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| MERCADO LIVREIRO 4 |
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| Autor:
Carmen |
| Data:
27/03/2006 |
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Na sexta-feira estava tudo pronto para eu publicar mais um artiguinho sobre o mercado livreiro, desta vez sobre possíveis estratégias de sobrevivência das pequenas livrarias. Mas aí a situação política precipitou-se, tive mais um daqueles “desconfortos cívicos” e me vi impelida a publicar aquela brilhante ilustração da bandeira brasileira com nariz de palhaço, que pesquei do site nominimo.com.br. Não vou repetir a dose hoje, mas quero remeter de novo ao nominimo, desta vez para o artigo de Xico Vargas, que está no link abaixo:
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=
1&pageCode=13&textCode=21569&date=currentDate&contentType=html
Mais do que indignados, devemos é ficar preocupados com o país que estamos construindo....
Voltemos às livrarias....
Resumindo a ópera até aqui: as grandes redes crescem e os pequenos desaparecem. E quais seriam os efeitos do desaparecimento dos pequenos? Para começar, pessoas perderiam os empregos, empresários teriam que procurar outra atividade e ficaríamos sem uma porção de lugares interessantes para se visitar. Mas esses efeitos, mesmo que dramáticos para os envolvidos, não seriam os mais importantes. Penso que perderíamos diversidade, com a priorização de livros de apelo fácil e grande vendagem, e que, num prazo maior, os livros voltariam a subir de preço, já que se formaria um oligopólio de grandes lojas, que podem decidir não mais concorrer via preços, mas via marketing e serviços. Ou seja, comprar livros mais baratos agora pode significar livros mais caros no futuro.
Mas não só isso. Em um tom completamente diferente, penso também no impacto urbano. Pequenas livrarias espalhadas pela cidade são parte do tecido urbano, são ambientes de convivência e troca de idéias, são formadoras de gerações de leitores. Sem elas as calçadas ficarão mais pobres, mais ignorantes, menos gentis. Essa complexidade da vida urbana é o que torna as cidades e bairros agradáveis. O café, o bar, a banca de jornais, a livraria, a agência lotérica, a farmácia e a pracinha dão vida às ruas. Sem esse pequeno comércio, caímos na aridez das grandes avenidas e no vazio das regiões estritamente residenciais. Qual o meu modelo de vida urbana? Ora, Ipanema e Leblon....
E o que podemos fazer para não desaparecer? Primeiro, entender quem é o cliente e prover o que ele deseja, com atendimento competente, capaz de sugerir bibliografia. Relações bem azeitadas com distribuidores podem ajudar, permitindo que se localize e busque literatura de interesse do cliente rapidamente. Especializar talvez seja um caminho. Pequenas livrarias com algumas generalidades e muito material específico podem se tornar referências no assunto e garantir um fluxo contínuo de clientes.Mas tudo isso não vai ajudar se tivermos que vender a preços 50% acima das grandes cadeias.
E então?
Então continuamos amanhã..... |
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