BioFilosofia
 
 
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Guerra dos Sexos
Fonte: Frontal Cortex
Autor: Jonah Lehrer
Link: http://scienceblogs.com/cortex/2009/03/men_vs_women.php
Tradução: Heloisa Cavalcanti de Souza
Data: 30/03/2009
 
Meninas, observem: “Os cérebros dos machos são apenas para”fazer a matemática” e desligar depois de terem tomado uma decisão”. Essa frase não nos remete a algo bem conhecido por nós? Será que este artigo explica o porquê de as mulheres gostarem tanto de discutir a relação e “eles” serem famosos por virarem para o lado e dormirem?  (Heloisa)

     “Existe alguma diferença entre o cérebro masculino e o feminino quando se trata de tomada de decisão? As mulheres são muito mais intuitivas? Qual deles decide melhor?”.

Embora certamente existam diferenças relevantes entre o cérebro masculino e o feminino - que o banho de hormônios sexuais no útero pode causar efeitos significativos - acho que é importante começar enfatizando a profunda irrelevância do sexo na maioria dos estudos experimentais de tomada de decisão.

Vamos começar com esse eterno clichê sobre a intuição feminina. Meu palpite é que à mulher são associados intuição, emoção e todos os outros “irracionais” aspectos da cognição, simplesmente porque isso rebaixa o cérebro feminino. Embora os neurocientistas agora respeitem os poderes de transformação das nossas emoções - elas refletem tudo o que toma lugar no inconsciente - isso não foi sempre assim. Dizer que alguém entregou seus sentimentos era uma outra maneira de dizer que faltou a coragem e a inteligência de ser racional. Veja Aristóteles:

A fêmea é mais suave ao arranjar as coisas, é mais maliciosa, menos simples, mais impulsiva e mais atenta na educação dos jovens... A verdade é que a natureza do homem é mais circular, mais completa.

Kant elaborou sobre a “suavidade” da mente feminina e associou os pensamentos abstratos aos homens e às mulheres, em contrapartida, foram boas em lidar com o concreto e o mundano. Stanley Hall, o influente psicólogo americano, não foi muito mais longe (como citado aqui):

Ela funciona através da intuição e do sentimento, medo, raiva, piedade, amor e a maior parte das emoções têm uma gama mais ampla e de maior intensidade. Se ela abandonar a sua natural ingenuidade e absorver a carga de orientação e se tornar calculista, pela consciência, provavelmente vai perder mais do que ganhar, pois de acordo com o velho ditado: ”A mulher que reflete está perdida”.
 

Desnecessário será dizer que Aristóteles, Kant e Hall não citam provas ou experiências para a fragilidade da mente feminina - eles assumiram isso como um dado. Mas, como já referido anteriormente, existe muito pouca evidência de que as mulheres são mais “intuitivas”, seja lá o que isso signifique. De fato, vários estudos que comparam diretamente os estilos de tomada de decisões de homens e mulheres encontraram exatamente o oposto. Considere este estudo de 2001, recentemente resumido por Michael Lewis:

Já em 2001, o MITs Quarterly Journal of Economics publicou um intrigante documento chamado “Boys Will Be Boys: gênero, presunção, e ações ordinárias de Investimento”. Os autores, Brad Barber e Terrance Odean, ganharam acesso à atividade comercial em mais de 35.000 famílias, e a utilizaram para comparar os hábitos de homens e mulheres. O que eles descobriram, em poucas palavras, é que os homens não apenas comercializam com mais freqüência do que as mulheres, mas fazem-no a partir de uma falsa fé no seu próprio julgamento financeiro. Os homens solteiros fazem transações menos sensatas do que os casados, e os homens casados negociam menos sensatamente do que as mulheres solteiras: quanto menor a presença feminina, menos racional é a abordagem para a negociação nos mercados.


Tomemos Aristóteles.

Naturalmente, a maioria destes estudos é comportamental. O que pode nos ensinar a neurociência? Um dos poucos estudos sobre tomada de decisões que encontrou uma diferença relevante entre os cérebros masculino e feminino provém do trabalho de Colin Camerer, em Cal-Tech, e Read Montague, no Baylor College of Medicine. Os cientistas elaboraram um simples jogo lucrativo de troca que é chamado de jogo da confiança, e este funciona da seguinte forma: no início de cada uma das 10 rodadas, a um “investidor” é dado um investimento de $ 20. Eles podem mantê-lo todo ou “investir” alguns com um “administrador”. Qualquer dinheiro que ganhem é triplicado e, em seguida, o administrador tem a opção de devolver uma parte desse montante para o investidor. Por exemplo, se o investidor fica com $ 10 e investe $ 10, então o administrador tem que dividir $ 30 ($ 10 x 3). No entanto, se o administrador decide manter todo o dinheiro, não há nada que o investidor possa fazer sobre isso. Uma vez que o jogo da confiança é um jogo jogado normalmente por 10 rodadas, os dois jogadores têm um incentivo egoísta para confiarem uns nos outros.

Enquanto esse simples jogo corria, Camerer e Montague fotografavam os cérebros dos dois jogadores, permitindo que os cientistas detectassem as raízes neurais de fidelidade e traição. O que tem isso a ver com o gênero do cérebro? Bem, os homens e as mulheres tendem a jogar o jogo da confiança de formas bastante diferentes. Observe Camerer:

Encontramos um surpreendente efeito de gênero. Quando os homens decidem quanto à confiança ou reembolso, uma área denominada “sulco cíngulo medial” está ativa. Essa é uma área utilizada para processar a potencial recompensa e calcular números. Os cérebros dos machos são apenas para “fazer a matemática” e desligar depois de terem tomado uma decisão. Os cérebros femininos são bastante diferentes. Depois de as mulheres terem decidido quanto reembolsar, mas antes de saber como seu parceiro reagiu à sua decisão, áreas do cérebro que agem processando a potencial recompensa (córtex pré-frontal ventromedial e estriado ventral) e na regulação da preocupação e detecção de erros (núcleo caudado) estão ativas. As mulheres são preocupadas, e pensam sobre as consequências da recompensa, depois de terem decidido quanto ao reembolso.

Meu palpite é que o futuro trabalho sobre as diferenças de gênero encontrará abundância de formas para distinguir os cérebros masculino e feminino. Mas essas diferenças não serão reduzidas à banalidade, truísmos gerais (“a verdade jamais é pura e raramente é simples”), tais como “as mulheres são mais intuitivas” ou “os homens são melhores em pensamento abstrato”. Em vez disso, essa investigação incidirá sobre disposições específicas, tais como o trabalho de Camerer e Montague, que sugere que as mulheres tendem a ser um pouco mais interessadas em analisar as interações sociais. Quando se chega ao cérebro, os clichês nunca são verdadeiros.
 
Comentários...
Data:31/03/2009
Nome:Walkíria
Eu nem sei porque ainda perdem tempo estudando se nós somos supeiores. Quererm provar que não. Ainda não ficou claro? Além de sermos tudo isso, além de ainda fazermos o que eles fazem, ainda conseguimos ser sensíveis, românticas, piedosas, etc, e como dizem, "isso tudo de salto alto".
Data:30/03/2009
Nome:Rabujo
Elas vão deitar e rolar!
 
 
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