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Percepção da Expressão e Música
Fonte: NeuroPhilosophy
Autor: NeuroPhilosophy
Link: http://scienceblogs.com/neurophilosophy/2009/05/music_affects_how_we_perceive_facial_expressions.php
Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza
Data: 25/05/2009
 
A música afeta o modo como percebemos as expressões faciais

A música pode ser pensada como uma forma de comunicação emocional pela qual o intérprete transmite um estado emocional para o ouvinte. Esta "língua" é notavelmente poderosa - ela pode evocar emoções fortes e fazer o seu coração disparar ou enviar um frio na espinha. Isso é universal - o conteúdo emocional de uma peça de música pode ser compreendido por qualquer pessoa, independentemente do contexto cultural.

As emoções são evocadas por partes de músicas semelhantes a outras experiências emocionais e podem influenciá-las? A resposta a estas questões não é clara. Mas um novo estudo, que acaba de ser publicado na Neuroscience Letters, prevê evidências tanto fisiológicas como comportamentais de que as emoções evocadas pela música podem ser transferidas para o sentido da visão, e podem influenciar a forma como as emoções, em expressões faciais, são percebidas.

Para o seu estudo, Nidhya Logeswaran e Joydeep Bhattacharya, do Goldsmiths College, em Londres, e da Academia Austríaca de Ciências, respectivamente realizaram duas experiências distintas. No primeiro, mostraram a 30 participantes uma série de alegres ou tristes excertos musicais, cada um com duração de 15 segundos. Depois de cada peça de música, apresentaram a eles fotografias de rostos, mostrando uma feliz, triste, ou neutra expressão. As fotografias foram mostradas numa tela durante 1 segundo, após o qual pediram a eles que classificassem a emoção em uma escala de 1 a 7 pontos, onde 1 indica tristeza extrema e 7, uma felicidade enorme.

Assim, os estímulos emocionais visuais - as fotos de rostos - foram "preparados" por um estado emocional transmitido por uma peça de música. Todos os participantes identificaram corretamente as emoções expressas pelos rostos nas fotografias apresentadas a eles. No entanto, rostos felizes, estimulados por uma peça de música alegre foram classificados como mais felizes do que quando “preparados” por música triste. Inversamente, rostos tristes provocados por uma peça de música triste foram classificados como mais tristes do que os estimulados com uma peça de música feliz. Finalmente, rostos com expressões neutras foram classificados mais elevados quando estimulados por uma peça de música alegre e mais baixos quando provocados com uma peça triste.

O tamanho do efeito da preparação para as expressões neutras foi considerado quase duas vezes maior do que aquele do efeito para as caras felizes e tristes. Isto pode ser porque os rostos neutros contêm menos informação do que aqueles que expressam uma emoção ou outra, e, por conseguinte, de certa forma, um tanto quanto ambíguas. Nós sabemos que o cérebro integra informação dos diferentes sentidos para construir representações dos mundos externo e interno; assim, na ausência de informação visual relevante, ele pode consequentemente se tornar mais dependente da informação de outros sentidos ao gerar essas representações.

O segundo experimento, envolvendo 15 diferentes participantes, foi concebido da mesma forma, mas desta vez, Logeswaran e Bhattacharya utilizaram eletroencefalograma (EEG) para gravar o evento - relacionado com potenciais - da atividade elétrica no cérebro associada com a percepção de estímulos auditivos e visuais apresentados. Uma série de estudos de EEG anteriores demonstrou que as nossas respostas emocionais à música estão associadas a distintos padrões de ativação cerebral - uma peça de música alegre, ou da qual gostamos, provoca um aumento da atividade registrada por eletrodos colocados sobre o lobo frontal e temporal esquerdos, enquanto peças de música que evocam as emoções negativas são associadas com o aumento da atividade no lobo frontal e temporal direito. Um efeito semelhante lateralizado também foi observado para emocionalmente significativos estímulos visuais.

Em suas análises, os pesquisadores compararam pares de condições nas quais as fotografias das mesmas emoções faciais foram provocadas diferentemente. Em ambas as condições, um sinal associado com os estágios posteriores de processamento facial, o chamado componente específico do rosto-N170, foi medido a partir de eletrodos colocados sobre os lobos parietal e occipital. Inicialmente a partir dos eletrodos frontal e central, seguido de mais atividade nos eletrodos localizados em direção à parte traseira do crânio. No entanto, uma diferença foi observada entre aqueles em condições nas quais as expressões neutras eram provocadas por peças de música alegre e aqueles que foram estimulados pela música triste. A antiga condição, mas não a última, foi associada com um efeito significativo nos eletrodos frontal e central durante um período de tempo de 50-150 milissegundos.

Este estudo demonstra que a música tocada para os participantes influenciou a forma como viam o conteúdo emocional dos rostos mostrados imediatamente depois, de tal forma que a classificação emocional das faces nas fotografias foi tendenciosa para a direção das emoções expressas na música. Ele também apoia a conclusão de as emoções felizes e tristes, evocadas pela música, produzem diferentes respostas fisiológicas no cérebro, e sugere que a “ligação” de pistas emocionais, auditivas e visuais, ocorre em uma fase inicial de processamento neural.

Este é um dos vários estudos recentes que demonstram que a atividade em um sistema sensorial pode modular a atividade em outro. No mês passado, pesquisadores do MIT demonstraram que uma ilusão de ótica do chamado movimento pós-efeito pode ser transferida para o sentido do tato, e um pouco antes, pesquisadores italianos mostraram que a sensação de toque pode ser influenciada pela forma como percebemos outras. Já era sabido que a música pode influenciar a percepção das emoções nos estímulos visuais quando apresentados simultaneamente, mas esse novo estudo é o primeiro a mostrar que as emoções evocadas por música podem afetar a percepção do conteúdo emocional em estímulos visuais apresentados posteriormente. Estes novos resultados também sugerem que o processo emocional tem lugar na consciência perceptiva, e não está baseado em julgamentos e decisões.

 
Comentários...
Data:27/05/2009
Nome:Walkíria
A música afeta não somente as as expressões faciais, ela afeta nossa vida toda!
Data:27/05/2009
Nome:bemma
Nossa experiencia pessoal diz que é verdade de que os sentidos e as percepções influenciam uns aos outros e é bom ver evidência cientifica disso.
Data:27/05/2009
Nome:carlos b.
Dirigir, só ouvindo Vivaldi.
Data:27/05/2009
Nome:o cético
Parece óbvio.
 
 
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