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| Mudanças |
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| Autor:
Carmen |
| Data:
26/06/2006 |
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Como aqueles que nos acompanham já sabem, estamos preparando uma série de mudanças na Traça. Em primeiro lugar, uma mudança física: vamos para um depósito bem maior, com capacidade para um estoque de 250.000 volumes. Não, infelizmente ainda não temos este volume todo, não estamos nem perto – vamos crescer gradualmente e precisamos de espaço para armazenagem racional. Talvez a maior dificuldade para se gerir um sebo destas proporções não seja o cadastramento detalhado (até aqui nossa maior dor de cabeça), mas sim a logística, especialmente o que se chama de “endereçamento”, ou seja, como guardar e recuperar rapidamente um volume entre milhares. Para se fazer isto eficientemente, é preciso espaço, organização e alguma tecnologia. Como a transferência de uma tal quantidade de livros é uma tarefa insana, é melhor começarmos com um espaço maior do que o necessário hoje e ir preenchendo aos poucos... Me perguntam porque não mudamos ainda, já que falei no assunto pela primeira vez há meses. Até já tentamos mudar, mas não chegamos a um acordo com o proprietário do prédio sobre as obras necessárias, no primeiro depósito que alugamos. E isto com o contrato já pronto. Tivemos que cancelar e começar tudo de novo.
Encontramos um novo local, e as obras já estão começando. Transformar um galpão industrial num depósito de livraria não é assim tão simples. Precisamos de rede elétrica nova, rede de computadores, carpetes, iluminação, ar-condicionado, móveis de escritório, banheiros novos, cozinha, quilômetros de estantes, escadas, monta-cargas e segurança....muita segurança. O pesadelo é mesmo a segurança – serão necessárias novas paredes, grades, cerca elétrica, alarmes, sensores de movimento, câmeras e ainda um contrato com empresa de vigilância. Nosso novo depósito fica nas proximidades da sede da polícia civil estadual, o que deve dar alguma tranquilidade, mas não é garantia firme. Neste fim de semana, planejando as obras, me abateu uma tristeza, não do tipo pessoal, mas do tipo “cívica”. Percebi que todo o projeto está condicionado à segurança, à tentativa de transformar um depósito num cofre-forte. Até colocar tijolos de vidro em uma parede fica complicado: teremos de protegê-los com uma grade de aço. A consciência de que qualquer vulnerabilidade será explorada por ladrões, mesmo estando em uma avenida movimentada e a poucos metros da autoridade policial é terrível, uma inversão total de prioridades e um sintoma de que o país vai mal, muito mal. Mas não vou me alongar por aí, ou acabarei escrevendo uma peça política...
O fato é que as obras estão andando, as estantes já estão prontas e os novos computadores já foram encomendados. E, ao longo do processo, vou comentando tudo por aqui...
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