resposta da excitação fisiológica à perda potencial. Então, o ajuste cognitivo levou à menor aversão à perda, o que levou a menos suor sobre o lábio superior. 

A questão permanece: é a aversão à perda uma resposta satisfatória para antecipar o desconforto e a dor (emocional ou física), ou é mais um erro de julgamento causado por uma tendência a exagerar os resultados da perda? Os resultados desse estudo apoiam ambas as posições. Por um lado, as perdas nos fazem sentir pior do que os ganhos nos fazem sentir bem, porque a resposta fisiológica está relacionada ao parecer sobre a perda ou o ganho (em outras palavras, é mais fácil se sentir muito mal sobre uma potencial perda do que se sentir muito bem sobre um potencial ganho, se a perda é ainda uma possibilidade – nós tendemos a permanecer do lado da perda, porque sabemos que dói). 

Por outro lado, o estudo também mostra que o medo da perda pode ser ajustado, o que significa que é uma quantidade modificável. Apesar de a aversão à perda servir para um propósito, há uma grande probabilidade de começarmos com muito mais disto para o nosso próprio bem. 
 
Então, parece que mesmo que sejamos sensíveis à possibilidade de perda, podemos nos tornar menos sensíveis à mesma, mudando o nosso pensamento. Ao adotarmos uma perspectiva diferente e mais ampla, a perda perde alguns dos seus dentes e se torna um monstro menos assustador. 
 
(Uma nota conclusiva: como este estudo abordou perda monetária, eu deixaria a análise nessa categoria e em coisas com a mesma dinâmica (por exemplo, convidar alguém para sair em um encontro, uma entrevista de emprego, etc), e não estendê-la à Perda (com um "P" maiúsculo) da vida, ou da vida de entes queridos; parece-me que isto pertence a uma área totalmente diferente e não deve ser abordado de modo tão prático.)
 
Comentários...
Data:23/03/2009
Nome:Rabujo informa
Continuamos sem poder postar comentários.
 
 
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