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| O que está acontendo com a Feira do Livro II? |
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| Autor:
Carmen |
| Data:
01/11/2006 |
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No último blog comentei que as vendas na Feira do Livro deste ano estão fracas. E comecei a esboçar as razões para este comportamento. Citei a queda da renda aqui no Sul como a principal causa. A seguir citei o gigantismo do evento, que se espalha pela Praça da Alfândega, ruas vizinhas, Cais do Porto e centros culturais – com tanta coisa para ver e comprar, sobra menos para cada um dos expositores. Mas vamos em frente.
Temos agora uma questão delicada, que é a presença das editoras e distribuidoras. É evidente que estas presenças reduzem as vendas das livrarias na Feira. Mas também é claro que a Feira é uma oportunidade destas empresas mostrarem seu trabalho, inclusive itens menos badalados de seus catálogos, que, de qualquer forma, não seriam expostos pelas livrarias presentes na Praça. Fica aqui o registro desta tensão, que não é recente, mas que merece uma solução nova e criativa, onde todos ganhem, ou, pelo menos, onde possamos perder menos.
A “síndrome dos best-sellers” é outro ponto interessante. Todos procuram apresentar em destaque em seus stands aqueles livros que, imaginam, têm maior potencial de vendas. Livros do mais recente agraciado com o Prêmio Nobel, por exemplo. Ou livros sobre a polêmica da hora. Ou o último Paulo Coelho. Se considerarmos que as editoras e distribuidoras presentes também tendem a expor seus best-sellers, está aí desenhado o quadro da mesmice. De qualquer forma, o resultado é uma “padronização” das bancas. Por estranho que pareça em uma grande feira de livros, o número de títulos apresentados é provavelmente inferior ao que você encontra em uma megastore, e sem a segurança, facilidades e crédito farto fornecidos por estas lojas.Talvez a abertura de uma grande loja da livraria Cultura aqui em Porto Alegre esteja começando a trazer alguns efeitos colaterais não previstos...
Conversando ontem com amigos do setor, despertei para um outro inesperado fator: a Feira Infantil. Segundo depoimentos, depois de horas acompanhando seus pequenos, em um espaço à parte, no Cais do Porto, muitos pais querem é sair dali, voltar para casa, cansados. Não sobra energia para a caminhada até a Praça da Alfândega e uma nova maratona de visitação de bancas.
Quero ainda chamar a atenção para os efeitos da presença de especialistas em pontas de estoque e encalhes. Ao venderem livros recentemente editados a preços baixíssimos, drenam o bolso, já anêmico, do consumidor. Isto é do jogo comercial, mas há outro problema: estes preços muito reduzidos acabam sendo tomados como referência por muitos compradores. Frustrados ao constatarem os preços mais elevados praticados pelos demais participantes, muitas vezes nada mais compram. Caso delicado este também...
Resumindo: pouco dinheiro no bolso do consumidor, gigantismo, mesmice e abertura para muitos participantes de categorias e interesses diferentes são os males da Feira do Livro de Porto Alegre. Mas esta é a visão de uma dona de livraria. Se vocês falarem com o pessoal da distribuição, a interpretação provavelmente seria bem outra... |
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