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Diário da Traça

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O Diário da Traça é uma espécie de Twitter privado da Traça - aqui postamos pequenas mensagens sobre o dia-a-dia da empresa, bibliotecas que compramos, novidades do mundo editorial e até alguns de nossos pequenos dramas profissionais.  Uma espécie de balcão de livraria, com aquela conversinha amistosa e simpática.
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17/02/2017 14:17 por William




   Émille Nelligan foi um poeta francófono do Quebec, no Canadá, nascido em Montréal, no ano de 1879. Sua poesia segue a vertente simbolista de poetas franceses como Verlaine e Baudelaire; e como Rimbaud, foi um talento precoce, publicando seus primeiros versos com 16 anos. Seu pai, vindo da Irlanda, casou com uma quebequense, e como em Quebec se fala francês enquanto no resto do Canadá a língua oficial é o inglês, a opção linguistica de Émille começa a amadurecer em tenra idade, apontando para a língua francesa como preferência para suas intenções artísticas.
   Em 1899 o poeta sofreu um colapso mental que o impossibilitou de terminar sua obra poética, sendo internando com o diagnóstico de ezquizofrenia. O reconhecimento só veio anos depois de sua morte, e permanece restrito ao Canadá, com uma tradução completa para o inglês. A neve é um tema recorrente em sua poesia, assim como a melancolia, gelo, frio, inverno, jardins, janelas embaçadas, navios naufragados, noites densas e o branco puro de uma nevasca.
    A sociedade conservadora da época, associada com uma rígida retórica religiosa deve ter tido um forte impacto no jovem de mentalidade romântica que só encontrou na intimidade das palavras uma liberdade fugidia como  orvalho pela manhã.

   Vale ressaltar que não há traduções para o português...ainda! Em breve, com minha dedicação e árduo esforço para aprender o francês (pois quero imigrar para Quebec) talvez tenhamos calorosas interpretações tropicais da neve e do sofrimento gelado das terras do norte. Eis aqui um poema do garoto e uma tradução para o espanhol.



Ah ! comme la neige a neigé !
Ma vitre est un jardin de givre.
Ah ! comme la neige a neigé !
Qu’est-ce que le spasme de vivre
À la douleur que j’ai, que j’ai.

Tous les étangs gisent gelés,
Mon âme est noire ! où-vis-je ? où vais-je ?
Tous ses espoirs gisent gelés :
Je suis la nouvelle Norvège
D’où les blonds ciels s’en sont allés.

Pleurez, oiseaux de février,
Au sinistre frisson des choses,
Pleurez, oiseaux de février,
Pleurez mes pleurs, pleurez mes roses,
Aux branches du genévrier.

Ah ! comme la neige a neigé !
Ma vitre est un jardin de givre.
Ah ! comme la neige a neigé !
Qu’est-ce que le spasme de vivre
À tout l’ennui que j’ai, que j’ai !…



***


NOCHE DE INVIERNO


¡Ay, cómo nevó la nieve!
Mi ventana es un jardín helado.
¡Ay, cómo nevó la nieve!
¡Qué es el espasmo de la vida, qué,
 Al lado del dolor que tengo en mí, que tengo! 

Los estanques todos gélidos yacen
Negra es mi alma. ¿Adónde voy? ¿En dónde vivo?
Sus esperanzas todas gélidas yacen.
La nueva Noruega soy
De la que huyeron los rubios cielos.

Llorad pájaros de febrero por el sombrío
Escalofrío que hay en las cosas.
Llorad pájaros de febrero,
Llorad mis rosas, llorad mis llantos,
Entre las altas ramas del cedro.

¡Ay, cómo nevó la nieve!
Mi ventana es un jardín helado.
¡Ay, cómo nevó la nieve!
¡Qué es el espasmo de la vida, qué,
 Al lado del tormento que tengo en mí, que tengo!



