AFP traça estratégia para ter contato direto com o público
Autor: AFP
Fonte: Google
Data do artigo: 02/09/2010
PARIS — A Agence France-Presse (AFP), uma das três principais agências de notícias internacionais, pretende tornar-se um meio de contato direto com o grande público, indicou seu presidente, Emmanuel Hoog, em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira pelo jornal Le Monde.conteúdo, jornais, Associated Press, Reuters
"Temos que sair de um sistema rígido no qual as agências vendem conteúdos aos jornais, que, por sua vez, os vendem ao grande público", declarou Hoog.
"Seria absurdo que a terceira agência mundial não tivesse um aplicativo para iPad, nos smartphones, assim como um site", ressaltou o presidente da AFP.
"Como explicar que Associated Press e Reuters lancem aplicativos em francês para telefones celulares e que a AFP não faça isso?", perguntou-se o presidente da AFP, ao se referir às outras duas grandes agências mundiais, que também produzem notícias em francês.
Os representantes da imprensa nacional e regional francesa tinham recebido com preocupação o projeto de Hoog de tornar a AFP um meio "B to C" (Business to Consumer, de produtor para consumidor), saindo de seu tradicional papel de "B to B" (Business to Business, relações comerciais entre empresas).
Os sindicatos da imprensa consideraram que este projeto pode colocar a AFP em concorrência direta com os jornais, que fazem parte de seus clientes tradicionais, mas que vêm reduzindo a cada ano o seu peso relativo nas receitas da AFP.
Ao ser questionado sobre como a AFP poderá cobrar por suas informações aos seus futuros leitores, Hoog respondeu que "todas as possibilidades" estão "abertas".
"Sou contra a opção de oferecer todos os conteúdos gratuitamente, porque acho que a informação tem um valor. Poderíamos pensar, por exemplo, em uma parte gratuita e em outra paga", sugeriu.
Hoog defende também uma "evolução" do estatuto da AFP, e, em particular, uma representação mais internacional em seu Conselho de Administração, constituído atualmente por representantes da imprensa francesa e dos poderes públicos.
"Nenhuma empresa pode viver com seus clientes formando a maior parte de seu Conselho de Administração", afirmou, ressaltando que a AFP possui hoje "mais de 50%" de seu volume de negócios (sem contar com a ajuda do Estado) no exterior.
A AFP registrou um volume de negócios de cerca de 270 milhões de euros (346 milhões de dólares) em 2009.
A AFP está presente em 165 países, divulga informações em seis línguas - francês, inglês, espanhol, português, árabe e alemão - e tem serviços de fotos, vídeos, infográficos e outros produtos multimídia.
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