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| Guerra |
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| Autor:
Carmen |
| Data:
22/05/2006 |
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Venho escrevendo aqui sobre as dificuldades das pequenas livrarias, e especialmente sobre a concorrência com as grandes redes. Minha visão tem sido bastante pessimista, mas um tanto distante do calor da batalha. Como a Traça atua essencialmente como sebo e os livros novos entram apenas para compor um mix mais rico, não me considerava diretamente atacada pelas grandes. Mas...
Neste domingo fui até a livraria Cultura, comprar alguns livros de TI para nossos programadores, ver as novidades e tomar café. Já sentada no café, abro os livros recém comprados para folhear, um ritual irresistível. E, logo dentro do primeiro deles, ali entre a capa e a folha de rosto, encontro um estranho panfleto. Redondo, com os dizeres:
“Seu livro usado vale créditos!”
Susto! Horror! A Guerra estava chegando a meu quintal e eu nem sabia! Alienígenas horríveis querem tirar meu ganha-pão...
Mas, antes de me desesperar e incendiar a bela filial da Cultura, resolvi conhecer melhor o inimigo e ler em detalhes o tal papelucho agourento. Realmente, eles vão vender livros usados. Mas somente dentro de um programa de recompra de livros vendidos pela própria Cultura, para clientes cadastrados, com regras bem restritas, prazos curtos e com o pagamento sendo feito em créditos para compras futuras. E, ainda por cima, lá constavam os clássicos dizeres: “Este programa pode ser suspenso ou finalizado a qualquer momento, independente de comunicação prévia”. Bem, o tigre-de-dentes-de-sabre já está mais parecido com um gatinho, mas ainda pode arranhar.
Fui para casa fuçar no site deles, ver se encontrava algum livro usado. Não achei. Talvez o programa tenha sido recém-lançado e ainda esteja somente captando livros. Mesmo assim não fiquei tranquila. Apesar das restrições, um programa como esse pode passar a servir de referência de preços de usados e, em certa medida balizar as transações do setor. É interessante notar que a Cultura promete recomprar o livro pagando até 25% do valor efetivamente pago pelo cliente ao adquirí-lo, em créditos. Se considerarmos que eles operam com uma margem bruta em torno de 100% para os livros novos, o valor efetivamente despendido ficará pouco acima dos 10% do preço de tabela. Nada mau. Falta ver agora a que preço pretendem vendê-los e como enfrentarão o pesadelo da logística.
A entrada de um grande e prestigioso participante no jogo dos usados pode ter um lado muito positivo. Apesar do crescimento que o mercado de usados vem experimentando, ainda é muito pouco conhecido e utilizado. A entrada da Cultura vai escancarar a existência deste recurso, ensinar muita gente a utilizá-lo e acabar com o preconceito. O saldo ainda pode ser positivo para os pequenos. Mas, se a experiência for muito bem sucedida, podemos esperar mais grandes participantes entrando na dança e, aí, o mundo será outro.
Não é caso para desespero. Mas a guerra chegou a meu terreno. |
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