Jornal da Tarde - SP (06/07/2007)
Livros sem poeira no centro
Com ambições bem mais modestas, a Livraria Martins Fontes chegou ao centro como uma alternativa para uma região dominada pelos sebos. A loja, inaugurada em fevereiro, ocupa cerca de 200 metros quadrados do térreo do belo Edifício Lutétia, na Praça do Patriarca, e segue a linha editorial do grupo Martins Fontes, com a maior parte dos 50 mil títulos voltados para a área de humanas e idiomas. Por enquanto, o espaço para leituras se resume a alguns bancos e um sofá, mas o grupo promete que, em breve, o agradável espaço ganhará o reforço de uma filial do Café Latte - prometido desde março.
(SERVIÇO)Livraria Martins Fontes
Praça do Patriarca, 78, 3106-9133, metrô São Bento. 9h/19h (sáb., 10h/14h; fecha dom.)
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Folha de S. Paulo - SP (06/07/2007)
Projeto estimula leitura de forma lúdica
Giuliana Bastos Assunto dos mais sérios no Brasil, estimular o hábito da leitura vira brincadeira no projeto Mundo Livro, programa de férias do Sesc Pompéia.
A partir de hoje (dia 6), a unidade fica repleta de maçãs gigantes, paredes que contam histórias, tendas, redes, poltronas e banheiras para a criançada mergulhar no universo dos livros de forma inusitada e divertida.
Resultado de mais de um ano e meio de pesquisas, o evento, que segue até 2/9, preenche 600 m 2 com instalações como a tenda da oralidade, decorada como uma barraca árabe, com almofadas, livros e um contador de histórias entretendo as crianças.
Fragmentos de depoimentos de pessoas como o bibliófilo José Mindlin, além de poesias, podem ser ouvidos em alguns pontos do local.
Na área da árvore do conhecimento, balanço, redes e até uma banheira deixam os leitores confortáveis para apreciar os cerca de 2.000 exemplares disponíveis no espaço.
A cenografia do projeto é de Anne Vidal, artista plástica francesa, autora da exposição "Meninos Quietos", que ocupou o Sesc Pinheiros em 2006.
MUNDO LIVRO Sesc Pompéia (r. Clélia, 93, Água Branca, tel. 3871-7700). Ter. a sex.: 9h30 às 18h. Sáb., dom. e dia 9: 10h às 19h . Até 2/9. D
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Folha de S. Paulo - SP (06/07/2007)
SEBO DO BAC
O projeto de poesia Desconcertos de Poesia na Roosevelt ocorre amanhã (dia 7) e comemora o lançamento do novo livro do prosador Marcelo Mirisola. O sebo é tradicional ponto de agito da já movimentata praça Roosevelt, que tem vocação teatral e artística. Sebo do Bac (pça. Franklin Roosevelt, 124, tel. 6485-5801). Sáb. (dia 7): 16h. Especiais CASA COR 2007 Com 67 ambientes, distribuídos em 5.150 metros quadrados e construídos por 86 arquitetos, designers de interiores e paisagistas, o evento explora diferentes maneiras de usar materiais politicamente corretos em um condomínio de luxo montado no Jockey Club. Jockey Club (av. Lineu de Paula Machado, 1.075, portão 1, Cidade Jardim, região oeste, tel. 3819-7955). Seg. e sex. a dom.: 12h às 21h. Até 9/7. Ingr.: R$ 30 e R$ 35 (p/ estudantes e maiores de 60 anos: R$ 15 e R$ 17,50). Valet (R$ 15).
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Maxpress Net - SP (05/07/2007)
A agenda Infantil de eventos na Livraria Sobrado
Preocupada em estimular a leitura entre os pequeninos, a Livraria Sobrado fez algumas parcerias com profissionais que desenvolvem esta dinânica para as crianças. Uma das parcerias é com Jussara Torres, que é uma arte-educadora e realiza contações de historia e oficinas de artes. Outra, é A Hora da História, da Cooperativa Paulista de teatro, com as atrizes Camila Cassis e Natalia Grisi que interpretam livros , através de histórias ou música. E em andamento, o Projeto Sobrado de Leitura, que junto à Ophicina Recreare, estão desenvolvendo o projeto.
SOBRE O PROJETO FORMAÇÃO DE LEITORES:
O projeto atua resgatando a dimensão prazerosa da vivência da leitura, resignificando para a criança o hábito de ler e a sua relação com o livro. Neste sentido, são apresentadas múltiplas vivências e temáticas, correlacionando o cotidiano e propostas de diferentes autores em suas obras, propiciando novas descobertas e perspectivas aos participantes.
