Pois é, estréio hoje no Blog da Traça. Não é bem uma estréia, já que havia participado da feitura de outros textos, sempre em colaboração com a Dona Traça. Mas, desta vez, vou em solo, já que a Carmen anda totalmente sem tempo para o Blog.
Por enquanto, fico no anonimato, apenas como um colaborador da Traça. Começo devagar, citando apenas um texto do Papini. Mas, logo, o apelido Rabugento será justificado.
Topei estes dias com esta referência, no blog do Janer Cristaldo, que, talvez por minha circunstância, me afetou especialmente. Inicio, então, com ele. Sobre o Janer, figura polêmica, falamos depois. De cara, concordo com ele, está na hora de revermos o Papini, que anda jogado pelas esquinas menos visitadas da crítica.
Vamos ao texto:
Giovanni Papini - “O homem que não pode ser imperador” (excerto)
Leitor, quem quer que sejas, queria neste momento ter-te aqui, cara a cara, e cravar meus olhos nos teus, estreitar tuas mãos nas minhas e dizer-te em voz baixa: acreditas que vives, que vives de verdade, profundamente, inteiramente? Tua vida te parece tão bela e grande como a sonhaste nos dias ardentes da juventude?
E ainda mais baixo, simplesmente queria perguntar-te: tiveste uma juventude? Sentiste em ti, dentro de tuas entranhas, em teu sangue, algo que fermentava, que fervia, que se agitava, que tremia, que queria sair, derramar-se, inundar o mundo como um lago de chamas?
Sentiste algum dia, depois de alguma hora de inquietude, depois de um grande crepúsculo, depois dos versos de um poeta, sentiste que eras tu, tu em pessoa, o primeiro homem, o descobridor da vida, o descobridor do mundo? Não te pareceu mísera esta vida, e não te pareceu pequeno o mundo? Não desejaste a morte por amor à vida? Não experimentaste a avidez de Alexandre ante o céu distante?
Isto gostaria de pedir-te, vil leitor, homenzinho esquálido que estás lendo estas páginas, escutando as palpitações de uma vida alheia, porque não sabes realizar atos, porque não sabes viver por tua conta. Não te parece vil, covarde, covardíssima, a ação que estás cometendo? Uma cadeira te sustenta, à tua frente há papéis costurados, nesses papéis há signos pretos e tua alma sorri ou geme, vê ou entrevê, à medida que os signos vão despertando à força tuas imagens sonolentas. E tu crêes viver, creio, lendo livros. (...) Falo precisamente para ti e quisera ter-te frente a mim, para que sentisses na cara o cálido alento de meu desprezo. Eu te desprezo, leitor, te desprezo por uma razão terrível, por uma razão odiosa, dolorosa: me pareço muito contigo, sou quase como tu, leitor, talvez eu seja tu...
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| Comentários... |
| Data:
08/07/2008 |
| Nome:
carlos |
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Espero que você ajude a ressuscitar o blog, que anda mortinho mortinho, depois de ter sido muito bom durante muito tempo. |
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| Data:
08/07/2008 |
| Nome:
Anna |
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Cristaldo e Papini são tuda a ver, prosa poderosa, pretensão, odiados pela crítica e com muitos admiradores quase secretos - eu inclusive! |
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| Data:
08/07/2008 |
| Nome:
Moreno Sensual |
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Este Cristaldo não merece nem ser citado. Começou mal |
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