Tradução de Miguel Ángel Frontán.
emile nelligan.jpg
http://literaturafrancesatraducciones.blogspot.com.br/2011/12/emile-nelligan-noche-de-invierno.html


17/02/2017 14:01 por Francisco
Chegou aqui na Traça um exemplar de uma obra que eu não conhecia. Refiro-me a "Cartas do Papai Noel" de ninguém mais e ninguém menos que J. R. R. Tolkien. Esse livro (organizado pela esposa do terceiro filho de Tolkien) traz uma tradição antiga da família, que é o hábito do autor em contar histórias para seus filhos, onde na véspera do dia de Natal, o autor escrevia e desenhava cartas para seus filhos, e as deixava junto com os presentes, contando como era a vida do Papai Noel, como era a sua fábrica, como os duendes fabricavam os brinquedos e outras aventuras. Aposto que isso seria algo que qualquer criança gostaria de receber não é mesmo? Confere aqui na Traça, uma edição muito boa e belíssima de criações fantásticas do mestre Tolkien.

16/02/2017 18:22 por Rabujo
Aviso colocado na Biblioteca da Universidade de Salamanca, na Espanha, em torno do ano de 1440:

excomunhão

16/02/2017 18:03 por Rabujo
Para aquele que rouba ou toma emprestado e não devolve um livro de seu dono, que o livro se transforme em serpente em suas mãos e o envenene. Que seja atingido por paralisia e todos os seus membros murchem. Que definhe de dor, chorando alto por clemência, e que não haja descanso em sua agonia até que mergulhe na desintegração. Que as traças corroam suas entranhas como sinal do Verme que não morreu. E quando finalmente for ao julgamento final, que as chamas do Inferno o consumam para sempre.

Esta inspiradora exortação está (ou esteve) inscrita na biblioteca do mosteiro de São Pedro, em Barcelona. Todos os bibliófilos que conheço a aprovam. Alguns até a consideram branda, prefeririam um sofrimento maior para o ladrão de livros. Por que tanta fúria? No longo período que antecedeu a popularização do livro impresso, seria até compreensível. Livros eram objetos raros, caros, às vezes únicos e muitas vezes insubstituíveis. A posse de um livro único era quase que a posse do passado. O ladrão de livros, de certa forma, poderia reescrever a história. Mas, e hoje, por que tanto ciúme?

Que muitas pessoas estabelecem relações possessivas violentas com suas bibliotecas não é novidade. Conheço muitos “acumuladores”, pessoas que compram livros compulsivamente, não os lêem, ou lêem apenas superficialmente, e os guardam. Alguns chegam a ocupar vários imóveis com seus livros. Um psicanalista talvez dissesse que estas são características de um caráter “retentivo-anal”. Não são estas as pessoas em que estou pensando. Estou pensando apenas no amante de livros “normal”. As teses para explicar o fenômeno são muitas e não vou abordá-las. Quem quiser se deliciar com o assunto que leia “Uma História da Leitura”, de Alberto Manguel. Quanto a mim, que sou também ciosa de meus livros, entendo que o livro representa uma parte de nosso passado. Uma parte visível, que pode ser tocada, cheirada. Um livro lido não é só um conjunto formado por papel, tinta e informações. Acima de tudo, ele nos evoca quem éramos no momento em que o lemos. As esperanças, paixões e sofrimentos daquele momento estão ali. Os universos evocados pela leitura podem ser imediatamente redescobertos quando abrimos o volume. A proverbial mancha de café na capa nos devolve ao exato momento em que o derramamos. Livro como âncora do passado. Ao perdê-lo, perdemos uma referência, vaporiza-se nossa própria história, nos perdemos de nós mesmos.

É, o crime é grave e o ladrão de livros merece mesmo um castigo maior do que aquele que nossos bons monges lhe desejam...

Este texto foi originalmente publicado em 07/03/2016, no extinto Blog da Traça. Parece que o problema continua o mesmo...

