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| Epstein e a Editoração em Tempos de Internet |
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| Autor:
Carmen |
| Data:
04/04/2006 |
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Ontem mostrei um pequeno trecho do livro de Jason Epstein, “O Negócio do Livro”, que se referia às livrarias independentes. Epstein não se mostrava confiante, já no ano 2000, quando foi escrito. De lá para cá, a situação piorou para os pequenos. Vamos ver agora o que ele pensava da atividade editorial, frente à Internet e sua revolução. Note-se que o texto foi escrito antes do aparecimento maciço dos blogs e de outras formas de compartilhamento de informação, no movimento que hoje chamamos de Web 2.0 (detesto esta denominação!). Aí estão os parágrafos finais do livro:
“Entre as muitas tiranias a serem superadas pela Web estarão as exigências de giro dos livreiros do varejo. Nas prateleiras da Internet infinitamente expansíveis, haverá espaço para uma variedade virtualmente ilimitada de livros, que poderão ser impressos a pedido ou reproduzidos nos handheld readers ou dispositivos similares. A invenção do tipo móvel criou oportunidades para os escritores que não podiam ter sido previstas nos dias de Gutemberg. As oportunidades à espera dos escritores e leitores no futuro próximo são imensuravelmente maiores.
Os obstáculos impostos entre leitores e escritores pelas práticas editoriais tradicionais – um sistema de improvisações acumuladas ao longo de gerações de caprichos e impasses das tecnologias obsoletas – serão fulminados. A relva da aldeia global não será o paraíso. Será indisciplinada, polimorfa e poliglota, como tem sido o nosso destino e o nosso meio desde que a autocracia divina mostrou o poder de seus músculos derrubando a monolíngue Babel. Contra as objeções dos inúmeros deuses locais e de seus vigários, os escritores têrm desde então improvisado suas próprias torres, muito imperfeitas – clareiras nas florestas, mercados em Atenas, catacumbas em Roma, grafites nas paredes das prisões, samizdat nos campos siberianos, e o farão daqui por diante em um âmbito sem precedentes na rede mundial na internet. A este respeito, existem fortes motivos para otimismo. A capacidade crítica que separa o significado do caos é parte de nossa bagagem instintiva, assim como também o é o dom de criar e recriar as civilizações e suas regras sem a orientação externa. Os seres humanos possuem o talento de encontrar os seus próprios caminhos, de criar bens, de montar mercados ordenados, de distinguir qualidade e de atribuir valor. Podemos considerar esta necessidade garantida. Não exite motivo para temer que a espantosa diversidade da Web venha a esmagá-la. Na verdade, a diversidade da rede ampliará os poderes dessa capacida; pelo menos é o que a nossa experiência de humanidade permite que esperemos.
Se as editoras se adaptarão a essas oportunidades com visão ou se as deixarão para outros, não está claro. O que está claro é que, na Web, as tarefas das editoras poderão reduzir-se a um punhado: apoio editorial, publicidade, projeto, digitalização e financiamento. Para essas funções, o tamanho não confere vantagens e em certa medida transforma-se em tolice. Minha previsão é de que as unidades editoriais futuras serão pequenas, embora possam estar relacionadas com uma fonte financeira central. Na medida em que os escritores entreguem o conteúdo de suas mentes direto às mentes dos leitores na rede, como Stephen King o fez, tais funções editoriais residuais, como o marketing, as vendas, a entrega e a estocagem, juntamente com suas burocracias e ineficiências, poderão ser minimizadas e atribuídas a empresas especializadas. A edição de livros pode deste modo tornar-se mais uma vez uma pequena indústria de unidades diversas e criativas, ou pelo menos há hoje motivos para crermos nisso.” |
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