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Clipping
A Leitura e os jovens
Autor: Clipex Data do artigo: 12/02/2008
Estado de Minas - MG (12/02/2008)
Jackson Romanelli
Entre o papel e o eletrônico
Ler algo em torno de 50 livros num ano é algo raro. Mas é o que faz o estudante Thiago Lana, de 16 anos e no 2º ano do colégio Santo Antônio. Sempre com um livro à mão, tomou gosto pela leitura ainda criança e a prática fez com que conseguisse ler de forma mais dinâmica. Deltora Quest e As crônicas de Nárnia estão entre as obras preferidas. Ele também acompanha escritores iniciantes que publicam textos na internet, revistas científicas e de tecnologia e até se arrisca na escrita, embora não considere seu forte.
Na escola, percebe claramente que são poucos os amigos que apreciam a leitura. “A maioria prefere ficar no videogame, computador ou outras distrações. Creio que temos uma carga de estudo muito pesada, exigindo do aluno longas horas de estudo. Então compreendo que nas horas vagas não queiram mais estar diante de um livro”, opina.
Apesar de gostar de ler, Cecília Reis Braga Macedo, de 16, confessa não devorar tantos livros quanto gostaria. Fã de Harry Potter e Senhor dos Anéis, diz adorar histórias de fantasias. Obras mais reflexivas também fazem parte de sua biblioteca, tais como 1984 e Admirável Mundo Novo. “Leio mais nas férias do que durante o período que estou em aulas, quando tenho muito o que estudar”, justifica. O contraste entre as obras literárias e a versão cinematográfica a fascina. “Acho interessante fazer essa comparação. Não deixa de ser um exercício que comprova a maior capacidade crítica de quem lê. Percebo um maior amadurecimento, maior capacidade de organizar as idéias, melhoria na escrita e fluidez na fala e no texto em quem tem o hábito de ler”, destaca Cecília, que é aluna do 3º ano do Colégio Santo Antônio.
André Luiz Silva, de 22, cursando o 4º período de jornalismo, lê muito, de preferência, crônicas. Tem em Machado de Assis, Affonso Romano de Sant’ana, Rubem Alves e Carlos Drummond de Andrade seus escritores prediletos. É deste último um dos livros que mais apreciou: De notícias e não notícias fazem-se crônicas, lido duas vezes. “A leitura molda minha forma de lidar e ver o mundo, pois passo a carregar diferentes opiniões para formar a minha”, reflete.
Por perceber que é um hábito em desuso, até entre os colegas de classe, no último Natal André optou por dar apenas livros de presente. Foram 17 obras diferentes. “O Brasil tem o problema de o livro ser caro. Mas as pessoas conseguem boa literatura e exemplares conservados em sebos, a um preço bem melhor. As editoras deveriam apostar na venda em quantidade, para garantir o lucro. E o governo poderia isentar de impostos”, propõe André, que em parceria com o irmão publica alguns de seus textos no blog www.insightrepetido.blogspot.com.br.
No lado oposto está o estudante do 7º período de ciências da computação na Fumec, Victor Montanari Gott, de 26, que admite não ler praticamente nada. “Quando leio alguma coisa, opto por jornal ou assuntos relacionados ao meu curso, profissão ou futebol. Mas no meu tempo livre prefiro algum programa de entretenimento na TV ou filme. Lia mais quando ainda estava no colégio. Sei que deveria ler mais, mas falta tempo. Creio que hoje a maioria dos adolescentes e jovens é assim. Se perguntar se prefere ler um livro ou jogar videogame, vai preferir o eletrônico”, pontua ele, que não consegue se lembrar de um livro que tenha lhe marcado.
O ritmo de leitura é menor do que o desejado para Raquel Gonzaga de Oliveira, de 22, e no 7º período de veterinária da UFMG. Segundo ela, o volume de livros caiu bastante na universidade. “Gosto de literatura nacional, especialmente Machado de Assis, mas só consigo ler um livro a cada dois meses. É uma ótima ferramenta para ampliar o vocabulário. Essas obras mais antigas sempre trazem alguma palavra nova. O dicionário tem que estar sempre perto”, sinaliza.
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