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| Série Economia e Política |
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| Lamentações Bancárias |
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| Autor:
Carmen Menezes |
| Data:
22/05/2007 |
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Ontem prometi um blog de “lamentações bancárias” para hoje. A intenção era, e continua sendo, comentar as dificuldades de uma pequena empresa em negociar com bancos, que são empresas muito muito grandes. Mas como tantas vezes acontece, a realidade se mostrou irônica e, hoje, iniciamos e concluímos com rapidez e sem quaisquer dificuldades a aquisição de três novos servidores web – financiados, claro, por um grande banco e fora das iniciativas oficiais, como Proger e BNDES. Pode ser que a Dell, fornecedora dos equipamentos, tenha algum acordo para assumir parte do risco do crédito junto ao banco, não sei, mas o fato é que a operação foi rapidamente aprovada, com taxas e prazos adequados.
O evento de hoje exemplifica principalmente a famosa exceção à regra. Os grandes bancos não se posicionam frente às pequenas empresas como verdadeiros banqueiros, parecem-se mais com agiotas, oferecem pequenos valores em troca de enormes garantias e contrapartidas leoninas. Não vou tentar aqui uma análise mais detalhada, mas listarei abaixo alguns pontos, sem qualquer hierarquia especial. Vale notar a timidez de nossos “analistas” ao tratar destes assuntos, mas isto é caso para outro dia.
Vamos aos pontos:
Exigência de longos históricos. Fator mortal para empresas jovens ou que tenham crescido aceleradamente – seus históricos de vendas, estoques e crédito são completamente incompatíveis com a realidade atual da empresa e não permitem que, na ótica do banco, valores maiores de crédito sejam liberados. Vamos ao caso da Traça: em 3 anos, o faturamento foi multiplicado por mais de 10 vêzes e nossa necessidade de capital de giro, para manter o crescimento, é muitas vezes maior do que era em 2004. Quem disse que o crédito nos acompanhou?
Modalidades de crédito incompatíveis com a realidade que deveria basear os contratos. Praticamente não há crédito rotativo, além daqueles garantidos em recebíveis (filé! para eles) e dos cheques especiais (caríssimos para nós). Empréstimos ditos de “Capital de Giro” começam a ser pagos já no mês seguinte (ou até no mesmo mês!) em que foram tomados. Não há carência, não há tempo sequer para receber aquilo que eventualmente tenha sido vendido em função deste mesmo capital de giro. Muitos bancos não repõem as linhas já tomadas, exigindo a quitação completa de uma operação para a abertura de uma nova. Mesmo a compra dos servidores que citei lá em cima, começará a ser paga em 30 dias. Computadores se pagam em 30 dias?
Instabilidade da política de crédito de cada banco. Em alguns momentos, pressionam na venda de dinheiro para, no instante seguinte, se retraírem completamente. Este comportamento obriga o empresário a manter uma liquidez maior do que a que seria ótima em condições de estabilidade da oferta de crédito. Pequenos empresários não são especialistas em macroeconomia. Ou melhor, será que mesmo os ditos “especialistas” acertariam todas estas variações?
Contrapartidas, gentilezas, favorzinhos e quejandos. Quem nunca comprou um segurinho de vida para ajudar um gerente precisando fechar suas metas? Ou plano de capitalização? Ou “ganhou” um cartão de crédito? Some tudo, acrescente ao custo de suas linhas de crédito e recalcule a taxa de juros implícita...
Falta de pessoal. Os bancos enxugam seus custos – normal. Mas estão enxugando tanto que os gerentes estão se tornando figuras de ficção, nunca estão lá quando você precisa deles. Temos uma simpática gerente que nos responde a cada 15 dias. Se precisássemos mesmo dela...
Limites extremamente baixos – nos obrigam a negociar simultaneamente em várias frentes, com vários bancos, um pequeno valor com cada um. Burocracia multiplicada, tempo perdido, custos aumentados. Pequenas empresas dispõem de departamentos financeiros em condições de tocar tudo isso e mais o dia-a-dia simultaneamente?
Garantias excessivas. Sua mãe quer mesmo assinar aquele documento entregando a casa em que morou toda sua vida em garantia de seu empréstimo que vale vinte vêzes menos? Ou o marido de sua irmã está se oferecendo diariamente para assinar aquele aval que corresponde a dois anos do salário do casal?
Taxas de juros – sem comentários. Ou a taxa mensal de um empréstimo ser maior que a taxa anual de investimento é saudável?
Vou parar por aqui. Os bancos têm suas razões, não as desconheço. Mas que o sistema financeiro não ajuda em nada o tal empreendedorismo, isso lá é verdade... |
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