SOBRE A OPHICINA RECREARE:
A Ophicina Recreare nasceu do sonho de uma pequena equipe de educadores que, no exercício de múltiplas funções profissionais e pessoais, perceberam que os caminhos da formação vão muito além das salas de aula e dos livros didáticos.
O despertar para as próprias capacidades, a busca por um mundo diferente, em que de fato alcançaremos condições de igualdade e bem estar
SOBRE A HORA DA HISTÓRIA
O trabalho é baseado numa dinâmica em dupla. Por isso, o jogo entre as duas contadoras, e delas com o público, é o elemento mais forte nesse encontro, aproveitando recursos variados e objetos de uso cotidiano que ganham novas leituras quando inseridos no contexto da história. A música é outro elemento presente em nosso trabalho, ora dialogando diretamente com a história, ora ajudando a instaurar o clima desejado. Com violão e instrumentos de percussão, cantamos cantigas de roda, procurando envolver e aproximar o público, propondo assim uma divertida e inusitada brincadeira, cheia de surpresas e identificações.
PROGRAMAÇÃO
07/Julho 17:00 às 18:00 hs (sábado)
Contos Infantis e Oficina de Arte - "Férias" (Alejandra Pinel)
11/Julho 17:00 às 18:00 hs (quarta-feira)
Oficina Infantil: Formação de Leitores - "O Mundo é meu Livro"- (Ophicina Recreare)
14/Julho 17:00 às 18:00 hs (sábado)
Contos Infantis e Oficina de Arte - A oficina é comandanda por Jussara Torres, que é arte-educadora, que brinca e estimula a leitura junto às crianças
21/Julho 17:00 às 18:00 hs (sábado)
Contos Infantis e Oficina de Arte - Colorindo a Imaginação (A Hora da História)
28/Julho 17:00 às 18:00 hs (sábado)
Contos Infantis e Oficina de Arte - (Jussara Torres
Todos os eventos são gratuitos e abertos ao público.
Inscrições pelo tel. 5052.3540 ou pelo site www.livrariasobrado.com.br (*) Avenida Moema, 493 - Moema
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Paraná - PR (06/07/2007)
Flip começou com show e Orquestra Imperial
Redação O Estado do Paraná [06/07/2007]
Uma grande festa marcou a abertura da quinta edição da Flip Festa Literária Internacional de Parati. Entre os dias 4 e 8 de julho, Parati será o endereço da literatura no Brasil, com mais de 70 escritores nacionais e internacionais. O homenageado do ano é Nelson Rodrigues, “o anjo pornográfico”, celebrado em mesas-redondas, leituras e exposições.
O diretor de programação da Flip, Cassiano Elek Machado, abriu a festa e lembrou do livro The importance of the yellow papers, que ele viu, gostou, mas não comprou num sebo da Bulgária (e depois procurou incansavelmente sem sucesso). O livro dizia que “coisas mágicas acontecem quando escritas em papéis amarelos”. Machado falou da correspondência amarelada com remetente de Parati, que há anos recebeu na redação do jornal onde trabalhava, falando de um tal festival com a presença de grandes escritores, coisa impensável até então. Tratava-se da Flip.
Orquestra Imperial
Depois da palavra falada, a palavra cantada. A Flip foi aberta com o concerto da Orquestra Imperial. A orquestra de gafieira reinterpretou, com muita irreverência, clássicos da época de ouro da música popular brasileira, boleros, rumbas, twists e até pérolas do rock progressivo em cadência de sambalanço. Na Imperial não há maestro nem saxofones, como nas orquestras tradicionais que floresceram entre as décadas de 1930 e 1960; o naipe de metais é reduzido, abrindo espaço para muitas guitarras e cantores.
O público que estava nas cadeiras logo tomou as laterais do grande auditório para dançar e balançar a seu modo. Entre 19 membros da orquestra há figuras experientes como o guitarrista Nelson Jacobina, eterno parceiro de Jorge Mautner, e o baterista Wilson das Neves, compositor e sambista da Império Serrano.
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Jornal da Ciência - SP (05/07/2007)
Levantamento mostra que 15% dos universitários nunca leram um livro
No Rio e em São Paulo, maioria dos estudantes não tem hábito de ler
Maiá Menezes escreve para “O Globo”:
A leitura de livros não-didáticos está fora das lições de casa da maioria dos estudantes de universidades públicas e privadas de São Paulo e do Rio. A raridade do hábito foi medida em pesquisa encomendada pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e feita pelo Instituto Toledo e Associados.
