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| Série Economia e Política |
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| VIVA ROUSSEAU! |
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| Autor:
Fernando Simões Nogueira |
| Data:
07/02/2008 |
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O mapa das ruas de Porto Alegre, por tantas vezes cantada como queria o poeta Mário Quintana, ostenta um quadro cada vez mais alarmante e perigoso. A hostilidade decorrente às desigualdades aumenta por parte de certos grupos. Ou quem sabe, agora, nesse verão de 2008, ela tenha ficado decisivamente visível, mas não facilmente explicável. Direi apenas o que vi, não o que me contaram.
Eu caminhava ali na Cristóvão Colombo, em frente ao mercado “Rissul”. Na minha frente havia um mendigo sujo, manco e chapado de cola e cachaça. Um negro ainda jovem. Ele estava realmente na pior. Já no sentido contrário, vinha um carro branco em baixa velocidade, com dois jovens, brancos e carecas. O cabeça que estava sentado no passageiro abriu o vidro do Palio e atirou o copo cheio de Coca- Cola no corpo do infeliz. Senti-me agredido também.
Depois, como fazem os covardes, o motorista acelerou o carro e, infelizmente, pude ver a expressão bizarra do delinqüente por ter conseguido o objetivo. Era uma expressão medonha, um sorriso completamente desfigurado. Aqueles dois fizeram isso como se já não bastasse a história imunda dessa galera que amarga na pele e no osso aquilo que, ninguém, nem eu mesmo, estaria disposto a ouvir.
Uma vez fui agredido por um babaca a cerca de dois anos atrás, enquanto andava na rua Dom Pedro. Foi uma situação muito parecida, porém gravíssima: o malandro arremessou um tijolo do carro em movimento e eu tive uma costela trincada na altura do peito.
É alarmante o espetáculo de circulação de veículos velozes em ruas estreitas. O cerceamento da liberdade de circular despreocupado por aí me faz ter a certeza de que um simples descuido pode ser fatal.
Destarte, minha principal bronca é com os metidos a valentões. Não me surpreende que os porto-alegrenses prefiram passar a maior parte do tempo livre, dentro de suas casas. Por isso, eu, como sociólogo que sou, insisto que os principais problemas sociais do nosso tempo ocorrem fora e a partir do ambiente desestruturado do núcleo familiar. VIVA ROUSSEAU!
Rousseau foi o pensador que partiu do princípio das convenções para explicar a ordem social. As convenções nascem na mais antiga de todas as sociedades, a família. É nela que encontramos o primeiro modelo de uma sociedade política. O chefe é a imagem do pai, e o povo a imagem dos filhos. Quem sabe mais amor fará a diferença!
É uma postura infantil resolver os problemas estruturais da sociedade com violência, ao contrário do que revela uma garota, sem saber do ocorrido na Cristóvão: “A gente só pode chutar os mendigos pra aliviar a tensão!”.
Pois é, o que faz desse tema algo difícil de ser compreendido é a extensão em que a moderna violência está mecanizada e industrializada (assim como as montanhas de copos descartáveis), enquanto que nossa maneira típica de imaginar a violência ou de pensar a seu respeito é traduzida em termos de confrontos diretos entre indivíduos e pequenos grupos.
Em diversos pontos a miséria se manifesta. Através de pedintes que abordam sistematicamente os passantes, geralmente contando histórias tristes. Bom, eu não posso agir em tudo o que penso estar errado, nem devo. Fernando Simões Nogueira |
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| Comentários... |
| Data:
09/02/2008 |
| Nome:
junior |
Como diria o poeta:"Chega um tempo em que que não se diz mais Meu Deus,um tempo de pura depuração! Chega um tempo em que não se diz mais Meu Amor,pois o amor resultou inútil"....
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