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| Série Economia e Política |
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| Livros e Liberdade |
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| Autor:
Rabugento |
| Data:
11/07/2008 |
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Como sabemos, a Traça vende livros. Formamos uma pequena comunidade que respira livros, e vive para eles. Livros representam, para nós, o melhor de nossa civilização: a possibilidade de expressar e discutir idéias, concepções de mundo, emoções, tudo que concerne ao humano. Livros são a expressão da liberdade e, num certo sentido, o fundamento da sociedade que desejamos. Introdução banal esta, mas está aqui marcar, explicitamente, a vinculação de nossa atividade com nossa visão de mundo. Acreditamos no indivíduo e em sua liberdade acima de tudo. Acreditamos na troca de idéias e no debate. Temos horror a todo autoritarismo, a todo totalitarismo.
Reafirmar os princípios básicos acima está se tornando, acreditem!, necessário novamente. Tenho idade suficiente para ter me oposto à ditadura militar e jamais pensei que voltaria a ter este tipo de preocupação em plena vigência da democracia. Porém...
Um conjunto de acontecimentos recentes começa a sugerir que estamos caminhando na direção errada. Estamos criando um estado policial, paternalista e autoritário. Antes de me alongar em teoria, vamos aos fatos. Citarei os eventos, apenas com um rápido comentário agora.
1. Lei seca: ninguém viu sua chegada e, de repente, o que era hábito normal de grande parte da população virou crime. O absurdo da proposição e a má-fé na argumentação de seus defensores é tal que não vou discutir agora - talvez, em um post futuro. Basta lembrar que o Brasil dispõe agora da legislação mais dura do mundo não-islâmico quanto ao uso do álcool. O que interessa aqui é a brutalidade da lei de um lado, e a aceitação passiva, bovina, desinformada com que foi recebida pela maioria. A tal lei é um ataque violento ao cotidiano da classe média. Acabou o happy-hour. Acabou a cerveja com os amigos. Acabou o jantar romântico regado a vinho. Acabou aquela dose de uísque reconfortante após um dia de trabalho difícil. Acabou a pizza com chopp. Acabou até o churrasco com a sogra no fim-de-semana - bem, tem gente que gostou desta parte...A vida fica um pouco mais triste, um tanto mais sem graça. Mesmo os pequenos prazeres ficaram mais difíceis. Quantos deixarão de se acidentar por causa do rigor da lei? Ninguém! Se os acidentes diminuírem, e certamente diminuirão num primeiro momento, será pelo receio de uma maior fiscalização. O que impede os bêbados de andarem pelas ruas é a probabilidade alta de serem pagos, não a redução na dosagem máxima de álcool admissível. E os muito bêbados continuarão circulando, com ou sem lei. Ao cidadão comum, restará restringir ainda mais suas poucas atividades prazerosas, ou arriscar, intimidado, enfrentar os pequenos podres poderes do guarda da esquina.
2. Proibição de entrevistas com candidatos a prefeitos: confusão jurídica completa. Os da minha geração lembram da lei Falcão, que disciplinava a apresentação dos candidatos na televisão - só podiam se mostrados legenda, currículo muito resumido, número do registro do candidato na Justiça Eleitoral e fotografia. Sem defesa de idéias, sem debate, sem críticas ao governo. Estamos voltando para lá.
3. Tentativa de proibir comentários sobre candidaturas em blogs. Esta passou de confusão jurídica. É simplesmente uma iniciativa para calar uma das forças mais decisivas nas votações recentes. Lembrem do "plebiscito do desarmamento".
4. Escutas policiais generalizadas, inclusive no Supremo Tribunal Federal! Note-se que estes "grampos" são autorizados por juízes de primeira instância, quando são.
5. Prisões arbitrárias e invasões de domicílios em meio a operações policiais espetaculosas. Dois dos homens mais ricos do país foram vítimas destes expedientes nos últimos dois dias. Seria coincidência ou estamos em uma campanha populista, do tipo "nós pegamos os ricos também"?
6. Processos e pedidos de prisão, a partir do Ministério Público, contra jornalistas, tentando restringir a liberdade de informar e de preservar as fontes. Desta lista de descaminhos, este item é, de longe, o mais maligno. Pois todas as ditaduras começam pela destruição ou cooptação da imprensa livre.
Os porquês, discutiremos nos próximos blogs.
Enquanto isso, esperemos que não comecem as fogueiras de livros... |
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| Comentários... |
| Data:
11/07/2008 |
| Nome:
anônimo |
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taí.gostei desse rabujo. |
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| Data:
12/07/2008 |
| Nome:
habitual |
Oblog voltou e voltei também. gostei da idéia do Rabugento, que me parece uma especie de alter-ego da empresa, se é que se pode falar assim.
Não tenham dúvidas, o totalitarismo começa pelas coisas pequenas, o guarda da esquina, a lei moralizadora, a restrição à liberdade expressão. Termina no estado policial. É estranho ler este tipo de coisa em um blog de uma empresa e não na imprensa, quase calada. |
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| Data:
12/07/2008 |
| Nome:
linha dura |
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PF neles. O resto é besteira. |
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| Data:
12/07/2008 |
| Nome:
Todeolho |
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Espetaculosa é a imprensa brasileira. Se é que a gente pode chamar essa coisa de imprensa... |
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| Data:
15/07/2008 |
| Nome:
pessimista |
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Você está errado. SÓ vai sobrar o almoço da SOGRA, com direito a dormir no sofá depois... |
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| Data:
17/07/2008 |
| Nome:
ed |
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vc fala assim da lei seca pq provavelmente nunca perdeu nenhum ente querido, vítima de algum bêbado ao volante! será q a tal "happy-hour" deve ser feita somente com álcool? sou católico, tenho 26 anos e nunca bebi, por princípios próprios, e isto nunca me fez falta! pense nisso! |
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| Data:
19/07/2008 |
| Nome:
porquenão |
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Vamos resolver definitivamente o problema dos acidentes de trânsito - é só proibir o trânsito de veículos!!! |
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