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| O EMENTÁRIO PICTÓRICO |
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| Autor:
Carmen |
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03/01/2006 |
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A Carla Maicá falou recentemente aqui da Biblioteca do Dr. Nilson, referindo-se à sua assinatura caprichosa e aos recortes com que abundantemente “completava” seus livros. Pois hoje vou voltar ao assunto, para introduzir nosssa nova exposição virtual, que deve ir ao ar na próxima sexta-feira (se as divindades digitais deixarem, claro).
A história começou com um telefonema comum, pedindo avaliação para possível compra de uma grande biblioteca. Ao chegar ao local, um modesto apartamento térreo em uma zona de classe média baixa da cidade, duvidei seriamente do adjetivo “grande”. Na sala, uma pequena estante com alguns poucos livros de Direito pareciam confirmar minha expectativa. As pessoas ali presentes me informaram então que a biblioteca pertencera a um parente, recentemente falecido, e que precisavam desocupar o espaço, pois o livros, que ele colecionara durante uma vida, não lhes teriam utilidade e impediam a utilização do imóvel. Passamos então ao interior do apartamento, e a proverbial Surpresa! aconteceu. Três quartos cobertos de estantes lotadas de livros me esperavam. Alegria, Alegria! Poucas coisas podem deixar um sebista mais feliz do que acontecimento como este. Mas faltava ainda avaliar os livros. E a tarefa não seria tão rápida, pois todos os livros encontravam-se encapados em papel pardo, reaproveitado de pacotes de supermercado. Era necessário abrir um a um. Aos poucos fui desvendando a biblioteca e, por tabela, a alma de seu dono.
Dr. Nilson fizera sua vida como policial. Começara no interior do Estado, como os carimbos e notas de livrarias mostravam e, à medida que subia na carreira, foi se aproximando da Capital. Introvertido, meticuloso, apaixonado por música clássica a ponto de dar a seus filhos nomes de grandes compositores, dedicou talvez meio século a comprar, ler, anotar e “completar” livros. A maior parte da biblioteca era constituída de uns poucos temas: arte, história, música, sexualidade, viagem, alguma poesia. Os livros mais recentes versavam sobre medicina alternativa, expressão da preocupação com a doença que acabou por vitimá-lo. Tenha a impressão de que realmente “viajava” através do livros. Havia centenas de recortes sobre locais históricos e obras de arte dentro dos livros. Mas o recortes não foram simplesmente lá jogados não. Consigo vê-lo lendo o jornal diário ou a revista semanal em busca de matérias de interesse, recortando as mais interessantes e as “arquivando” escrupulosamente nos livros mais indicados.
Entre tantos “tesouros”, veio uma coleção aparentemente completa da revista “Eu Sei Tudo”. A revista era um “Magazine Mensal Ilustrado”, publicado pela Companhia Editora Americana no Rio de Janeiro a partir de 1917. Ao contrário da imprensa atual, onde a facilidade de busca da informação é condição fundamental, a “Eu Sei Tudo” era organizada, ou simplesmente montada, como uma caixa de surpresas. Páginas de Arte, Nossa terra, A Sciência ao Alcance de Todos. Novidades e Invenções, Romances, Contos e Aventuras, Percorrendo o Mundo ou Para Recitar seguiam-se sem uma ordem visível. Muitas vezes as páginas acolhiam uma profusão de pequenas notas desconexas, como se o diagramador estivesse sob pressão para fechar a edição. Verbertes da “Pequena Enciclopédia Popular” eram perfeitos para esta função.
Além de tudo isso, a revista trazia belas ilustrações coloridas, às vezes reproduções de obras famosas, à vezes trabalhos inéditos de artistas ainda desconhecidos. O Dr. Nilson certamente apreciava estas ilustrações. Tanto as apreciava que nos pregou pequena peça. Ao conferir a coleção, notei qua algumas páginas haviam sido arrancadas, provavelmente ilustrações, pois sua ausência nunca danificava os textos. A dúvida prosseguiu, até que encontrei um volume encadernado com o título “EU SEI TUDO – EMENTÁRIO PICTÓRICO”. Ali, ele havia reunido 150 imagens, provavelmente suas preferidas.
Há algum tempo venho pensando em compartilhar a riqueza desta revista com os amigos da Traça. Não só os textos saborosos e que dão uma visão impressionantemente detalhada da época, mas também as ilustrações e até os reclames, divertidos em sua ingenuidade, pelo menos aos nossos olhos. Vamos começar então pelo Ementário Pictórico organizado pelo Dr. Nilson.
Sexta-Feira, na Traça !!
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