Em junho, foram ouvidos mil jovens na Região Metropolitana de São Paulo, dos quais 34% não lêem com freqüência, 18% não gostam de ler e 16% lêem apenas de vez em quando.
No ano passado, pesquisa feita por técnicos do CIEE apontou problemas semelhantes no Rio: 15% dos universitários nunca leram um livro não didático, 12% leram apenas um, e 36% leram entre um e três livros.
A leitura de jornais diários também não está incluída na pauta da grande maioria dos universitários. As duas pesquisas mostram que apenas 9% dos estudantes lêem diariamente jornais depois que entram na faculdade.
“Uma parcela dos estudantes ainda não despertou para a necessidade de uma formação mais ampla e de ter referências bibliográficas. A base cultural é avaliada no processo seletivo. Quando a formação cultural é pequena, há prejuízo no processo seletivo. Quem lê mais tem vocabulário mais completo e adquire uma cultura geral maior”, ressalta Marcelo Gallo, diretor regional do CIEE.
A pesquisa também identificou que o acesso à internet se democratizou entre os universitários: 90% dos que foram ouvidos têm acesso à rede.
(O Globo, 4/7)
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Globo Online - RJ (05/07/2007)
Saramago cria fundação para defesa de direitos humanos
Publicada em 05/07/2007 às 13h59m Guilherme Freitas - O Globo
RIO - O português José Saramago, Nobel de Literatura de 1998, anunciou a criação de uma fundação para preservar sua obra. Na Declaração de Princípios da instituição, publicada no semanário português "Jornal de Letras", Saramago inclui entre as prioridades da fundação a luta pela defesa dos direitos humanos e a preservação do meio ambiente: "Sei muito bem que por si só a Fundação José Saramago não poderá resolver nenhum desses problemas, mas deverá trabalhar como se houvesse nascido para isso". A fundação terá sedes em Lisboa e Lanzarote (Ilhas Canárias), que abrigará a biblioteca José Saramago, com mais de 22 mil obras, e a correspondência do autor.
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Agência Estado - SP (05/07/2007)
Escritor africano Ishamel Beah fala sobre Serra Leoa
O mais jovem convidado para a quinta edição da Flip fala sobre sua obra
Antonio Gonçalves Filho, do Estadão
Capa do livro
PARATY - Ishmael Beah está vivendo o que ele define como uma segunda vida. Aos 13 anos, sem pai nem mãe, mortos por soldados do exército rebelde de Serra Leoa, o jovem escritor viu-se repentinamente com uma arma nas mãos, fumando maconha, consumindo anfetaminas e matando seus compatriotas. Era isso ou a morte. Ishmael escolheu sobreviver. “Não tive escolha”, diz o autor de Muito Longe de Casa - Memórias de um Menino Soldado (Ediouro), o mais jovem convidado para a quinta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começou na quarta-feira,4.
Seu livro autobiográfico conta a experiência traumática de quem matou para não ser morto, num país dominado por governantes corruptos e que espera, com as eleições de agosto, dar seus primeiros passos democráticos. Ishmael, aos 27 anos, não tem grandes esperanças nisso. Cansou de ver os diamantes de Serra Leoa alimentarem a cobiça de políticos que abriram contas na Suíça com o dinheiro que deveria sustentar hospitais e escolas públicas.
“Eles são todos parecidos, gente que enfia dinheiro no bolso à custa da vida dos outros”. Parece familiar? Ishmael teve a mesma impressão ao visitar uma favela carioca, logo ao desembarcar no Rio de Janeiro. “É um contraste violento com o que vi lá embaixo nas praias”, comenta.
Parece o Rio
“Esse problema de corrupção parece ser também o de vocês, não?”, pergunta o escritor, que lutou por três anos na guerra civil até ser resgatado pela Unicef em 1996 e adotado por uma família americana. Já era, então, um homem maduro e amargurado de 18 anos quando Laura Simms, sua protetora intelectual, levou-o para morar em Nova York, onde formou-se em Ciências Políticas há três anos.
O livro Muito Longe de Casa funcionou como uma espécie de exorcismo do horror testemunhado pelo adolescente, que achou mais difícil ser reintegrado à civilização que se unir aos militares assassinos de indefesos civis em Serra Leoa. “Andávamos anestesiados, consumindo brown brown, uma mistura de cocaína com outras porcarias, o que nos alienava e impedia de ter consciência dos atos bárbaros que praticávamos”, conta Ishmael, que nem de longe parece um guerrilheiro com centenas de mortes nas costas. “Simplesmente não queria viver mais e pouco me importava com o que via ou fazia, de tanto medo que sentia”, resume.
