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| Autor:
Carmen |
| Data:
13/10/2006 |
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Pois é, aqui não teve feriado não. Uma pequena equipe de tracistas passou o 12 de outubro no depósito, preparando a Feira do Livro de Porto Alegre. Vida dura...
Enquanto trabalhamos aqui em nosso mundo peculiar e pacífico, lá fora corre a selvageria da campanha política. Vejo a disputa trazendo estranhos micro-efeitos, em nível pessoal. A polarização e a real possibilidade da vitória de Alckmin estão levando muita gente a duas atitudes opostas. A primeira é o descaso. Estas pessoas cansaram de tudo e, discretamente, sem sequer falar a respeito, votarão em seu candidato preferido e pronto. Segue o barco. Posição muito comum entre simpatizantes do PT – nâo têm coragem para assumir uma postura pública em defesa de Lula, mas continuam com ele. É o tal voto envergonhado...
A outra atitude provocada pela disputa é o “outing”. Como homossexuais até então enrustidos, saem dos armários e passam a defender suas posições ativamente. Muitos pró-tucanos estão nesta categoria. Até então estavam camuflados, com medo da tradicional patrulha. Mas as tretas muitas do lulismo os fazem sair para a briga. E, pela primeira vez em muito tempo, começa a aparecer uma banda conservadora na sociedade. Fenômeno este que promete muitos desdobramentos a longo prazo, especialmente se considerarmos a quantidade de jovens externando posições de “direita”.
Mas nem só tucanos estão saindo do armário. Petistas também, mas de modo diferente, claro. A maioria dos petistas sempre ostentou suas posições. A diferença é a ênfase com que o fazem agora. Perderam qualquer pudor, partem para a agressão simples contra a oposição. E embarcam sem pejo nas diversas campanhas de desmoralização em andamento no país, estratégia clássica da esquerda. Saíram do armário “civilizado”, aderiram ao vale-tudo de corpo e alma.
Por que comento sobre isto? Vale lembrar que, antes de livreira, sou historiadora, gosto de ver os fenômenos sociais acontecendo em tempo real. Também algumas coisinhas que observei nos últimos dias me perturbaram um tanto. Conto uma historinha:
Nós aqui da Traça estamos criando um projeto para estimular novos autores. Estamos trabalhando algumas possibilidades, e uma delas naturalmente envolve publicar trabalhos escolhidos em nosso site. Afinal, nossos mais de 5.000 visitantes únicos diários, muitos deles formadores de opinião, representam um público que muitos desses iniciantes nunca tiveram. Pois bem, enquanto o projeto não deslancha, costumo visitar regularmente um grande número de blogs, instrumento-padrão do aprendiz de escritor. Acompanho alguns com especial carinho. E em muitos deles constatei o “outing” político, com vigor, violência até. Gente que até então se limitava à literatura, passa a repercutir o enorme esforço do aparelho petista para desmoralizar os adversários. Não é surpresa para ninguém que a Internet está cheia destas coisas. Surpresa, para mim ao menos, é quem está se dispondo a dar ressonância a elas...
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