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Pacman e Instinto
Fonte: Not Exactly Rocket Science
Autor: Ed Yong
Link: http://scienceblogs.com/notrocketscience/
Tradução: Joana Alencastro
Data: 29/07/2009
 
Você está sendo caçado, perseguido através de um labirinto por um predador implacável. Você considera suas opções e planeja a melhor escapada, ou você se desliga e conta apenas com seu instinto? Um novo estudo fornece a resposta: você faz ambos, mudando de um para o outro dependendo do quão distante a ameaça se encontra.

Estudos mais antigos descobriram que as diferentes partes do cérebro de um roedor eram ativadas quando face a face com o perigo - dependendo do quão iminente o perigo estivesse. Agora, cientistas da  University College London descobriram a mesma coisa nos cérebros humanos.

Seria uma estratégia pobre manter-se com o mesmo comportamento defensivo em todas as situações. Existem ameaças e ameaças - simples assim – e precisamos de diferentes tipos de comportamento para superar as diferentes escalas de perigo. Quando um predador está a 50 pés de distância, nós temos o tempo e o espaço para considerar nossas opções e planejar uma fuga. Mas se ele estiver a 5 pés de distância tais luxúrias não são aconselhadas e nem saudáveis, e o comportamento deve ser rápido e reflexivo. No milésimo de segundo entre a vida e a morte, o melhor plano a se agarrar – tanto de ratos como de homens – é o de permanecer com uma dessas opções: lutar,  fugir  ou congelar.
Isso parece razoavelmente óbvio, mas Dean Mobbs e seus colegas observaram, na realidade, a mudança detonada pelo escaneamento de cérebros de diversos voluntários, enquanto eles estavam sendo perseguidos por um predador. É claro que comitês de ética iriam fazer cara feia se fosse permitido que um urso caçasse alguns voluntários, então a experiência foi feita com o jogo virtual Pac-Man, onde duas pessoas tem que fugir de um predador virtual através de um labirinto. Mas eles não estavam totalmente salvos; se eles fossem pegos receberiam um eletrochoque.

Utilizando uma técnica de escaneamento chamada ressonância magnética funcional, Mobbs viu que quando o predador se distanciava, a matéria demonstrava atividade forte no córtex pré-frontal (PFC). Essa parte do cérebro situa-se atrás da testa e está envolvida com o planejamento de comportamentos complexos, entre outras coisas. Mobbs acredita que nesse ponto, o PFC está comparando diferentes estratégias para evitar a ameaça. Em particular, eles perceberam alta atividade no córtex pré-frontam ventromedial (vmPFC) - uma região que envolve o processo de riscos e do medo.

Mas assim que o predador se aproximava, a atividade se mudava para a área conhecida como periaqueduto cinzento (PAG). Localizado profundamente dentro do cérebro, o PAG é uma região ainda mais anciã do que o PFC, e controla respostas mais simples e primitivas – é o centro lute-ou-fuja  do cérebro.

Se o PAG está engatilhado nos ratos, o ritmo cardíaco e a pressão sangüínea aumentam e, também, ou congelam ou correm. Mobbs pensa que, essencialmente, a mesma coisa acontece aos homens. Com a morte (ou um choque) se aproximando rapidamente, o PAG encerra as funções complexas do cérebro e se aparelha para uma resposta rápida e instintiva.

Um predador se aproximando engatilha até mesmo diferentes partes da amígdala, o centro do controle emocional do cérebro. Quando está distante, a amígdala basolateral se acende – a região conecta-se diretamente ao PFC e auxilia o acesso ao nível da ameaça. Com a proximidade do predador, a ação se desloca para o núcleo da amígdala central, que se conecta ao PAG e ajuda a decretar respostas de defesa.
A mudança do planejamento para o impulso era muito mais forte quando a ameaça ou a dor eram maiores. Se era dito aos voluntários que eles levariam choques mais potentes, seus PFCs eram ativados em uma extensão mais baixa, enquanto seus PAGs mostravam uma atividade maior.

A mudança entre o PFC calculista e o impulsivo PAG poderia ter salvo inúmeras vidas humanas por todo o curso da história. Mas Mobbs pensa que também poderiam ter causado alguns problemas. Quando esse sistema cuidadoso enlouquecer isso poderia significar que as pessoas fariam julgamentos errôneos a respeito da severidade de ameaças potenciais, e dessa maneira, mudariam para o modo instintivo muito rapidamente. Essas falhas nas funções podem estar por trás de ataques de ansiedade e distúrbios de pânico.

Reference: Mobbs, Petrovis, Marchant, Hassabis, Weiskopf, Seymour, Dolan & Frith. 2007. Science 317: 1079-1083.
 
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