Ishmael não anotava histórias nem impressões de guerra. Ouvia histórias dos outros garotos que, como ele, foram empurrados para o campo de batalha e brutalizados pelo convívio com bestas humanas. “Estava tão alienado e desesperançado que nem me dei conta do esforço que as pessoas da Unicef faziam para me reintegrar socialmente”, conta, lembrando com carinho de uma enfermeira chamada Esther, que o conquistou por meio da música, dando a ele um walkman para que ouvisse os rappers americanos de que tanto gostava.
Em Nova York
O escritor mora hoje no Brooklin, em Nova York, onde prepara um segundo livro, desta vez ficcional. Anda deslumbrado com a descoberta da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, autora de “Half of a Yellow Sun”, saga de um garoto de 13 anos que se vê empregado de um professor revolucionário numa Biafra empenhada em ser uma república independente. Mas adianta que seu novo livro não será nada parecido com essa novela sobre o fim do colonialismo e o começo da responsabilidade moral de um povo. Esperança pode ser seu tema. Ficou muito comovido ao ver garotos de uma favela carioca, orientados por um voluntário, representarem uma cena da peça Noite de Reis, de Shakespeare. “Quando se dá uma opção dessa para um garoto sem recursos, e não uma arma, é possível falar numa segunda vida, como a que estou tendo agora”, diz Ishmael, cuja maior ambição nesta Flip é encontrar o escritor e Nobel sul-africano J.M. Coetzee, uma das maiores vozes contra o apartheid em seu país.
Ishmael admite que seu livro não vê a guerra civil de Serra Leoa com a mesma perspectiva política que Philip Gourevitch viu os massacre de Ruanda, até mesmo porque a sua é uma visão interna do conflito que levou mais de 300 mil crianças de seu país ao engajamento militar. “É difícil para um estrangeiro entender o que se passa na África, especialmente em Serra Leoa, onde era possível, antes da guerra civil, ser recebido numa outra aldeia com carinho fraternal”, explica. “Não dava para acreditar que, de repente, tudo havia mudado, que todo aquele mundo de solidariedade havia acabado”.
Segundo o autor, sua adesão às Forças Armadas foi casual. Desiludido com a retórica dos revolucionários, que diziam estar a serviço de uma guerra contra políticos corruptos mas matavam civis inocentes, Ishmael engajou-se no Exército. Diz que foi resgatado por sorte dessa guerra, mas condena o programa de reintegração governamental de Serra Leoa, que, segundo ele, falhou miseravelmente ao tentar reabilitar jovens que, como ele, tornaram-se matadores. “Tive alguém que se dispôs a substituir minha família, mas esses garotos só têm a possibilidade de fazer um curso profissionalizante sabendo que, depois, nem emprego vão conseguir, já que Serra Leoa continua sob o domínio de políticos corruptos”.
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Diário de Pernambuco - PE (06/07/2007)
Coletânea de um pensador
Saraiva // Advogado pernambucano, agraciado com prêmio da ABL, lança livro hoje
Agraciado neste ano com o prêmio mais importante da Academia Brasileira de Letras, o Machado de Assis, o advogado e articulista pernambucano Roberto Cavalcanti de Albuquerque lança hoje, às 19h30, uma seleta de seu pensamento crítico. São ensaios e artigos publicados entre 2000 e 2006, na imprensa pernambucana. A coletânea contempla áreas como História, Economia, Cultura, Relações internacionais, Cidades, Política e Sociedade contemporânea.
O objetivo de Roberto Cavalcanti, e o que une ideologicamente essas narrativas, é o esforço intelectual do autor, cuja missão é promover uma compreensão do contemporâneo. No entanto, o olhar sobre o passado recupera a perspectiva crítica que alcança uma proposta de soluções e reflexões futuras. Em cem textos, Roberto instiga o debate que tem o Brasil como elemento importante das suas discussões.
O texto que abre o livro, Antes: o legado da pré-história, volta-se para a constituição histórica do Brasil. "Para quase todo mundo, a história do Brasil começa em 1500 com o "descobrimento", ocasional ou não, protagonizado por Cabral. Essa visão eurocêntrica ignora todo o Brasil pré-cabralino. Um Brasil de "antes: a aventura humana de centenas de povos que habitaram o atual território do país durante milhares ou dezenas de milhares de anos", descreve o autor, estimulando a "leitura" do país, a partir de uma visão contra-oficial.
