A história da raça humana é cíclica e reproduz, inconscientemente, em sua marcha, os ciclos da natureza da qual somos parte: fases de espantoso progresso e de inacreditável retrocesso; o caminho evolutivo não é linear.
Dando uma olhada no mês de junho, no calendário, chamou-me a atenção ser 01/06 o Dia da Imprensa e dia 07/06 o Dia da Liberdade de Imprensa! Vivemos em uma época paradoxal, em que cada vez mais pessoas têm acesso à informação e ao conhecimento; mas essa informação precisa ser checada em sua origem, sob pena de induzir a uma falsa percepção da realidade, e o conhecimento, muitas vezes, é distorcido e ideologicamente manipulado! Uma época em que vemos muitos defensores da liberdade de imprensa praticarem a censura e a perseguição a jornalistas e aos órgãos que os empregam, tanto a nível nacional quanto internacional, assim que têm o poder nas mãos!
Resolvi procurar um pouco sobre a história da imprensa e vi que a palavra imprensa surge a partir da prensa móvel mecânica de Johannes Gutemberg, no século XV, considerada o marco a partir do qual o conhecimento deixa de ser algo reservado às elites (fossem poderosas ou religiosas) e passa a ser divulgado. No Brasil, a história da imprensa começa a partir da vinda da corte portuguesa. No início, a Imprensa Régia, criada pelo decreto de 13 de maio de 1808, tinha por objetivo a divulgação da legislação e dos atos governamentais; na ausência destes, realizava a impressão de obras variadas. Note-se que os primeiros censores régios foram nomeados já em setembro de 1808, e sua atuação foi bastante efetiva! No mesmo ano, Hipólito da Costa lança o Correio Braziliense, em Londres, o qual, por ser publicado fora do país, foi o primeiro periódico em língua portuguesa a circular sem censura! Somente em 1821, decisões das Cortes portuguesas diminuíram as restrições impostas à imprensa e, a partir daí, aumentaram o número de tipografias, jornais e panfletos no Brasil. E o relacionamento tóxico da imprensa brasileira com a censura foi seguindo com ciclos alternados de tensão e distensão, até o período mais longo durante a ditadura militar, inaugurado pelo Ato Institucional nº 5, emitido em 13 de dezembro de 1968 e revogado somente em dezembro de 1978, quando iniciou o longo processo de abertura política que resultou no fim da ditadura; o qual viria a acontecer oficialmente somente em 15 de março de 1985!
Atualmente, a nível internacional, após anos de construção da liberdade de imprensa como um dos pilares de qualquer sociedade democrática, estamos voltando à fase "estreita do ciclo"; época em que coerência, honestidade e verdade parecem tornar-se palavras vazias pela excessiva relativização dos fatos e do discurso. Já em território nacional, tem-se noticiado uma crescente queda de confiança nos meios de comunicação, seja por vieses ideológicos, seja por alimentar as fake news divulgadas pelas redes. É claro que isso aumenta em período eleitoral, e estamos vendo uma pré-campanha literalmente feroz! Vivemos, segundo alguns, a "era da narrativa". Seja como for, uma coisa é certa: quem não estiver bem informado não tem como optar; por outro lado, aquele que não tiver uma base estruturada de conhecimento que lhe proporcione critérios para selecionar e decodificar essa informação não terá como ter acesso à realidade dos fatos...