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| Série Economia e Política |
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| Conjuntura - Pior do que Parece |
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| Autor:
Rabujo |
| Data:
12/01/2009 |
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Andei escrevendo alguns posts sobre a decadência das livrarias e do livro. É tudo verdade, é só questão de tempo. Entretanto, um certo tom de urgência que perpassa esses textos é certamente influenciado pela situação da conjuntura. A conjuntura econômica em que estamos mergulhados me parece bem pior do que a que vemos retratada pela midia.
A grande imprensa vem apenas repercutindo a visão do governo de que a crise no Brasil não é assim tão grave, de que temos reservas em moeda estrangeira, de que a economia continuará crescendo e outras ilusões. Os dados apresentados são cuidadosamente selecionados para confirmar a tese e muita informação simplesmente desaparece. Exemplifico: ao noticiar a queda da produção industrial, a manchete é dada em cima da série de 12 meses, mais suave e ainda crescente. O dado mensal dessazonalizado, que mostraria queda, só mostra a cara lá pela página 17, quando aparece. O resultado é a sensação de que estamos apenas desacelerando o crescimento, mas, de maneira geral, tudo vai bem. E isto simplesmente não é verdade.
De fato, a economia está encolhendo, o crescimento dos últimos meses foi negativo. O impacto na vida real, naquilo que afeta a vida das pessoas, não se dá na série mensal longa, ninguém é demitido na média dos últimos doze meses. Você é demitido no ato.
Vamos à evidência anedótica, já que examinar os números em detalhes não é adequado aqui no blog. Comecemos pelas liquidações típicas do início do ano, pós-natalinas. O depósito da Traça fica em uma região comercial importante, com muitas grandes lojas de departamentos. No ano passado a correria foi geral. Neste ano, é possível estacionar na porta destas mesmas lojas. A demanda sumiu. A seguir, vamos às revendas de automóveis – estão vazias de clientes e cheias de automóveis. As fábricas estão concedendo férias coletivas. Os automóveis usados desabaram de preço. Já que verificamos que os bens de consumo durável estão com vendas fracas, vamos então inestigar como andam os alimentos.
Temos alguns restaurantes aqui nas proximidades e habitualmente almoçamos sempre nos mesmos. Estão todos operando com pouco mais de meia lotação e pelo menos um deles já suspendeu uma obra de ampliação. Bem, se até os restaurantes estão faturando menos é porque a situação é mesmo ruim. Vamos então olhar para os grandes e poderosos, os bancos.
A imprensa vem nos garantindo que o sistema financeiro brasileiro é um dos mais sólidos do mundo. Pode ser, mas quando a “marolinha” começou, até a legislação foi modificada para facilitar vendas de ativos por parte das instituições e fusões e aquisições, que de fato estão ocorrendo. O depósito compulsório foi afrouxado e o Banco Central tornou-se menos exigente. Não é só. Subitamente os bancos, sempre tão arrogantes e impositivos com os clientes pequenos, mudaram suas praticas de negociação com clientes inadimplentes, oferecendo grandes descontos, tentando fugir de processos judiciais onerosos e, principalmente, demorados. Rumores correm no mercado, inclusive a história quase inacreditável de que um dos grandes bancos estaria dando descontos para pagamento antecipado de parcelas de financiamento. Isto mesmo, parcelas a vencer.
Nosso contatos no mundo financeiro, especialmente o pessoal de agências, anda deixando escapar que o nível de inadimplência está alto e crescente e que o stress é grande, com reuniões sucessivas. E, claro, nem tente tomar um empréstimo novo, o dinheiro simplesmente não vai aparecer.
Nada disso é sinal de uma economia saudável. É sinal de recessão. No próximo blog, sairemos do anedótico e veremos a coisa do ponto de vista macro. Garanto que não será uma visão feliz. |
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| Comentários... |
| Data:
12/01/2009 |
| Nome:
empresário |
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Não é rumor, é verdade. Eu recebi esta proposta. Não cito o banco por medo de retaliação. Mas aconteceu. |
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| Data:
12/01/2009 |
| Nome:
Secundino |
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Passei por aqui para comprar uns livros com o dinheiro da minha rescisão. PRECISO DIZER SE CONCORDO? |
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