A problemática da nação brasileira entrecorta as reflexões de Roberto Cavalcanti, que reservou um espaço importante para comentários estéticos sobre arte e cultura. Passagens importantes como o centenário de Os Sertões e os 400 anos de Dom Quixote revelam um outro lado do pesquisador. Nestes capítulos, Roberto Cavalcanti assume a função de esteta, discutindo estrutura, narrativa e filosofia. Em Homens, livros e letras, "personagens" da literatura como Sartre e Euclides da Cunha são comentados pelo autor. O Recife, sua história e modernidade, também estão no debate de Roberto Cavalcanti, que comenta não apenas os feitos clássicos da cultura política pernambucana, como a sua entrada na modernização e na globalização.
Serviço
Lançamento do livro Antes tempos depois: pequenos ensaios
(Roberto Cavalcanti de Albuquerque)
Nesta sexta, às 19h30
Onde: Saraiva Mega Store
(Piso térreo, do Shopping Recife)
Preço médio: R$ 39
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Valor Econômico - SP (06/07/2007)
Caçador com maior poder de fogo
De Paraty
A Flip não é o único motivo de ansiedade para a cidade histórica. Desde 2003, a população trabalha pelo título de Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.
Um catálogo amplo, que englobe desde escritores consagrados até títulos literalmente menos sofisticados, mas de alta vendagem. Através dessa estratégia, a Nova Fronteira planeja alcançar diversos públicos leitores. Para aqueles que estão participando da Flip, que começou quarta-feira e termina domingo, a editora oferece nomes como Nelson Rodrigues (escritor homenageado) e o argentino César Aira. Mas, a partir de segunda-feira, a equipe da casa já começa a trabalhar outro tipo de produto.
"A Cidade do Sol", segundo livro de Khaled Hosseini, chegará em agosto às livrarias. A surpresa com as vendas do primeiro título do autor, "O Caçador de Pipas", que já vendeu mais de 1 milhão de exemplares desde setembro de 2005, reflete na aposta atual da editora.
A nova obra terá uma tiragem inicial de 300 mil exemplares e chegará às livrarias por R$ 39,90 a unidade. A tiragem média do mercado editorial gira entre 3 mil e 5 mil exemplares. Para atrair os leitores, a editora investirá em divulgação. Desta vez, o leitor terá uma participação efetiva na produção do livro. A editora oferecerá ao consumidor a opção de escolher entre duas capas distintas. A mais votada será eleita a oficial do título (a votação acontece entre os dias 16 e 30 de julho pela internet).
O "miolo" do livro já está sendo impresso. Assim que a votação acabar, será incluído a capa em cada item. "Espero fazer uma reimpressão em dez dias após o lançamento", afirma Leila Name, diretora de produção da editora.
O valor fechado para comprar o segundo título também foi bem maior. A primeira obra foi comprada pela Nova Fronteira por US$ 12 mil e teve uma tiragem inicial de 15 mil cópias. Desta vez, a editora fechou um negócio de US$ 240 mil e um compromisso de investir, durante um ano, o montante de US$ 100 mil em divulgação. Para o lançamento do título, a editora irá investir R$ 150 mil em brindes, na votação da capa e em ações em diversas mídias.(TB)
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Valor Econômico - SP (06/07/2007)
A travessia de um sofrimento
Por José Castello, para o Valor
Antonio Negri no seu apartamento, em Paris: "Acho que a vida, de fato, é dura, mas o homem tem uma vontade de potência e uma grande capacidade de construir o futuro"
O filósofo Antonio Negri não aceita o pessimismo e tampouco a debilidade que dominam o pensamento contemporâneo. Nascido em Pádua, Itália, em 1933, ele se tornou mais conhecido no Brasil depois da publicação do polêmico "Império", livro de 2000, escrito a quatro mãos com Michael Hardt. O pensamento vigoroso de Negri volta às livrarias com o lançamento de "Jó, a Força do Escravo", pela editora Record.
Trata-se de um ensaio sobre "O Livro de Jó", um dos livros da sabedoria guardados no "Antigo Testamento" e na "Tanakh". De autoria incerta, "O Livro de Jó", que alguns atribuem a Moisés, outros a Salomão, acredita-se, foi escrito em torno de 2000 a.C. Toda a sabedoria de Jó está em desviar a atenção da figura do diabo para olhar Deus diretamente, mostra Negri. O diabo é um burocrata, que gerencia a relação do homem com Deus e, em conseqüência, a rege. Quando decide olhar Deus nos olhos, Jó ensina, diz Negri, que do mais intenso sofrimento podem ressurgir a paixão e a criação.