16/02/2017 18:01 por Rabujo
Compramos recentemente uma biblioteca em que todos os livros tinham um carimbo com a inscrição "Este livro foi roubado de %$#@!@#$". O truquezinho esperto para constranger os amigos a devolver os volumes tomados de empréstimo teve um triste efeito colateral - reduziu o preço de venda da biblioteca...

Tentativas de proteger o patrimônio literário são comuns, indo de bilhetinhos "lembrando o amigo da necessidade de devolver o volume" a programas de computador para registrar os empréstimos até maldições pavorosas.  Mesmo assim, a velha máxima "livro emprestado é livro dado" é quase sempre verdadeira...

16/02/2017 14:32 por Eliana
Nesta semana, mais precisamente dia 13 de fevereiro, Georges Simenon estaria de aniversário. 114 aninhos de muito suspense e romances policiais, que nos encantam até os dias de hoje.

Aproveite nossos títulos, inclusive em outras línguas e se divirta ou até mesmo conheça a obra deste autor! :)

16/02/2017 09:32 por William








Pequeno poema da poetisa Safo da ilha grega de Lesbos, pertencente ao período arcaico e representante da lírica feminina.





Quem é belo
é belo aos olhos
- e basta.

Mas quem é bom
é subitamente belo

15/02/2017 15:19 por Rabujo
Mais uma curiosidade: um cartão de embarque do paquete Curvello de 6 de novembro de 1922. Chegou à Traça dentro de um livro, em que serviu como marcador de páginas.

No verso do cartão, um aviso para o desembarque em New York. A seguir, uma imagem de cartão postal do navio e um panfleto de publicidade de seus serviços. O barco teve uma história interessantíssima e você pode ver um resumo dela em: Lloyd Brasileiro: Curvello.

Curvello

Curvello

Curvello

Curvello

15/02/2017 11:04 por Rabujo
Duas imagens de uma bela biblioteca de uma residência em São Paulo. Consta que está à venda!

biblioteca residencial são paulo

biblioteca residencial são paulo


15/02/2017 10:59 por William





Um dos primeiros e mais ouvidos discos da minha vida foi Born in the USA do Bruce Springteen. Na época, com 15 ou 16 anos, não sabia de muita coisa do mundo (ainda é um pouco assim) e nem me questionava a respeito do teor das letras e da imagem do Bruce. Mais tarde vim a saber que a música tema se tratava  mais de uma crítica ao governo Regan do que uma canção nacionalista propriamente dita. Este último no entanto se apropriou do trabalho do artista, e com o refrão contagioso embalou sua campanha política que o alçou à presidência. A capa possui uma peculiaridade bem interessante; uma imagem da bunda de Bruce, com sua calça jeans de trabalhador, e no fundo uma bandeira dos Estados Unidos. O estilo representa muito bem a classe operária na época, e dizem que é bem provável que o cantor estivesse urinando na bandeira, tomando-se o ponto de vista da fotografia. Polêmicas à parte, é uma obra maravilhosa, e muito americana, feita para ser um sucesso de vendas. Quase todas as músicas se não me engano estiveram no top da Billboard; um marco idealizado por Michael Jackson e seguido por Bruce, Prince (que lançava Purple Rain no mesmo ano de Born in the USA) e Janeth Jackson poucos anos depois. Escutei diversas vezes esse CD e nas sessões da tarde da Globo  descobri (anos mais tarde também) que o filme Streets of Philadélphia também possui na trilha sonora uma música do compositor, que por sinal é muito emocionante e sempre me arrepia. Um baita som pra se curtir sempre! Aqui um trecho de uma das minhas favoritas....


"I had a job, I had a girl
I had something going mister in this world
I got laid off down at the lumber yard
Our love went bad, times got hard
Now I work down at the car wash
Where all it ever does is rain
Don't you feel like you're a rider on a downbound train"

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