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| Série Pessoal |
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| Patrimonialismo Poético |
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| Autor:
Rabujo |
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27/03/2010 |
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Livreiro, especialmente sebista, tem dessas coisas: voyeur de almas, fuçador de velhos documentos, leitor não convidado de antigas correspondências. Geralmente, quando incursiono por universos particulares perdidos, saio com um travo amargoso, uma tristeza vaga e leve, um tanto de angústia. Para onde foram estas pessoas, que fim levaram suas idéias, suas emoções...
Hoje, organizando nosso vasto depósito de materiais inservíveis, quinquilharias, efêmeros e documentos extraviados que acabamos recebendo junto com bibliotecas e livros que compramos, acabei me deparando com uma pasta contendo anotações, recortes e correspondência de um jornalista e artista gaúcho, já falecido.
Está ali sua personalidade, destilada em pequenos projetos poéticos, agitação cultural e apertos financeiros. A luta contra a ditadura militar, a decepção com o Partido Comunista, a caminhada profissional. Cartas nunca enviadas (muitas), bilhetes recebidos de amigos, recomendações, meditações. Esperanças e restos ressecados da erva aquela. Pedidos de favores, já que a vida de poeta é difícil, e listas de pessoas. Referências inclusive a um músico com quem eu costumava tocar na juventude e que não imaginaria em situação tão inusitada. Que coisa.
Até aí, nada de muito novo. É o que se encontra normalmente nestes casos, o muito pouco que resta de uma vida, em mãos estranhas e nem sempre simpáticas. O tom geral dos papéis de nosso amigo é de inconformismo com o sistema, com o capitalismo, com o egoísmo, com a corrupção e com os desmandos do Governo. O Brasil parece não ter mudado muito mesmo.
Mas um detalhe me chamou a atenção: todo este material foi escrito em papel desviado do setor público. Marcas dágua, timbres, rodapés e outros elementos mostram que nosso poeta não tinha maiores pudores quando se tratava de economizar seus parcos tostões. Talvez achasse que o Estado lhe devia alguma coisa, ou que fosse nosso dever subsidiar a Arte (com maiúscula, mesmo que fosse um bilhete para a antiga namorada!). Na verdade, é o velho patrimonialismo brasileiro. O mesmo que se vê em ação, acintosamente, no meio político e empresarial. Apenas reduzido às dimensões de um poetinha de segunda. Triste.
Em que papel escrevia Drummond? |
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| Comentários... |
| Data:
28/03/2010 |
| Nome:
Roberto Dev. |
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Você está preocupado com roubo de papel? Se fosse só este pequeno subsídio aos poetas, estaríamos é bem!!!!! |
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| Data:
30/03/2010 |
| Nome:
Tita |
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Muitos de nossos melores poetas são ou foram funcionários públicos. Nunca havia pensado nisso, mas será que escreviam durante o expediente? |
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| Data:
06/04/2010 |
| Nome:
Clara |
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Parece que a vida de sebista tem mesmo alguma graça voyerista!!! |
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| Data:
10/04/2010 |
| Nome:
Déborah de Sá Barreto |
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Muito bom esse texto seu! Lê-se com um misto de melancolia, inspiração e a gostosa sensação de que nem tudo é "febeapá" nesse país, parafraseando o grande Sérgio Porto. |
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| Data:
14/04/2010 |
| Nome:
Curiosa gaúcha |
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Não vai dizer quem é o cara né? Bem que podia |
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| Data:
24/04/2010 |
| Nome:
Cleusa Pitanga |
Meu deu uma vontaaaade de trabalhar ai com vocês.
Primeiro porque adoro livros.
Depois porque creio que iria me deliciar com esses recortes de vidas esquecidas no meio das páginas amareladas. |
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