Negri afirma que existe, portanto, um aspecto positivo na dor: é da travessia pelo deserto do sofrimento que Jó, enfim, chega a si. A experiência da dor pode se converter, desse modo, em uma experiência ética, que ajuda o sofredor a se aproximar da verdade e, mesmo, da alegria. Em vez de se assustar com a incerteza a respeito do futuro, Negri prefere vê-lo como uma experiência de abertura infinita, na qual nada está predeterminado e, em conseqüência, tudo pode acontecer. Não se trata de ser otimista, ou de ser pessimista, ele afirma. Mas de usar a dor para afiar nossa visão da existência. Para Negri, tudo se constrói a cada instante e é dessa instabilidade, que hoje se costuma ver como ameaça, que o homem pode tirar a felicidade.
Negri começou a escrever "Jó, a Força do Escravo" no início da década de 1980, durante os quatro anos em que esteve preso, sob a acusação de ter sido o mentor do seqüestro e assassinato de Aldo Moro, o popular político da Democracia Cristã. Ele se livrou da prisão quando, em 1983, se elegeu deputado pelo Partido Radical Italiano, vitória que lhe conferiu a vantagem da imunidade parlamentar. A imunidade foi logo retirada pela Câmara dos Deputados, mas antes disso Negri conseguiu se refugiar na França, onde viveu exilado durante 14 anos.
Ele se tornou, então, professor da Universidade de Paris VIII e do Colégio Internacional de Filosofia, convivendo com intelectuais do porte de Jacques Derrida, Michel Foucault e Gilles Deleuze. Em 1997, enfim, decidiu retornar voluntariamente à Itália, para lutar por sua anistia e a de outros presos políticos em situação semelhante. Depois de ser novamente preso, conseguiu a liberdade condicional. Até 2004, viveu em regime de liberdade restrita. Antonio Negri mora, atualmente, em Veneza, de onde concedeu, por telefone, a entrevista que se segue.
Valor: Nosso mundo, gerido pelos antidepressivos, pelas psicoterapias, pelo misticismo e pelo fanatismo, vive em luta contínua contra o sofrimento. O sofrimento é, também, o tema central de "Jó, a Força do Escravo". Parece ser, enfim, seu tema mais importante.
Antonio Negri: Sim, o sofrimento é condição da existência. Condição que está ligada diretamente à solidão humana. Nosso desejo de viver se abre, sempre, para os outros. O sofrimento aparece quando alguma coisa, a que chamamos de mal, impede a realização do desejo. No mundo de hoje, os limites à liberdade, ao desejo e à felicidade são muito grandes. Existem muitos entraves em nossa vida. O problema é que, em geral, atribuímos a esse mal que veda nosso acesso à felicidade uma origem misteriosa. Jó, de início, faz a mesma coisa, apegando-se à idéia de uma origem enigmática para a dor. Mas o importante em Jó é que, em dado momento, ele identifica a origem do mal e a enfrenta. O mal, então, deixa de ser um mistério, deixa de ser uma ameaça difusa, e toma uma forma. Quando Jó olha Deus de frente, quando ele vê o Absoluto, vê a si mesmo e compreende, então, que a origem do mal é completamente objetiva. Ao encarar Deus, Jó se apropria de Deus. Ele entende, aí, que só ele mesmo pode se livrar do mal. É o momento em que se liberta também da mistificação do mistério - livra-se da idéia de que o mal tem sempre uma origem misteriosa - e passa a entender o que ele é. É esse o momento mais formidável de Jó.
Valor: Em geral, reduz-se a figura de Jó a uma caricatura, a do homem que tem uma paciência infinita. O sr. o vê, ao contrário, como um homem que se engaja na luta e na ação.
Negri: Jó é um personagem ativo. É um homem que constrói riquezas com seu trabalho, é um homem feliz, que deseja entender a existência do mal. Reduz-se Jó, em geral, a uma caricatura - por exemplo, quando se fala da "paciência de Jô". Contudo, a idéia de que Jó é um homem que sofre pacificamente é falsa. Ele está sempre em luta contra o mal, ele o enfrenta e o combate. Por que o mal? Por que Deus permite o mal? - essa é sua grande pergunta. Já que não há nada que justifique o mal.
Valor: O poeta italiano Giacomo Leopardi (1789-1837), conhecido por seu pessimismo, é outro personagem importante em suas reflexões sobre o sofrimento. Também para Leopardi, a dor não leva ao imobilismo. Ao contrário, ele dizia que o homem deve olhar bem fixo o sofrimento e vivê-lo intensamente, sem recuar, até conseguir tirar dele alguma coisa. Em que medida Leopardi e Jó se aproximam?
