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Música
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| Fonte: Not Exactly Rocket Science |
| Autor: Ed Yong |
| Link: http://scienceblogs.com/notrocketscience/2009/03/why_music_sounds_right_-_the_hidden_tones_in_our_own_speech.php |
| Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza |
| Data: 24/03/2009 |
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Por que a maioria dos povos escolheu, entre todos os intervalos possíveis de uma onda sonora, os 12 que compõem a escala cromática? Para responder a essa pergunta, Deborah Ross, Jonathan Choi e Dale Purves, do Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke, nos Estados Unidos, analisaram o som da fala de dez pessoas cuja língua nativa era o inglês dos Estados Unidos (cinco homens e cinco mulheres) e de seis que originalmente falavam mandarim (três homens e três mulheres).
Você já olhou para o teclado de um piano e perguntou por que as notas de uma oitava foram divididas em sete claves brancas e cinco pretas? Afinal, os sons que se situam entre um e outro formam uma gama contínua de frequências. E, no entanto, ao longo da história e em diferentes culturas, temos consistentemente dividido esses conjuntos em doze semitons.
As teclas de um piano são uma representação física dos sons da nossa linguagem. Agora, Deborah Ross e seus colegas da Duke University encontraram a resposta. Esses intervalos musicais realmente refletem os sons de nossa própria fala, e estão escondidos nas vogais que usamos. As escalas musicais apenas soam direito, porque correspondem à frequência da proporção que o nosso cérebro está preparado para detectar.
Quando você fala, sua laringe produz ondas sonoras que ressoam através de sua garganta. O resto do seu trato vocal, os seus lábios, sua língua, boca e tudo mais - atuam como uma sustentação, a traquéia, que muda de forma para alterar as características dessas ondas.
O que eventualmente escapa de nossa boca é uma combinação de ondas sonoras que viajam em diferentes frequências, algumas mais altas do que outras. As mais altas frequencias são chamadas formantes, e diferentes vogais têm diferentes “sinais formantes”. Nosso cérebro utiliza-os para distinguir entre os diferentes sons de vogal.
Os dois primeiros formantes, aqueles com menor frequência, são os mais importantes. O cérebro dá especial atenção a estes e os utiliza para identificar as vogais. Se eles são artificialmente removidos de uma gravação, torna-se impossível compreender o que o falante diz. Por outro lado, livrando-se do maior formante não acontecerá tal coisa.
Apesar da grande variedade de sons em diferentes línguas, e até mesmo uma variedade enorme de vozes das pessoas, os formantes das suas vogais caem em estreitas e definidas gamas de frequências. O primeiro deles tem sempre uma frequência de 200-1000 Hz, enquanto o segundo sempre fica entre 800 e 3000 Hz.
Ross analisou as vogais formantes da Língua Inglesa pedindo a 10 oradores ingleses para lerem milhares de palavras diferentes e alguns monólogos mais longos. Surpreendentemente, ela descobriu que a relação dos dois primeiros formantes nas vogais inglesas tende a cair dentro de um dos intervalos da escala cromática.
Quando as pessoas dizem o som “o”, em um bastão(uma vara,um bambu), a relação entre os dois primeiros formantes corresponde a um sexto maior - o intervalo entre C e A. Quando eles dizem o som o “oo” em uma vaia, por exemplo, a razão corresponde a um terço maior - a diferença entre C e E. Ross constatou que dois em cada três sons de vogal contém um intervalo musical escondido.
Seus resultados não se aplicam apenas ao Inglês tampouco. Ross repetiu suas experiências com pessoas que falam mandarim, uma língua muito diferente, quando os falantes usam quatro tons diferentes para mudar o significado de cada palavra.
Mesmo assim, Ross ainda encontrou intervalos musicais dentro da proporção formante da vogal mandarim. A distribuição das proporções sequer foi semelhante - em ambas as línguas, um intervalo de uma oitava era mais comum, enquanto uma sexta menor era bastante incomum.
A música parece certa para nós, porque os intervalos correspondem à freqüência da proporção de nossas vogais. Ross acredita que esses intervalos ocultos poderiam explicar muitas curiosidades musicais. Por exemplo, as preferências musicais de uma determinada cultura poderiam refletir os formantes mais comumente utilizados no seu idioma.
Dificilmente qualquer música usa o complemento total de 12 semitons e a música Europeia geralmente se limita a apenas 7 – a então chamada “escala diatônica”, representada por um piano de teclas brancas. A música de outras partes do mundo tende a usar a “escala pentatônica”, onde a oitava é dividida em apenas 5 tons.
Ross concluiu que 70% dos intervalos cromáticos em seus dados foram incluídos na escala diatônica, e 80% foram encontrados em uma pentatônica. Ela considera que essas escalas são tão amplamente utilizadas, porque refletem as combinações mais comuns de formantes em nosso discurso.
Ela agora quer ver se a ligação entre formantes e intervalos pode explicar por que uma música de maior clave, instintivamente soa mais feliz e mais otimista do que a música em uma pequena clave.
Formantes são comuns à grande maioria das línguas e culturas, o que explica por que a escala cromática de doze semitons é tão universal. Independentemente das nossas diferenças culturais, é animador perceber que, de certa forma, somos todos iguais.
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| Comentários... |
| Data:25/03/2009 |
| Nome:Rabujo avisa |
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