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Classificação por gênero

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Classificação Clássica

Segundo a classificação clássica, de Aristóteles, os gêneros literários dividem-se:

Quanto à forma:

1. Verso (por exemplo, estrutura de uma letra de música)
2. Prosa (por exemplo, estrutura de um texto jornalístico)

Quanto ao conteúdo:

1. Lírico - centrado no eu do escritor. Linguagem subjetiva. O nome vem de lira. Na antigüidade clássica, os poemas eram acompanhados de instrumentos musicais. Quando aconteceu a separação da música ao texto, a poesia começou a apresentar uma estrutura mais rica: métrica, ritmo.

Quanto ao conteúdo dividem-se em:

a) Ode e Hino - os dois nomes vêm da Grécia e significam canto. Ode é uma poesia entusiástica. Hino é a poesia destinada a glorificar a pátria ou louvar divindades. (Ex.: Hino Nacional)

b) Elegia - é uma poesia que trata de assuntos tristes ou da morte de alguém. (Ex.: Cântico do Calvário, de Fagundes Varela)

c) Idílio e Écloga - ambas são poesias bucólicas, pastoris. A écloga difere do idílio por apresentar diálogo.

d) Epitalâmio - poesia feita em homenagem às núpcias de alguém. (Ex.: Epitalâmio da Ex.ma. Sra. D. Maria Amália, de Basílio da Gama)

e) Sátira - poesia que censura os defeitos humanos, mostrando o ridículo de determinada situação. (Ex.: poemas satíricos de Gregório de Matos Guerra)



2. Dramático - centrado no conflito das relações humanas. Drama, em grego, significa ação.

O gênero dramático compreende as seguintes modalidades:

a) Tragédia - representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. (Ex.: Sofonisba, de Trissino)

b) Comédia - representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os costumes. (Ex.: O Noviço, de Martins Pena)

c) Tragicomédia - modalidade onde se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, mistura do real com o imaginário. (Ex.: Le Cid, de Corneille)

d) Farsa - pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que critica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino Ridendo castigat mores (Rindo, castigam-se os costumes). (Ex.: Farsa dos Físicos, de Gil Vicente).



3. Épico - centrado num fundo histórico: feitos heróicos, grandes ideais de um povo o tema das epopéias. Linguagem objetiva.

Uma epopéia apresenta-se dividida em cinco partes:

1) Proposição ou exórdido: é a apresentação do tema e do herói.

2) Invocação: o poeta pede auxílio às musas inspiradoras.

3) Dedicatória: o poeta dedica a obra a um protetor.

4) Narração: é o desenvolvimento do tema e das aventuras do herói, com exposição de fatos históricos.

5) Epílogo: é o encerramento do poema.

Exemplos de epopéias:
 Ilíada e Odisséia (Homero)
 Eneida (Virgílio)
 Paraíso Perdido (Milton)
 Orlando Furioso (Ludovico Ariosto)
 Os Lusiadas (Camões)
 Caramuru (Santa Rita Durão)
 O Uraguai (Basílio da Gama)


Classificação Moderna

4. Narrativo - variante do gênero épico

a) Romance - estrutura narrativa de temática variada que recria o mundo, transfigura a realidade, produzindo e ampliando outra realidade. (Ex. Esaú de Jacó, de Machado de Assis)

b) Novela - deriva do latim, e significa novo. Sua ação é polivalente, com vários ângulos dramáticos, sem unidade espacial; possui variabilidade temática. A novela desenvolve um jogo de paixões, de conflitos. (Ex. Roque Santeiro, de Dias Gomes)

c) Conto - apresenta um único ângulo dramático, um conflito, a ação é restrita, assim como o espaço. O tempo e o número de personagens são reduzidos. O conto é o embrião da novela e do romance. (Ex.: Uma Galinha, de Clarice Lispector)

d) Crônica - o nome vem de cronos, do grego, que significa tempo. Inicialmente, nomeava os textos históricos de feitos nobres ou livros de linhagens. Depois, por meio dos jornais, escritores famosos passaram a divulgar textos de fatos cotidianos e de caráter atempar. Atualmente, a crônica jornalística trata de assuntos diversos: esportes, artes, vida social; já a literária invoca um humor crítico e bizarro, um caráter melancólico ou fatos cotidianos. Em ambos os tipos, o narrador é onisciente; o ponto de vista é interno, conhece a história, porém não participa dela, normalmente. A crônica pode reunir a narração e a dissertação. (Ex.: crônicas de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, entre outros).



5. Crítica Estética - ocupa-se em julgar as obras literárias e discernir seus métodos; é o exame intelectual da expressão artística. Compreende os ensaios, os artigos, as resenhas, as análises de texto. (Ex.: Análise do livro Ira, Xadrez, Truco e Outras Guerras, de José Roberto Torero, por Akio Watanabe)



6. Didático - pode-se reconhecer ainda este outro gênero: didático, despido de ficção e não identificado com a arte literária. Segundo Wolfgang Kayser, o didático costuma ser delimitado como gênero especial, que fica fora da verdadeira literatura.


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