"A idéia do diabo justifica o investimento de todas as energias numa luta para derrubar e vencer o mal. É o que faz o presidente Bush"
Negri: Escrevi um livro sobre Leopardi, "Lenta Ginestra", ensaio sobre a ontologia, que se inspira em um de seus últimos poemas. Creio que existe uma comparação positiva entre Jó e Leopardi. Para os dois, é a comunidade dos homens que se opõe e enfrenta o mal. Os dois me ajudam a lutar contra as escolas pessimistas de pensamento. Na verdade, não é uma questão de pessimismo ou de otimismo, mas, sim, da capacidade humana de se organizar para agir e para reagir. Não se trata de escolher entre o pessimismo de Leopardi e de Schopenhauer ou o otimismo, por exemplo, dos marxistas. Acho que a vida, de fato, é dura, mas o homem tem uma vontade de potência e uma grande capacidade de construir o futuro.
Valor: O sr. começou a escrever Jó na prisão, em um momento no qual não tinha perspectivas a respeito da reconquista da liberdade. Em que medida essa experiência pessoal do sofrimento marca sua obra?
Negri: Escrevi tanto sobre Jó como sobre Leopardi atrás das grades. Havia, sim, um sofrimento pessoal que me mobilizava, mas era um sofrimento concreto. No meu caso, o sofrimento provinha da falta absoluta de liberdade e também da falta de perspectiva de reconquista da liberdade. Não era um sofrimento misterioso. Eram coisas concretas e bem visíveis que me influenciaram, como, por exemplo, a percepção que passei a ter da derrota política. O trabalho que fiz na prisão foi não só de interpretação do sofrimento, mas também de construção de um pensamento. Foram coisas que andaram juntas. São coisas, é verdade, que saíram de meu sofrimento. Mas não basta ficar no sofrimento, o importante é ligá-lo aos fatos históricos. E enfatizar que podemos ver esse sofrimento na perspectiva racional, isto é, em uma perspectiva clara. Que é possível conservar uma concepção racional não só do sofrimento, mas também da história e da vida como um todo.
Valor: Hoje se fala muito de um crescente mal-estar que acomete todo o planeta. Um mal-estar difuso, que penetra nas zonas mais inesperadas e, freqüentemente, se esquiva de uma definição e de um nome. Ele se associa ao vazio, à descrença no futuro, ao desencanto, e sua presença, parece, se torna cada vez avassaladora.
Negri: Sim, existe hoje uma visão mística do sofrimento. Ela é alimentada pelos adeptos da new age, do esoterismo, do orientalismo. É estimulada por todos os que afirmam que o sofrimento é místico. O Brasil é o país de Paulo Coelho. Já escrevi sobre Coelho para a "Folha de S. Paulo". A penetração de seus livros dá uma boa indicação do que você fala. Em seu país, a concepção mística do sofrimento foi enfrentada com firmeza pelos padres da Teologia da Libertação. Eles tiveram a coragem de introduzir no catolicismo a possibilidade de mudança e de luta. Sou um grande admirador dos ensaios de Leonardo Boff. Eles oferecem uma visão que é cristã, mas é também materialista e muito forte, muito potente. Mesmo os cristãos não podem descartar, não podem deixar em segundo plano, o aspecto material. Ele está presente, por exemplo, na doutrina da ressurreição da carne após a morte. O corpo que reaparece, o corpo que renasce, o que ele é? Ele é matéria. Logo, mesmo na tradição cristã, existe um forte componente material. Muitos cristãos não conferem a devida importância a essa idéia do corpo ressuscitado. Insisto: o que ressuscita é o corpo, é a matéria. Portanto: o corpo está no centro da fé. Quanto a Paulo Coelho, do mesmo modo, não me parece que o sucesso dele seja muito místico... É muito mais um sucesso material, ligado, portanto, à matéria também.
Valor: Associa-se sempre esse cenário de esvaziamento e de amortecimento da razão ao mundo pós-moderno. Fala-se ainda na vigência de um "pensamento fraco", que seria uma característica nefasta do novo século. O sr. compartilha essa visão?
Negri: Não posso negar que o nascimento de pós-moderno delimita a aparição de um "pensamento fraco". Surge uma forte negação da história, negação do valor do trabalho e, sobretudo, negação da luta. O pós-modernismo nada mais é que a negação, o ultrapassar dos valores da modernidade. Existe, de fato, essa tendência negativa. Mas existe também uma reação, uma busca do saber, o investimento em uma nova organização social, em uma nova ordem e também em uma nova razão. Uma volta a valores da modernidade, mas em uma perspectiva nova, que dá mais força ao individualismo. Esse seria o lado positivo do pós-modernismo.
Valor: Como seria essa nova razão? O papa Bento XVI diz, por exemplo, que a aproximação de Deus não se dá pela palavra, isto é, pela razão, mas "por atração". Como o sr. vê a idéia?
