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| MERCADO LIVREIRO 5 |
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| Autor:
Carmen |
| Data:
29/03/2006 |
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Depois de alguns dias comentando as aflições das pequenas livrarias, que estão em processo rápido de extinção, vamos discutir hoje uma possível solução, polêmica como nenhuma outra. Trata-se da Política do Preço Único.
Para começar, estas coisas “únicas” me deixam nervosa - partido único, ideologia única, central única, como exemplos. A palavra, no mundo econômico e político, me sugere autoritarismo, exclusão, espírito de manada, poder absoluto (e absolutamente corrompido...). Mas estou me perdendo, não é esse nosso problema...
Por Político do Preço Único entende-se simplesmente um tabelamento radical do preço do livro. Preço tabelado para o varejo, bem entendido. Simplesmente a editora fixa o preço de capa e todos o seguem – sem descontos, promoções e outros artifícios concorrenciais. Seria uma forma de diminuir a vantagem das grandes redes de livrarias. Não eliminaria todas as vantagens, mas daria ao menos um chance de as pequenas concorrerem.
A curto prazo significaria um aumento no preço médio do livro. A longo prazo, os efeitos são muitos, inclusive um provável aumento do preço do livro, já que um cartel estaria formado. Mas além da questão do preço, a adoção, ou não, de uma política deste tipo traduzirá realmente o desejo da sociedade manter suas livrarias. Como já disse em artigo anterior, vejo as pequenas livrarias como elemento fundamental de nossa civilidade, do bem viver na cidade. Penso que elas contribuem para a riqueza da vida comunitária, gerando a complexidade que humaniza a metrópole. Formam leitores e todas aquelas coisas bonitas que costumamos ler em discursos de “autoridades” do setor. Pois é, vamos pagar o preço para mantê-las?
Se o problema fosse tão simples, dou de barato que o tabelamento seria adotado e nossas pequenas livrarias acabariam protegidas das garras destruidoras de suas irmãs mais poderosas (estou algo irônica hoje...). Mas não é tão fácil. Esta medida igualaria os preços de venda ao público, não os preços de editoras e distribuidores para diferentes clientes, que são, na prática, impossíveis de regulamentar. Na verdade, mesmo tabelados, os preços ao consumidor poderiam ser manipulados, especialmente via condições de crédito facilitadas, prêmios e descontos em compras que abrangessem vários itens, além de livros. Para complicar, qual seria a figura jurídica do tabelamento? Quem ou o quê impediria Submarino ou Lojas Americanas de entrarem na justiça questionando o “cartel” e defendendo seu direito de vender mais barato?
Mesmo que o Preço Único fosse alegremente adotado pelos participantes deste mercado, o ecossistema parece estar mesmo viezado a favor dos grandes. Hábitos de consumo, práticas políticas, tecnologia, dificuldade de locomoção e insegurança nas grandes cidades favorecem a concentração. Sem contar o poder de lobby e barganha. Teremos tempos difíceis pela frente, muito difíceis...
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