BioFilosofia
 
 
Na Imprensa
Afinal. o que elas querem? Parte Dois
Fonte: New York Times Magazine
Autor: Daniel Bergner
Link: http://www.nytimes.com/2009/01/25/magazine/25desire-t.html?_r=2&pagewanted=all
Tradução: Heloísa Cavalcanti de Souza
Data: 30/01/2009
 
Vamos hoje com a sequencia do artigo de ontem.  Como o artigo é muito extenso para nosso pequeno espaço, tivemos de editá-lo seriamente. Esperamos não ter prejudicado o entendimento do que é crucial no texto, e recomendamos fortemente, para quem tem acesso, a leitura do texto original, que é brilhante.

O conteúdo é polêmico, e a terceira parte será ainda mais forte. Que não se negue: Meredith Chivers é uma mulher de coragem.

Em última análise, porém,  Chivers - sempre com a precaução de um cientista - vê  a sexualidade feminina como dividida entre dois sistemas separados e superpostos, o fisiológico e o subjetivo. O desejo, nesta formulação, reside no subjetivo, no cognitivo; a excitação fisiológica revela pouco sobre o desejo. Caso contrário, ela disse, meio brincando, "eu tenho que acreditar que as mulheres querem ter relações sexuais com bonobos".

Além dos bonobos, um conjunto de provas envolvendo estupro tem influenciado esta estrutura de sistemas separados. Ela tem confrontado relatórios de investigação clínica, não só da excitação genital, mas também da ocorrência ocasional de orgasmo durante a agressão sexual. E ela lembrou sua própria experiência, como terapeuta, com as vítimas que relataram estas respostas físicas. Também são conhecidos os resultados preliminares de um estudo de laboratório mostrando aumentos de fluxo sanguíneo vaginal em mulheres ouvindo descrições de cenas estupro. Então, em uma tentativa de compreender o contexto da excitação sexual indesejada, Chivers,assim como um punhado de outros sexólogos, chegou a uma hipótese evolutiva que acentua a diferença entre a disponibilidade e o desejo sexual. A lubrificação vaginal, ela escreve em seu próximo ensaio na Archives of Sexual Behavior, é necessária "para reduzir o desconforto, e a possibilidade de lesão, durante a penetração vaginal. Ancestrais femininas que não apresentaram uma resposta automática vaginal para dicas sexuais podem ter tido maior probabilidade de lesões durante a experiência indesejada da penetração vaginal, o que resultou em doença, infertilidade ou até mesmo em morte e, por conseguinte, é menos provável que tenham passado essa característica para seus descendentes”.

O resultado da evolução, de acordo com esta teoria, é que as mulheres são propensas à lubrificação, somente para se protegerem, quando percebem sugestões de sexo a sua volta. Pensando em seus próprios dados, Chivers especulou que o coito dos bonobos , ou talvez, simplesmente, a vista da ereção de um macaco macho, estimula essa reação porque os símios têm uma semelhança com os seres humanos - ela brincou sobre a inclusão, para efeitos de comparação, sobre um filme de acasalamento de frangos em um futuro estudo. Se perguntando se a teoria  explica por que as mulheres heterossexuais responderam sexualmente mais à visão de uma mulher fazendo ginástica do que à visão de um homem se exercitando (veja o texto de ontem) ela imagina que,  a exposição e a inclinação da vulva da mulher durante a ginástica é processada como um sinal sexual, enquanto o pênis não ereto do homem registra um caminho oposto.

Ao olhar para a questão do desejo feminino, ela considera a possibilidade de que, juntamente com o que ela chamou de sistema de excitação reflexiva fisiológica sem rumo, o sistema feminino do desejo, o domínio cognitivo da luxúria é mais receptivo do que agressivo. "Uma das coisas que eu penso", disse ela, "é a dupla formada por homens e mulheres. Certamente as mulheres são muito sexuais e têm a capacidade de ser ainda mais sexuais do que os homens, mas uma possibilidade é que, em vez de terem um tipo de sexualidade “vai e pega”,  seria  mais de um processo reativo . Se tiver esta dupla, e a parte cheia de testosterona (o homem) é mais interessada em assumir riscos e, provavelmente, mais agressiva, você tem uma motivação muito forte. Não faria sentido a outra parte (a mulher) ter  vigor semelhante. Você precisa de algo complementar. E eu tenho pensado muitas vezes que o “ser desejada” é algo muito poderoso para a sexualidade das mulheres. O elemento receptivo. Em algum ponto eu adoraria fazer um estudo que se voltasse para isso. "

O estudo no qual Chivers agora está trabalhando tenta analisar novamente os resultados de sua pesquisa anterior, para investigar, com áudio em vez de histórias e cenas filmadas, a aparente falta de rumo da excitação feminina. Mas isso vai oferecer, também, um olhar sobre o papel das mulheres em relacionamentos eróticos. Alguns dos scripts que ela escreveu envolvem sexo com um antigo amante, alguns com um amigo, outros com um estranho: "Você encontra o agente imobiliário fora do edifício. . . "

A partir das  primeiras análises destes dados, ela aposta que vai encontrar que as mulheres se excitam mais, subjetivamente, se não objetivamente, pelos cenários de sexo com estranhos.


 
Comentários...
Data:03/02/2009
Nome:Rafaela
Houve um estudo sobre as preferências femininas e numalista de 10 preferências, o sexo está em oitavo lugar, nem precisa dizefr mais nada...
Data:30/01/2009
Nome:Renata
Pois é,homens,penetrem nos mistérios femininos...
Data:30/01/2009
Nome:zeca
Esta mulher é muito macho e sabe das coisas!!!!
Data:30/01/2009
Nome:Walkíria
Carlos,concordo plenamente.Eu já desconfiava que você é um homem esperto.
Data:30/01/2009
Nome:carlos b.
Mulheres querem ser adoradas, idolatradas, admiradas. Homens, de joelhos! Sempre desconfiei. rsrsrs
Data:30/01/2009
Nome:Aluísio o cético
Alguém me perguntou sobre meu ceticismo - quero esclarecer que é no sentido científico da coisa. Quero ver os testes, os resultados. Sem eles, as idéias não se sustentam.
Data:30/01/2009
Nome:Aluísio o cético
Fato é que a dona Meredith deve enfrentar uma patrulha e tanto das feministas trogloditas, especialmente com estas questões sobre prazer e estpro, assunto tabu-total.
Data:30/01/2009
Nome:Célia
Que coisa,o negócio aqui ficou quente mesmo e eu acho sim,que essa pesquisadora teve a coragem de fazer uma constatação.As mulheres são muito mais transcedentais na hora do sexo,são mais sutis,mais intelecto,...
 
 
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