Negri: Primeiro, é preciso pensar o que é a razão. A razão é muito mais rica que a razão instrumental e eurocêntrica. Particularmente, estou convencido de que a razão é extremamente corporal e vibrante. Mas essa característica biológica da razão não nos tira a responsabilidade sobre ela. A idéia de engajamento "por atração", como sugere Bento XVI, tira do homem a responsabilidade de sujeito. Todos esses sujeitos do fanatismo e do extremismo são exatamente sujeitos que abdicaram da razão e, por isso, se tornaram muito perigosos. São perigosos, sobretudo, porque negam as singularidades e as particularidades. A grande luta, hoje, é a da afirmação do múltiplo e da democracia. A identidade está sempre ligada à multiplicidade. E é a partir dela que podemos agir. No fanatismo, ao contrário, há uma espécie de identidade fixa. O fanatismo religioso, o patriotismo e o nacionalismo se apóiam, sempre, em uma identidade fixa - pelo menos quando vista de fora. Contudo, por dentro atuam, como diz o papa, "por atração". É a dinâmica de uma espécie de monstro que devora seus adeptos. Isso, a meu ver, significa o fim da liberdade. E a liberdade é imensamente importante para o futuro da humanidade.
Valor: É a fixação na idéia do mal que leva à paralisia, ao desencanto e ao vazio?
Negri: No "Livro de Jó", o diabo é uma espécie de burocrata que domina a visão que se tem de Deus e é, em resumo, quem lhe dá forma e identidade. Toda a luta de Jó é para se livrar da burocracia, isto é, para se livrar dessa mediação controlada pelo diabo. E, desse modo, ver Deus diretamente. Olhar Deus cara a cara, afastando o diabo dessa relação. A idéia do diabo justifica o investimento de todas as energias numa luta para derrubar e vencer o mal. É o que faz, por exemplo, o presidente Bush. É essa luta prioritária contra o mal, que coloca sempre a figura do diabo na frente, que leva ao extremismo absurdo, por exemplo, dos ocidentais contra os orientais. A partir do momento em que se pensa em termos de dualidade, toda a complexidade do mundo é reduzida a uma luta de civilizações, o que é não só absurdo, mas perigoso. O extremismo nega as singularidades. Se você reduz tudo a uma luta de Deus contra o diabo, ou do diabo contra Deus, cai em uma armadilha de que é muito difícil sair.
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O Estado de S. Paulo - SP (06/07/2007)
O mundo dos livros no Sesc Pompéia
Literatura
Sherazade começou a contar histórias para não ser morta pelo rei persa, que assassinava todas as mulheres com quem passava a noite.
Com as leituras, prendeu a atenção dele por mil e uma noites e se livrou de seu triste destino. Na exposição Mundo Livro, do Sesc Pompéia, a contação de histórias é apenas uma das táticas para atrair as crianças à literatura. Em uma tenda, oito contadores se revezam. Pelos 600 m2 do galpão da exposição, há também a ‘árvore do conhecimento’, em tamanho gigante, o quarto de um poeta e uma biblioteca lúdica. Na rua interna que leva ao galpão, perambulam personagens como o coelho de Alice. Estão programadas ainda as peças ‘Os Três Porquinhos’ (R$ 6, no teatro), amanhã (7), às 13h30, e domingo e 2ª, às 12h; e ‘A História de Amor de Romeu e Julieta’, na 2ª (9), às 17h, além de oficinas de leitura.
Sesc Pompéia. R. Clélia, 93, 3871-7700. 9h30/18h (sáb, dom. e fer., 10h/19h; fecha 2ª). Grátis. Até 2/9.
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Jornal da Tarde - SP (06/07/2007)
Feriado para se perder na Cultura
A feira literária desta semana pode ser em Parati (RJ), mas o bom momento das livrarias de São Paulo não deixa motivos para quem ficou na cidade neste feriado se queixar. Para conhecer com tranqüilidade a nova Livraria Cultura - um complexo de 4, 3 mil metros quadrados que substituiu as quatro lojas da rede no Conjunto Nacional - é bom aproveitar a debandada dos paulistanos neste fim de semana, já que, desde que inaugurou, o espaço está quase sempre intransitável. Além de 150 mil livros disponíveis, a nova livraria tem um teatro, um café-bistrô e, em breve, vai ganhar também um espaço para exposições.
(SERVIÇO)Livraria Cultura do Conjunto Nacional
Avenida Paulista, 2.073, 3170-4033, metrô Consolação. 9h/22h (dom. e fer., 14h/20h). |
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